A primavera neoliberal do MinC

Por Carlos Henrique Machado Freitas
NO TREZENTOS

Estou impressionado com a limpidez com que a extrema internacionalização ganhou pauta nesses últimos meses no Brasil. A exaltação ao estrangeirismo virou culto absoluto.

Essa coisa desprovida de reflexão é fruto da filosofia do novo Ministério da Cultura que durante nove meses buscou o casamento com as major’s e os seus braços pesados como a ACTA e impôs no território nacional obstáculos fatais no caminho da cultura do povo brasileiro. Que vingança mais cruel contra o povo! Que entreguismo mais calculado! Que instrumento de subserviência é esse que condena a sociedade brasileira ao ideal do maldito neoliberalismo cultural que vem construindo com o Branded Interteinment a miséria de nossa cultura?

Rapidamente a arbitrária Ana de Hollanda classificou o povo brasileiro como pirata; a cultura popular como indolente e impôs um sistema técnico para produzir obstáculos à nossa diversidade. Ninguém sabe mais nesse esquema grosseiro qual é o caráter estrutural do Ministério da Cultura sob a responsabilidade do Partido dos Trabalhadores. Talvez seja o fato da absoluta falta de identificação de Ana com o PT que o apetite dos “universalistas” do PSDB/Dem que são os principais conselheiros do MinC, aumentou sua presença nas políticas culturais.

No período Lula o que chamávamos de Marca Brasil com a ocupação do povo ao Ministério da Cultura com a presença de todos os grupos sociais, étnicos, das tribos, das nações cujos espaços de vida formigam uma cultura soberana, nessa trama de intercâmbio internacional do atual MinC, essa nova fase da história desapareceu com este selo brasileiro construido há oito anos.

Muitos apostam na saída de Ana de Hollanda e seus principais assessores na reforma ministerial, até porque ela não pode aparecer em lugares públicos no Brasil sem ser vaiada. Acontece que o rebuliço no cassino é tanto e absolutamente inédito que não sabemos o que sobrará do ministério depois desse bombardeio neoliberal. Daqui de fora só assistimos aos clarões vermelhos típicos do espetáculo de guerra, mas o que foi mechido na alma do ministério, certamente nem desconfiamos.

O que salta aos olhos é que a língua viva que tomou conta das manchetes culturais brasileiras não é nem sombra do idioma de nossa cultura. Os anúncios de cultura estão sendo redigidos fora do Brasil e, com isso os nossos vocábulos e a nossa imagem de país foram neutralizados. Mas está lá na Europa Ana de Hollanda bancando a estátua matriarca das artes e das letras brasileiras depois de montar uma constituição particular aos moldes das classes dominantes sob o gerenciamento de plantão do Ecad e sua bélica forma de ação.

Não me lembro de ver o Brasil invadido por tantos figurões estrangeiros, sobretudo nos últimos dois meses. O Brasil, na realidade, neste ano é o principal ponto de excursões internacionais da indústria do entretenimento, enquanto aqui a cultura do povo, os pontos de cultura vão sendo segregados.

Mas uma coisa podemos afirmar com toda a certeza, que Ana de Hollanda traz no olho do furacão não simplesmente a vaidade boçal de quem se perde na primeira esquina, não. A suprema recomendação da ministra logo nas suas primeiras declarações foi alvejar a alma da cultura brasileira, criar um abismo letal entre o MinC e a sociedade e impor uma civilização industrial com todo o rebanho do satélite global que comanda uma atitude clássica dos senhores da Branded Interteinment. Agora só nos falta o busto de bronze dos ídolos heróicos desse retrocesso à mata-virgem, pois a primavera neoliberal desabrochou com toda a formosura no céu azul.

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