A noiva do tempo

Por Romana Alves Xavier

Chove muito e uma moça de fita vermelha no cabelo passa rápido entre a multidão que se protege da chuva. Sem sombrinha, ela pega carona nas sombras frescas de cada abajur suspenso pelas mãos molhadas e suadas do povo.

Passa pelo bebê de colo, pela criança de vestido rodado, pelo garoto com uniforme do colégio, pelo casal de namorados, pela grávida em final de gestação, pela jovem senhora, por colegas de meia idade, por uma idosa que se divide entre a preocupação de equilibrar o guarda-chuva e não cair na rua escorregadia.

E a moça, enquanto passa, leva com ela o tempo suave do vento que sopra. Ela passa diariamente, com a pressa de alguém que não volta jamais. Cada passo é tão intenso que, mesmo quando é pequeno, parece alto como um salto de mulher.

Muitos cantam seus encantos, outros preferem dizer que ela guarda surpresas. Há os que se dedicam exclusivamente a lamentar-se dela. Quase todos se preocupam em saber de onde ela veio e para aonde vai. E enquanto pouco se descobre a seu respeito, melhor mesmo é vivê-la.

Comentários

Há 8 comentários para esta postagem
  1. Alex de Souza 7 de julho de 2010 10:01

    Moça, você cursou Comunicação na UFRN? Estudei com alguém com o mesmo nome…

  2. Romana Alves Xavier 7 de julho de 2010 8:02

    Tânia, não sei se fez essa leitura. Mas a moça daí, de fita vermelha no cabelo, é a própria vida de cada um. Beijos

  3. Romana Alves Xavier 6 de julho de 2010 23:39

    Oi Tânia,

    Que bom que você gostou!!! Fico feliz, muito obrigada!!! E valeu pela indicação do blog… Beijosss

  4. Romana Alves Xavier 6 de julho de 2010 23:36

    A moça daí não sei, mas eu venho e vou sempre para perto daqueles que são a minha maior inspiração: marido, filhos e pais…

  5. Tânia Costa 6 de julho de 2010 19:43

    Oi Romana,
    Que bom ter lhe conhecido e ter indicado o blog para você. Mais contente ainda em ver que você escreve tão bem. Amei seu texto. Também gostei muito do outro post: “O balé da chuva”, ou seria mais apropriado o “balé das sombrinhas”!?!
    Beijos,

  6. gustavo de castro 6 de julho de 2010 18:46

    ei, romana, gosto do q vc escreveu aqui. essa moça, flanando entre gentes e imagens. querendo ser feliz… também quero saber de onde essa moça vem e para onde ela vai…

    e vc moça romana, de onde vem e para onde vai?

  7. Romana Alves Xavier 6 de julho de 2010 16:53

    Obrigada pela dica! abç

  8. Tácito Costa 6 de julho de 2010 16:16

    Romana, faça o seu cadastro no SP e passe a acessar o blog com a senha. Isso facilitará quando precisarmos localizar seus textos. Se tiver dificuldade para isso, me avise que vejo como ajudá-la. Grato e Abs.

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