A resposta que fiquei devendo

Em sua entrevista (veja o link em meu post anterior), Gay Talese ataca a internet. Diz que “a internet é o fast-food da informação. É feita para quem quer atalho, poupar tempo, conclusões rápidas, prontas e empacotadas.”. Não concordo. O mal de quem critica a internet é a generalização. Vamos pegar como exemplo os portais de notícias. O UOL ou NOMINUTO. Um nacional e um local. Funcionam no esquema dos jornais impressos, com o material sendo dividido por editorias. Neles há espaço para textos curtos e longos. A boa entrevista de Alex de Souza com Pignatari, publicada no NOMINUTO, que repercutiu aqui, atesta isso.

Talese também afirma que “para piorar, surgiram esses blogs com blogueiros desqualificados, que apenas divulgam fofoca. São como uma torcida num jogo de futebol que fica o tempo todo gritando para os jogadores, para o juiz. É gente que não apura nada, só faz barulho.” Mesmo nesse caso cabem exceções. Existem blogs sérios, que seguem a mesma tradição jornalística dos impressos. E também existem os blogs dos movimentos políticos e sociais, que fazem um trabalho importante e legítimo. Acho positiva essa pluralidade de vozes na internet. Democratiza e quebra, em parte, a hegemonia dos grandes grupos de comunicação.

E aqui quero me reportar a uma pergunta feita pelo jornalista Adriano de Sousa durante a mesa-redonda na Siciliano. Porque ela vai ao encontro do que Talese disse sobre os blogueiros. Acho que Adriano sabia a resposta para a pergunta (“é mais uma provocação”, esclareceu ele, na ocasião). Como também tem consciência de que todos que ali estavam sabiam o que responder.

Mas, uma coisa é falar em público. Outra é escrever. Eu me enrolei todo e acabei não falando nada. Embora soubesse o que responder. A declaração de Talese veio bem a calhar porque ela responde a pergunta de Adriano. E eu vou mais além, ainda respondendo a Adriano. Uma parte dos blogueiros levou o que há de pior nas redações dos impressos para a internet (falta de apuração, fofoca, mentira, parcialidade, irresponsabilidade, picaretagem).

Livres dos editores e diretores (principalmente, comerciais) esses blogueiros jogaram no lixo o restinho de pudor que salvavam as aparências e transformaram seus blogs em balcões onde são feitos todo tipo de negócio escuso.

Infelizmente, temos de conviver com isso, que também existe nos impressos. Com um pouco mais de recato e disfarce, reconheço. Portanto, cabe aos leitores decidirem o que vão ler na internet. Eu não leio esse tipo de blog que tracei o perfil acima. Acho, inclusive, que quem acessa não está sendo enganado, sabe exatamente o que está lendo. Por que acessam mesmo sabendo que estão sendo ludibriados é uma questão para a qual não tenho a resposta.

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