A revolta de Walter Carvalho no TCP

Por Sérgio Vilar
NO DIÁRIO DO TEMPO

Vergonha alheia é pouca. Mas antes de contar o episódio ocorrido semana passada no TCP, opino: a iniciativa da exibição de documentários relacionados à cultura popular na programação do Agosto da Alegria foi massa, apesar da falta de Escoréu sem motivos muito explicados. Mas vamos à novela:

Já no primeiro dia, o maior nome da Mostra, o diretor Walter Carvalho (diretor, entre outros filmes, de Budapeste), é convidado para comentar seu mais novo doc, chamado “Moacir Arte Bruta”. Contava a história de um personagem real, urbano, com distúrbios neuróticos. O cara foi encontrado pelo diretor nos rincões de Goiás.

Quando inventam de colocar o filme, eis que exibe na tela: “Conheça o 7ª Arte”… Para quem desconhece, o 7ª Arte é o box localizado no camelódromo da Cidade Alta especializado em filmes piratas raros do cinema. Ou seja: exibiram o pirata do filme de Walter Carvalho na frente do diretor do filme!

O absurdo não para por aí. O diretor se manifestou irado e disse que tinha trazido um original. Quando colocaram, nada do áudio. Ele reclamou de novo. Recolocaram, e mais uma vez, nada. Na tarceira vez, ele ameaçou ir embora. Isaura Rosado, caladinha até então, pediu para Mary Land Brito resolver.

O diretor bateu um papo com alunos do Curso de Cinema da UnP e demais presentes no TCP, enquanto Mary Land testava a fita em dois aparelhos e em um computador. Descobriu-se que o problema era no DVD. Geraldo Maia sugeriu a exibição do piratão. Com essa, o produtor do filme bateu a porta e foi embora.

Fim das contas: o filme não foi exibido, mas Walter Carvalho respondeu as perguntas da plateia. E mais: se disponibilizou a ajudar na restauração de um dos primeiros filmes em que trabalhou, como diretor de fotografia: Boi de Prata, rodado aqui no RN. O filme está sumido. Mas uma aluna de cinema, parente do diretor Augusto Ribeiro Júnior, prometeu ver isso.

Sei que Walter Carvalho só volta ao RN para férias ou se aceitar o convite para patrono da primeira turma de Cinema da UnP. Para participar de projetos patrocinados pelo poder público, nunquinha. E o 7ª Arte, sinceramente: acho um trabalho de divulgação até considerável, mas colocar propaganda já é abuso, hein?

Comentários

Há 6 comentários para esta postagem
  1. Jota Mombaça 17 de agosto de 2011 12:11

    Viva o camelô Sétima Arte! Viva a pirataria!

  2. Indira 17 de agosto de 2011 11:06

    Meu Deus vcs jornalistas tão responsáveis pela cultura e as popular tantas vezes defendidas nas páginas e blog… e nestes dias todos não vi sequer não vi sequer um destes famosos, inclusive, vc. Aliás sequer uma matria “quente”. Vc sabia que o cineasta que vc escreve planeja algumas coisas para o RN e em parceria com o Estado? Pois fique vivo e verás.

  3. João da Mata 17 de agosto de 2011 10:18

    Moacir arte Bruta é maravilhoso e vi ha muito tempo no FestNatal.
    Acontece que muitos filmes nacionais e outros só são vistos nos Festivais.
    Walter é um grande cara e amigo. Fez coisas grandiosas e merece ter a cópia original do seu belíssimo filme. Dizer “neurotico” é pouco para o personagem real Moacir. Dizer que precisamos de mais profissionalismo é redundancia. Dizer que aqui tambem merecemos respeito é redundancia ao quadrado.

  4. lulaugusto 17 de agosto de 2011 10:16

    Caro Sergio, em nenhum momento sugeri a exibição do tal piratào. Quem passou a informação pra você, faltou com verdade. Pra dizer melhor, mentiu. É melhor você atentar bem pra as suas “fontes”, já que você não estava presente. Digo mais, não sou freqüentador do camelódromo. Você é?

  5. Rafael F 17 de agosto de 2011 10:07

    Amadorismo. Na próxima vez pede pra o diretor trazer uns originais para exibição e outros para doação as videotecas da cidade[existe?]

    Se não fosse a ”pirataria”[por favor me ajude a construir um navio] feita pela sétima arte nem filme tinha.

    PS: Moacyr Arte bruta não é inédito para o público potiguar. Foi exibido num desses festivais de cinema de Natal na antiga sala do natal shopz. Não é tão novo assim.

  6. Marcos Silva 17 de agosto de 2011 9:18

    Sérgio:

    Compreendo a ira de Walter. De qualquer maneira, não vale a pena, em minha opinião, ele carregar essa raiva – prejudica a saúde pessoal e o contato com os outros que nem são culpados pelo ocorrido. Aconselho a, nos próximos convites que receber (inclusive da UnP, sem nada contra a instituição), definir claramente regras até em contrato registrado: cópias autênticas, aparelhagem testada… Evita esses vexames que não dependem dele nem do público.

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