A pergunta sem resposta

Foto: Alberto Leandro/Tribuna do Norte

TC

Sem eu esperar ou pedir a ministra da Cultura Ana de Hollanda esteve na minha agenda por duas vezes na última sexta-feira. Talvez por ela ocupar, com justiça, um lugar de destaque entre as tags deste SP.

Na primeira ocasião, pela manhã, a secretaria de Cultura Isaura Rosado convidou-me para um jantar que seria oferecido naquele mesmo dia à ministra pela governadora, na residência oficial. Eu fiquei de responder depois e passei o resto do dia pensando se ia ou não. Acabei não indo, não me sinto à vontade em ambientes oficiais, independente de quem seja o governo ou as autoridades presentes.

À tarde, já no finalzinho do dia, e com 15 minutos para pensar, o repórter da Tribuna do Norte Yuno Silva pediu-me para enviar uma pergunta para ser apresentada à ministra durante entrevista. A ministra estava em Natal para visitar as obras do teatro de Parnamirim.

Disse-me Yuno que tinha feito o mesmo pedido a outras pessoas da cidade ligadas à cultura. A entrevista não saiu como o esperado e o jornal publicou no outro dia uma matéria sem resposta a maioria das perguntas que foram enviadas (aqui).

A minha foi a seguinte: Ministra: A gestão conservadora e de ruptura que a senhora vem realizando no MinC tem o aval da presidenta Dilma? Trata-se de uma política de governo?

É uma pergunta que eu faria se participasse de uma coletiva ou debate com a ministra. Porque das duas uma, ou a presidenta Dilma respalda as ações da ministra ou não dá a menor importância ao MinC, pouco importando se o Ecad seja fortalecido, a Lei de Direito Autoral volte à estaca zero ou o selo Creative Common sofra boicote.

É possível também que as duas, Dilma e Ana, tenham a mesma visão sobre cultura. O resultado, então, não poderia ser outro senão o retrocesso que estamos amargando.

Comentários

Há 6 comentários para esta postagem
  1. Anchieta Rolim 31 de agosto de 2011 16:20

    Bom argumento esse seu Carlos Henrique, estou ansioso pelo texto. Um abraço!

  2. Carlos Henrique Machado 31 de agosto de 2011 14:42

    Continuo na crença de que Dilma é a menos culpada por toda essa situação do MinC e estou escrevendo um longo texto que esclarece, tim tim por tim tim, tudo isso. Sabemos que nada é feito sem o concentimento da Presidente, mas a questão não é esta, ela está na cabeça de medusa da própria cultura que tem a sua ciranda de pedra. O que é na verdade um jardim selvagem.

    Lembremos que a cultura sempre fez parte da conspiração das oligarquias no mundo, até mesmo na anti-disciplina promovida pela dita “contracultura”. Todos os movimentos de Estado são eminentemente patriarcais. E a indústria, sobretudo a do cinema e a fonográfica, são santuários de ratos que, ou criam seus peixes em aquário ou usam os canhões de luz para transformar movimentos pertencentes à sociedade em verão industrial. A cultura inventada pelas relações institucionais em todo o mundo é feita de mistérios, de achados, de nichos perdidos pelos fragmentos concebidos pela sociedade, mas que são moldados nas noites escuras com fitas da madrinha industrial junto com o ferrolho da madrasta da antiga casa grande.

    É só observarmos que o modus operandi do MinC/Ecad é o mesmo do Itaú Cultural e da FOSB que culminou na demissão de 33 músicos da OSB.

  3. Yuno Silva 30 de agosto de 2011 14:09

    Tácito, Daniel,

    minha falha foi não ter explicitado as dificuldades que tive para fazer perguntas à ministra, mas estarei corrigindo e explicando isso ainda esta semana na versão on-line.

    Outra coisa, a matéria linkada é a que foi feita numa velocidade absurda – no mesmo dia da chegada de ministra em Natal, mesmo assim já saiu uma resposta sobre o Cultura Viva. Hoje (terça, 30) saiu outra matéria com outras quatro perguntas/respostas.

    Olha o link: http://tribunadonorte.com.br/noticia/ana-de-hollanda-conclui-visita-ao-rn/194047

    Abraços.

  4. Anchieta Rolim 30 de agosto de 2011 10:22

    Tácito , na minha opinião todo Ministro , Secretário e etc…, ou seja, os que ocupam esses cargos públicos (os indicados) , não tomam suas próprias decisões, só fazem o que os seus superiores mandam. Estão ali por uma circunstância qualquer ou por algum interesse, são raras as exceções, como por exemplo, a do grande Ariano Suassuna quando secretário de cultura do Estado de Pernambuco de 1994 a 1998, segundo o próprio, teve toda liberdade no exercício da função a ele delegada pelo governador Miguel Arraes. Eu ouvi do próprio Ministro Gil, quando exercia o Ministério no Governo Lula que se não dessem continuidade aos seus projetos ele deixaria o cargo, não acreditei, mais ele deixou. Alguns tem mais dignidade e quando sentem que nada podem fazer entregam a função, que por sinal acho uma atitude digna. Outros, porém, como diz o velho ditado esperam que a corda arrebente e se esquecem que ela só arrebenta do lado mais fraco.

  5. Daniel Dantas 30 de agosto de 2011 0:24

    Yuno me pediu uma pergunta e eu fiz basicamente a mesma pergunta, Tácito. Colocando em questão o fato de que ela foi escolhida para ser ministra por uma presidente de continuidade.

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