A mulher que matou Cascudo


A vida reserva surpresas. Descobri ontem que a empregada que trabalha há 20 anos lá em casa cozinhou também para o mestre Câmara Cascudo, nos últimos três meses de vida do folclorista.

A informação tardia me foi dada por acaso. Estou de mudança novamente (terceira vez em um ano e meio). Quando dona Eliane passava um pano nos meus Dvds viu o documentário sobre Cascudo e disse: “Trabalhei na casa desse homi”.

Depois de recolocar meu queixo no lugar certo, pedi pra ela repetir: “Foi. Eu substitui uma menina que trabalhava lá”. Perguntei se era Francisca, pois sabia que o filósofo das ruas, Helmut, teve caso com ela. Eliane disse: “Isso mesmo”.

O pior veio a seguir. Pelo que sei, Cascudo estava impedido ou recomendado de não comer ou exagerar nos doces devido os vários problemas que enfrentava no fim da vida, já aos 87 anos. E Eliane me diz que ele adorava os quindins que ela fazia.

Chego a uma conclusão: Eliane matou Cascudo. Sem querer, claro. E o mestre deve ter morrido feliz, como passou toda a vida. As mãos de cozinheira de dona Eliane são divinais!

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