A Reedição de um dos livros mais importantes sobre Canudos

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Descrição de uma viagem a Canudos
Alvim Martins Horcades

Em janeiro passado, com alguns amigos, revendo a Bahia, suas livrarias e sebos, tomei conhecimento da reedição desta Descrição de Uma Viagem a Canudos, de Alvim Martins Horcades, feita em parceria entre a Universidade Federal da Bahia e Governo do Estado, em 1996, nas comemorações do cinquentenário da UFBA.

Descrição de Uma Viagem a Canudos foi publicado em 1899, dois anos após a guerra e três anos antes de Os Sertões, de Euclides da Cunha, em 1902. É o diário de um estudante de Farmácia, da Faculdade de Medicina da Bahia, que passou três meses em Canudos, cuidando dos combatentes feridos. De todas as publicações sobre o massacre de Canudos, é o mais sincero depoimento que li sobre o assunto.

Alvim Martins Horcades fez parte dos 25 estudantes de Medicina que a Bahia mandou para o palco da guerra; presenciou todos os horrores e fez o que seria hoje a autópsia no cadáver de Antônio Conselheiro.

Nove dias de Serrinha, Queimadas, Alagoinhas, Monte Santo e Canudos, dormindo e descansando à sombra dos umbuzeiros. Ao chegar em Monte Santo, vinte léguas de Canudos, Martins Horcades encontrou 600 soldados feridos, dependendo do atendimento de dois médicos.

Alvim Martins Horcades, baiano de Porto Seguro, tinha 27 anos quando esteve em Canudos, coordenou o Hospital do Sangue e escreveu Descrição de Uma Viagem a Canudos. Relata que morriam, diariamente, de 10 a 15 combatentes, que “às 12 horas do dia 6 de setembro ruíra uma das torres da Igreja Nova e às 6 da tarde do mesmo dia a outra perdera a bela conformação e já era escombro”.

Distante 20 léguas da Vila de Monte Santo, 34 de Queimadas e 90 de Salvador, Canudos tinha 5.200 casas em 1º de outubro de 1897, quando 5.871 combatentes praticaram o mais sanguinolento combate travado no solo brasileiro. Foi o dia em que Canudos caiu, com a degola dos últimos sobreviventes.

Dos 25 generosos e valentes expedicionários da Faculdade de Medicina, 16 eram da Bahia, 5 de Pernambuco, 1 do Rio de Janeiro, 1 do Maranhão, 1 da Paraíba e 1 de Alagoas.

Descrição de Uma Viagem a Canudos é leitura e referência obrigatória para estudiosos e pesquisadores da guerra do fim do mundo.

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Comentários

Há 13 comentários para esta postagem
  1. João da Mata 1 de setembro de 2011 11:19

    Alice, tb gosto do texto original. Gosto de ler como foi escrito. O Horcades, apesar de não ser um escritor oficial, escreve com estilo e originalidade.
    Gostar do texto não é concordar com tudo. Conversando com Oleone em Canudos, ele tambem sugeriu uma atualização ortográfica. bjs.

  2. Alice N. 1 de setembro de 2011 11:02

    Da Mata: li o texto na Tribuna, a que vc se refere, mas não concordo com uma coisa: o que ele diz a respeito da impressão fac-similar. Ao contrário do autor, penso que se trata de uma vantagem poder ler um livro no seu formato e grafia originais pois que reforça o valor histórico e o aspecto documental do texto. Um abraço!

  3. João da Mata 1 de setembro de 2011 10:37

    Queridos,

    Muitos bom o texto de Carlão no toque da TN sobre a reedição fac-similar do livro de Horcades. Bom lembrar, ainda, das desigualdades e preconceitos no Brasil de hoje:
    quando vemos os escravos na Bahia e outras regiões
    Quando a maioria dos negros não estão nas escolas e são discriminados.
    Quando recebem salários menores que os brancos.
    Quando ocupam poucos lugares de destaque na sociedade brasileira.
    Concordando com Carlão: CANUDOS NÃO MORREU.

  4. Alice N. 29 de agosto de 2011 22:42

    comunicação intensa nunca está longe de equívocos…

  5. Marcos Silva 29 de agosto de 2011 21:41

    João:

    Sim, houve engano em sua leitura de minha mensagem o que muito me surpreendeu no ato. Eu perguntei sobre o lado (ou os lados) assumido(s) pelos potiguares durante a guerra, no século XIX. Aliás, comecei meu comentário salientando meu interesse pelo livro.
    É bom esclarecer equívocos. Dessa forma, eles são superados.

  6. João da Mata 29 de agosto de 2011 13:59

    RUÍDO NA COMUNICAÇÃO

    Caro amigo Marcos,

    Acho que houve um erro meu na compreensão do seu texto. Peço desculpas
    Entendi que você estava questionando a participação nossa (nesse
    Simpósio em Canudos ), quando lançamos livros
    e dei uma palestra. Ai você perguntou que lado o RN estava defendendo? .
    Fiquei magoado com essa pergunta.
    Em se tratando da participação do exercito brasileiro na guerra de
    Canudos, todos sabem que era para massacrar Canudos. A nação inteira foi
    colocada contra Canudos.em uma luta do ” bem contra a barbárie”. A grande maioria dos texto sobre Canudos da época era nesse sentido. Sendo
    assim, peço desculpas se você referia-se à participação do exercito em 1897.
    No sábado, no lançamento do livros do Horcades, amigos meus me chamaram a atenção sobre esse possível equívoco

    Com um forte abraço

  7. Marcos Silva 24 de agosto de 2011 19:17

    João:

    Lamentável é vc não saber conversar.

  8. João da Mata 24 de agosto de 2011 13:58

    Marcos,

    Ha dois anos eu comentei aqui sobre esse belos desenhos do AA.
    Esse livro do Horcades que o sebo vermelho lançou em edição facsimilar é uma grande contribuição do RN. A revista Bando , tambem.
    Voce como academico, perguntar de que lado o RN esteve representado, é lamentável. Estvemos no debate como estivemos a vida inteira.

    Em Canudos conheci uma grande figura. A professora Luitgarde que tambem lhe conhece. Ela está fazendo , entre outras coisas. dois livros sobre Nelson Werneck . Um catálogo precioso e outro. Disse ela, Nelson é Grande. Um dos maiores e mais honestos intelectuais que o Brasil conheceu.

  9. Marcos Silva 24 de agosto de 2011 11:02

    Tenho muita curiosidade por esse livro. O RN bem representado diz respeito à presença potiguar entre os moradores do arraial, entre os que o destruíram ou nos dois campos?
    Meu orientando Gilberto Maringoni defendeu doutorado sobre Angelo Agostini (recém-publicado pela Editora Devir, com o título “Ângelo Agostini – A Imprensa Ilustrada da Corte à Capital Federal (1864/1910)”. No livro, há comentários sobre os desenhos que Agostini dedicou ao tema. Embora Euclides seja imbatível, há muito material sobre Canudos além de “Os sertões”.

  10. João da Mata 24 de agosto de 2011 9:41

    Obrigado Mirella. Farei o relato

    Ontem estive visitando a exposição montada por Gutenberg com motovos populares na FJA. Coleção de lamparinas, brinquedos infantis, etc. Bela.

    Estive tambem na galeria / loja de artes do Antonio Marques. Muita coisa linda. Algumas distante do nosso poder aquisitivo. Outras nem tento. De Palatinik aos artesãos populares num belo mix do erudito com o popular. Muita coisa linda e bem representativa da grande arte do RN. Gostei de apreciar os quadros do Fé Cordula, Levi e outros grandes pintores do nosso estado.

    Aguarde relato sobre Canudos. O RN esteve bem representado e fez bonito.
    Dei uma palestra falando da participação do RN na Guerra de Canudos. Lançamos livros e o bispo de Taipu encantou a muitos com o seu conhecimento e sede da saber das nossas coisas

    Abraços fraternos. Foi muito bom conhecer a neta do saudoso Saldanha.

  11. Mirella Saldanha (Neta do Poeta Zé Saldanha) 24 de agosto de 2011 2:28

    Oi Professor João da Mata, estou deixando um recado só para lhe dizer que achei o site e que estou curiosa para ver o resultado de suas pesquisas e escritos sobre Canudos… Seus olhos se iluminavam ao falar da viagem a Canudos.

  12. João da Mata 17 de agosto de 2011 15:54

    Obrigado Alice, por tudo.

    Voce acompanhou toda a gestação desse livro, desde que entreguei o original a Abimael até a ultima revisão dos textos de apresentação. Juntos, somos mais fortes. Ainda não vi o livro pronto. Abimael disse que ficou um espetáculo. Com esse livro Natal entra difinitivamente na exegese canudiana.
    Um forte abraço

  13. Alice N. 17 de agosto de 2011 13:27

    Sem dúvida, vai ser um grande acontecimento, João da Mata! Esperamos, na volta, aqueles seus ótimos relatos do evento. Boa viagem!

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