A poesia no SP

Temos lido no SP muitas mensagens e comentários sobre a poesia aqui publicada. Algumas daquelas falas são bem humoradas, o humor deve ser valorizado como forma de pensamento. Outras salientam apenas defeitos – poemas e autores ainda imaturos. Há também quem veja a vida cor de rosa – nenhum problema.

É um direito de cada um se manifestar como considerar melhor. Quero valorizar o ato em si de estarmos divulgando poesia aqui.

Sem mencionar nomes, destaco que encontramos, entre os poemas divulgados no SP, alguns de excelente qualidade. Somente isso já justificaria o esforço do blog para manter esse gênero em evidência.

Junto com os poemas excelentes, existem outros bons, que evidenciam o nascimento ou a continuação de talentos.

Entendo que os poemas efetivamente fracos constituem minoria. Mesmo eles, todavia, são oportunidade para discutirmos o que a poesia pode ser e, nesses casos, não está sendo.
Defendo a continuidade dessa política editorial, enriquecida pelo debate crítico franco (sem grosserias) do material apresentado.

Poesia não vive apenas do que foi feito e entronizado. Poesia vive também do risco, da tentativa.

Como em toda tentativa, umas serão bem sucedidas, outras não. Vale a pena.

E prefiro poetas fracos a opressores fortes: os primeiros podem ser apenas esquecidos, os outros produzem males duradouros.

Nasci em Natal (1950). Vivo em São Paulo desde 1970. Estudei História e Artes Visuais. Escrevo sobre História (Imprensa, Artes Visuais, Cinema Literatura, Ensino). Traduzo poemas e letras de canções (do inglês e do francês). Publiquei lvros pelas editoras Brasiliense, Marco Zero, Papirus, Paz e Terra, Perspectiva, EDUFRN e EDUFRJ. Canto música popular. Nado e malho [ Ver todos os artigos ]

Comentários

Há 12 comentários para esta postagem
  1. Marcos Silva 3 de abril de 2011 10:42

    Mas morava no coração de Mário de Andrade…

  2. Alex de Souza 3 de abril de 2011 10:31

    falar de rimbaud era fácil, ele não morava na tavares de lira…

  3. Marcos Silva 3 de abril de 2011 10:29

    Jairo, pare de frescura: você é um poetão! Manda pouca coisa pra cá mas quando manda arrasa. E mantém o ótimo Bar Papo Furado – preciso voltar a frequentar suas mesas.
    Edjane, obrigado por lembrar Drummond, sempre fundamental. Pois é, um poeta do tamanho de Drummond até tem direito de falar essas coisas. Mas entendo que nem Drummond começou Drummond,,ele tb fez coisas menores que escondeu. No fim da vida, com todo respeito, penso que ele piorou bastante, parecia um daqueles imitadores de Drummond dos anos 60. Mas o louvor ao zelo é sempre necessário. Poesia não é confissão imediata.
    Ramilla, sem crise não tem saída. E obrigado pela força.
    Alex, vamos aprender com Momba. Quanto ao Cascudo: ele escreveu tanto! E falou na maior cara de pau que detestava o “imbecilíssimo” Rimbaud – legal que exerceu esse direito, correndo o risco de ser rejeitado por tantos.

  4. Alex de Souza 3 de abril de 2011 10:15

    o problema, marcos, é que nem todos têm a verve de um jota mombaça para encarar as críticas. corre-se o risco de receber uma interpelação judicial, perder amigos (ainda que virtuais), ganhar inimigos (se bem que isso nem chega a ser problema), e por aí vai. de minha parte, prefiro cascudear: o silêncio como melhor crítica. só falo daquilo que gosto.

  5. Ramilla Souza 3 de abril de 2011 8:34

    Coincidência ou não, toda vez que eu abro o SP tá rolando uma metalinguagem. Parece que o site está em crise de identidade. haha!

    Eu concordo com o comentário do Marcos. Critiquemos!

  6. Edjane Linhares 3 de abril de 2011 8:28

    Marcos, prezar por qualidade em todos os espaços no SP é um desejo de todos nós (inclusive na discussão sobre a poesia). O rumo que estava sendo seguido não estava sendo legal (higienistas X poetas). Manipulação pura. A sua proposta de pessoas falarem um pouco sobre o seu processo de escrita é bem interessante. Lembrei e reproduzo um post de Fernando Monteiro:

    LEMBRANDO DRUMMOND (quando escreveu…
    13-12-2010 às 13:49 – Comentar –
    Por fernando monteiro

    isso aqui): ” Entendo que poesia é negócio de grande responsabilidade, e não considero honesto rotular-se de poeta quem apenas verseje por dor-de-cotovelo, falta de dinheiro ou momentânea tomada de contato com as forças líricas do mundo, sem se entregar aos trabalhos cotidianos e secretos da técnica, da leitura, da contemplação e mesmo da ação.”…

  7. Jairo Lima 3 de abril de 2011 6:53

    Falou e disse, Marcos. Poesia não pode ser apenas cumeeira, eu que sou poetinha que o diga rs.

  8. Laélio Ferreira 3 de abril de 2011 2:14

    Alex, filho do bom Carlão!
    Você esqueceu aquela, linda!

    “Lá vem a lua saindo por detrás daquela serra, redonda feito um quiabo! Valei-me meu são Jorge e Nossa Senhora do bom parto!”

    – “Trabaio limpor” – diria Itajubá!

  9. Marcos Silva 2 de abril de 2011 22:49

    Obrigado Lívio, vc é uma voz que muito respeito.
    Alelx, seria legal identificar quais, comentar essa situação. Eventualmente, pode ser a poética do cara, até num sentido crítico (paródia ou coisa parecida). Difícil discutir em abstrato. Mas sua indicação tem a vantagem da serenidade.
    Permanecendo no mesmo nível da generalidade: tem muito poema que é instigante, forte, original. Quais, como? Lembro, por exemplo, de textos bonitos e perturbadores de Fernando Monteiro, Lívio Oliveira, Jarbas Martins, Jota Mombaça – estou arrolando à toa, tem muito mais gente que escreve materiais de peso.
    Tem gente que está aprendendo e não vejo mal em expor a aprendizagem. Por que não convidar essas pessoas para uma discussão franca sobre seus poemas? Por que não dar o chute inicial nessa discussão?

  10. Alex de Souza 2 de abril de 2011 22:39

    só discordo em uma coisa: tem muito poema batatinha quando nasce.

  11. Lívio Oliveira 2 de abril de 2011 19:38

    Perfeito, Marcos!

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