A poesia de Emmanuel Bezerra dos Santos

Por Jarbas Martins

Hoje, às l9,00 ha, na Livraria Siciliano,Shopping Midway, haverá o lançamento do livro “Às Gerações Fu- turas”, poesias inéditas de Emmanuel Bezerra dos Santos,iniciativa do Centro de Direitos Humanos e Memória Popular, em parceria com a Fundação José Augusto e o Centro de Estudos, Pesquisa e Ação Cultural.

O livro traz um prefácio do escritor François Silvestre, que militou no Partido Comunista Revolucionário, ao lado de Emmanuel, e uma apresentação de Roberto Monte e Aluízio Matias dos Santos. Sobre a qualidade da poesia de Emmanuel tive a oportunidade, por várias vezes, de me pronunciar.Em primeiro lugar, dirigindo-me a ele próprio.

No que diz respeito à sua arte literária, Emmanuel demonstrava muita insegurança, talvez porque tivesse consciência da imaturidade dos seus versos.E do estilo envelhecido e retardatário de que eles se revestiam.E isto eu cheguei a dizer ao próprio Emmanuel. Tinha liberdade pra falar com ele de maneira franca.Atuávamos no Movimento Estudantil (ele militante do PCR e e eu da Ação Popular).Além do mais, à época, eu me achava muito próximo de Juliano Siqueira (do PCBR) que, juntamente comigo e Moacy Cirne, integrava o grupo DÉS,, de inspiração concretista.(Juliano teve muita inluência na formação desse grupo.Partiu dele o lema-“Por uma arte revolucionária de conteúdo revolucionário”).

No prefácio de “Às Gerações Futuras” François Silvestre coloca as coisas no devido lugar: fala na militância dele, François, e Emmanuel, revelando fatos importantes para a História e no significado da luta revolucionária.Quanto à poesia do seu companheiro, limita-se a falar no lirismo adolescente de EB e cita um verso isolado onde o guerrileiro-poeta parece acertar o alvo.

Há que se louvar o trabalho também de Roberto Monte e Aluízio Matias pela bela e oportuna promoção. A Coleção Memória das Lutas Populares é de grande valia, como já asinalei, para lembrar aqueles tempos terríveis,num momento em que a Direita, através da mídia com ela comprometida, procura negar e torcer a verdade dos fatos.Parabéns a todos os que se envolveram nessa tarefa.

O perigo que poderá haver é que os adeptos fundamentalistas do politicamento correto confundam o legado ético de Emmanuel com sua incipiente estética.

Comentários

Há 3 comentários para esta postagem
  1. Wanderson Pinheiro 29 de abril de 2010 0:24

    Moro em São Paulo e gostaria de saber como posso adquirir o livro. Sem dúvida de uma grande importância histórica e não poderia vir em melhor momento, quando precisamos lutar para que os torturadores de ontem e de hoje sejam punidos, os arquivos da ditadura abertos, para que o povo brasileiro possa saber a verdade e homenagear os verdadeiros heróis do povo!

  2. João da Mata Costa 7 de abril de 2010 16:24

    Caro Jarbas,

    Voce conviveu com Emanuel e essa memória ninguém tasca.
    Fale um pouco dessa convivencia na casa do Estudante.
    Coloque aqui no SP o belo poema que voce escreveu sobre Emanuel.

    Abraços e boa viagem para Sampa

  3. Marcos Silva 7 de abril de 2010 15:27

    Jarbas e demais amigos e amigas:

    O lançamento do livro de Emanuel Bezerra assume grande importância no campo da memória. Se Emanuel não teve condições históricas para amadurecer mais o ofício de poeta (dedicou-se intensamente à luta contra a ditadura brasileira de 1964), é preciso registrar sua seriedade nesse campo, que se manifestava, também, em seu grande talento de orador. Emanuel é personagem na dissertação de mestrado de Neusah Cerveira (“Luta armada no nordeste [1966/1973]”, área de Ciências Sociais da UFRN, 2001), que publicou um trecho desse trabalho na coletânea “Brasil, 1964/1968: A ditadura já era ditadura”, organizada por mim. Evoquei Emanuel num pequeno escrito que incluí no livro “Câmara Cascudo, Dona Nazaré de Souza & Cia”.
    Se for possível reproduzir um ou mais poemas dele neste Substantivo Plural, mais gente conhecerá essa faceta de Emanuel.
    Abraços a todos e todas:

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