“A Pedra da Cruz’ será lançado em Caicó durante a Festa de Santana

Livro que trata de maneira ficcional as raízes judaico-cristãs do Seridó levou cinco anos de pesquisa para ser feito pelo advogado e historiador Janduhi Medeiros

Que o Seridó é uma das regiões mais importantes do Estado, isso não se duvida. Território de grandes nomes, o Seridó também é uma terra mística e que tem muita história ainda a ser desbravada. Mas, o que talvez a história oficial não conte é a relação do seu povo com os judeus – ou cristãos-novos – que migraram para aquela região durante a colonização e período de inquisição da Igreja Católica na Europa. O advogado, poeta e historiador Janduhi Medeiros fez uma imersão em livros e também em “causos” e o que descobriu vai recontar no seu mais recente livro “A Pedra da Cruz” (Caravelas Selo Cultural), uma obra ficcional que flerta com os registros históricos encontrados ao longo de mais de cinco anos de pesquisa. O lançamento será em plena Festa de Santana, em Caicó, no Bar da Noiva, nos dias 29 e 30 de julho, sempre a partir das 10h. O livro poderá ser adquirido ao preço de R$ 30.

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“Sem cerimônias Janduhi Medeiros passa do mito à História. Sem cerimônias acolhe as narrativas imemoriais que povoam os ventos da imaginação e as tece junto com os relatos dos historiadores. Sem cerimônias o próprio autor hibrida em seu nome os janduís, indígenas tapuias, e os Medeiros, de história genealógica aspergida de hálito marrano e português. Portanto, este livro é um diálogo constante de saberes que se encontravam por vezes cindidos e excludentes”, explica o também historiador, que faz a apresentação do livro, Muirakytan Kennedy de Macêdo.

As histórias encontradas se fundem na licença poética do prosador, a partir dos personagens Cirilo Bezerra, Samir de Gabriel e Daniel Constantino. “Oficialmente, a partir do finalzinho do século XVII teve início a demarcação das terras do Seridó pelos novos colonizadores, a distribuição das sesmarias e as celebrações nas primeiras casas de orações. Os holandeses dominaram o Nordeste durante um razoável período, porém, em meados do mesmo século, retiraram-se depois que cederam Pernambuco para os portugueses, deixando muitas famílias judaicas refugiadas nos contornos das serras dos distritos erguidos em cada palmo da terra. Após a Páscoa de 1670, apressou-se o povoamento das ribeiras seridoenses, tendo como mira a implantação do ciclo do gado e a descoberta de muito ouro. Em razão do crescimento do povoado e do próspero comércio de couro, sendo Recife o maior mercado consumidor, a região se desenvolve. No dia 15 de abril de 1748, quando já existia uma forte presença de marranos, cristãos-novos e de casas de orações espalhadas nos aceiros dos currais, foi criada a freguesia de Nossa Senhora de Santana, desmembrada da freguesia de Pombal”, rememora o próprio Janduhi Medeiros em trecho do seu livro, dando um aperitivo sobre o que o leitor vai se deparar diante de sua mais recente obra.

Janduhi Medeiros é natural de Ouro Branco, mas foi criado em Caicó, já publicou outros três livro tais como: “Calçada de Bodega” (2013), Mensageiro das Oiticicas (2007) e Canaviais e Outros Poemas (2003).

Lançamento – A Pedra da Cruz – Romance de Janduhi Medeiros
Dias: 29 e 30 de julho (sexta e sábado)
Local: Bar da Noiva, em Caicó, a partir das 10h.

Comentários

There is 1 comment for this article
  1. Edjane 21 de julho de 2016 14:49

    Parabéns, Janduhi! Não poderia ser em outro lugar. Luzia, com certeza, vai caprichar na galinha caipira.

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