a) O Encontro

Tudo certo para o encontro que seria numa pracinha, com pipoqueiro, casal de namorados e idosos. O amigo estava esperando o companheiro de credos e fé política. O que esperava não podia correr. E o que ia ao encontro desconfiava. Estava sempre desconfiado e sofria uma grande pressão psicológica. Há muito não dormia direito e estava sobre vigilância. Todos os passos vigiados. Na fábrica não teve promoção e foi aposentado como indigente. A hierarquia esta em tudo.

O motivo da sua não ida culpou o amigo que esperava preso. Aquilo tudo irritou os algozes que já haviam preparado tudo. Choques e pau-de arara. Muitos foram mortos sem saber o porquê. Os beijos dos namorados era um alçapão. Dentro do carro de pipoca uma metralhadora. Em cada esquina uma ameaça. Não podia viver. Não podia conversar. Não podia ler. Viver é perigoso. Hoje, tem lapsos de memória e faz questão de esquecer aquele encontro. Mesmo porque podia ser a morte que espreitava. Ele ainda não sabe o que fez. Escreve sobre plantas e namorados de verdades. Na praça ainda tem medo de ser espiado. As palavras são medidas. Os gestos lentos de alguém que nunca perdeu o medo.
Vive tendo sonhos tenebrosos. Outro dia sonhou com uma raposa comendo um cordeirinho e logo mandou confeccionar um caixão todo forrado de veludo para não ter frio quando entrar no mundo de lete. Não sabe se morto ou vivo. Tem medo de todos e todas. Alguns o dizem caduco. Ficou neurótico, dizem outros.

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