A seleção sexual

Sinceramente acredito no discurso de John Dillinger (Johnny Depp) para Billie Frechetti (Marion Cotillard) no filme Inimigo Público (2009), quando ele vai buscá-la em seu trabalho na recepção de um restaurante, após ter sido abandonado por ela em um bar na noite anterior.

Ela se recusa a ir com ele, reclamando que não o conhecia. Em um minuto, ele esmurra um cara que está reclamando a devolução de seu casaco, diz onde nasceu, como foi criado e que gosta de carros rápidos, whisky e dela. A toma pelo braço e a leva consigo. Pronto, isso é o bastante para que ela se apaixone e viva todos os perigos de uma vida de crimes ao lado do assaltante de bancos mais procurado dos EUA do final da década de 1920.

Não estou dizendo que os homens devam sair por aí puxando as mulheres pelo braço ou machucando-as quando se recusam a lhe dar companhia. Mas, resguardadas as circunstâncias, as mulheres gostam do homem decidido, mesmo quando, muitas vezes, eles parecem inadequados.

Não precisa usar da violência para ter atitude. Não é a força, mas segurança. Compartilho um pouco da teoria da “seleção sexual” de Darwin. Desde o princípio, a mulher procura alguém que lhe dê algum tipo de segurança, moral, sexual, financeiro, ou o que seja. Segundo o cientista da Teoria da Evolução, isso acontece porque, como é ela a responsável pela reprodução, precisa de um bom reprodutor e isso é medido pela “coragem”.

Atualmente, temos muitas mulheres que invertem essa situação. Mas no geral, até as mais fortes esperam alguém audacioso o suficiente para começarem uma relação. Mulheres inteligentes, muitas vezes, assustam os homens, mas esperam deles atitude suficiente para resistir a suas recusas. Não querem ser forçadas a nada, mas confiam que eles tenham argumentos suficientes para convencê-las de que são bons para elas. Isso repete um pouco a teoria de Darwin, porque o homem escolhe pelo olhar e a mulher pelo comportamento, embora isso não seja uma regra.

Conversava sobre isso com uma amiga, dia desses, daquelas que, a primeira vista, parece linha dura. Uma mulher linda com muitas experiências e suas decepções que parece sempre estar fechada para o mundo, mas que na verdade está esperando um homem que não se intimide. Que a encare e pelo menos tente provar que é “mais forte”. Não é pela força, mas pela atitude. Porque precisamos de alguém que nos sustente quando estamos fracos e que sorria quando estamos a ponto de fazer a vida girar na velocidade que queremos.

Filho de Apodi/RN é Jornalista, assessor de imprensa e eventos do Instituto do Cérebro da UFRN. Membro do coletivo independente Repórter de Rua, articulista no Jornal de Fato (www.defato.com) e organizador da Revista Cruviana (www.revistacruviana.blogspot.com).rinas & Urubus (www.aspirinasurubus.blogspot.com). [ Ver todos os artigos ]

Comentários

Há 7 comentários para esta postagem
  1. Gilvânia Araújo 12 de novembro de 2011 17:18

    Já li muitos textos a esse respeito, mais com essa delicadeza na condução das palavras foi a 1ª vez, é exatamente essa questão de atitude esperada por todas as mulheres, independente da questão social…mesmo tendo que atuar na sociedade de uma forma mais presente e tendo muitas vezes que exercer tarefas masculinas, toda mulher tem a necessidade de ser protegida, amada, respeitada na sua essência…deixo os parabéns pelo belo texto!

  2. Patrícia Lorena Raposo 12 de novembro de 2011 15:00

    Olá, Paiva…

    Amei o texto, consegue descrever o desejo íntimo que a maioria das mulheres carrega e, por vezes até esconde, de ser colhida por esse homem de atitude. Somos mulheres do ‘topo da árvore’, sim, e esperamos ser arrebatadas, colhidas por homens vorazes e destemidos, que saibam que o risco da queda vale a colheita…Grande abraço!

  3. Anchieta Rolim 12 de novembro de 2011 9:31

    Paiva meu irmão, só hoje ao ler o comentário de Regiane tomei conhecimento de tão belo texto. Muito interessante! Valeu!!!

  4. Regiane de Paiva 11 de novembro de 2011 18:26

    Sempre gostei- sobremaneira- dessa cena que você usou para incitar seu texto. Admiro a determinação dela (ainda que fictícia- no caso do filme) e a ousadia de simplesmente, por um instinto, segui-lo. Foi, sem medo e sem olhar para trás , que é o mais importante. Também, o camarada não foi fraco: a olhou, disse e a escolheu. Escolher! Trazer para si! Atitude! É exatamente essa dose que falta em muitos ‘hombres’. E por mais alto que ela possa estar, penso que, em algum lugar, haverá um homem decido e forte o bastante para colhê-la e amá-la. Crônica gostosa, instigante…Me fez até lembrar do tempo em que conheci meu amado esposo…

  5. João da Mata 10 de novembro de 2011 8:44

    Para Lliana Batista. Podia ser Linda batista. Gostei da citação e faço uma parafrase:
    A mulher como nuvem temos que olhar pra cima / como um galho precisamos galgar na
    copada da árvore da vida. Os cimos podem sumir. Mas teremos trepado e olhado para o alto..

  6. Marcos Silva 10 de novembro de 2011 7:25

    Homens e mulheres são mais complexos do que pretende a vã superficialidade. Conheci mulheres decididas. Conheci homens tímidos. Tanto umas como outros podiam ser sedutores em determinadas circunstâncias, em relação a pessoas específicas. As tipologias são um porre.
    Prefiro a velha canção gravada por Cauby Peixoto nos anos 50: “O amor é uma pérola rara / que tem o ardor de um rubi.” Melhor ficarmos com pérolas e rubis.

  7. Liana Batista. 9 de novembro de 2011 22:02

    “Mulheres são como maçãs em árvores. As melhores estão no topo… Os homens não querem alcançar essas boas, porque eles têm medo de cair e se machucar. Preferem pegar as maçãs podres que ficam no chão, que não são boas como as do topo, mas são fáceis de se conseguir. Assim as maçãs no topo pensam que algo está errado com elas, quando na verdade, ELES estão errados… Elas têm que esperar um pouco para o homem certo chegar, aquele que é valente o bastante para escalar até o topo da árvore.”

    Machado de Assis

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