A terceira margem da política

Amigos e amigas:

O texto de Emir Sader é necessário diante de ações como o encontro do Instituto Milenium, nesta semana que se encerra: a direita mostrou mais explicitamente as garras e os dentes.

Sinto falta, em Sader, de uma discussão sobre o que é esquerda e direita hoje. Desconfio que não existe esquerda unificada – nem precisa ter, é capaz que nunca tenha existido (Anarquistas, Socialistas e os diversos tipos de Comunistas foram esquerda, não é?). É possível que esquerda, hoje, seja pensar criticamente o mundo – inclusive ícones que foram julgados de esquerda no passado (Cuba, China, Coréia do Norte…). Nesse sentido, a direita é o reino do oba-oba diante do Capitalismo e a esquerda não pode se dar ao luxo de ser o reino do oba-oba diante do que se diz Socialismo.

Sader fala que os direitistas (ex-esquerdistas) se vendem. Pois é, capitalismo é isso aí – a maioria das ações deriva de pagamento, agir sem receber pagamento é como escrever os poemas de Rimbaud no tempo em que ele passava fome. Penso que alguns dos intelectuais que se fizeram presentes no encontro do Milenium abrem mão de uma parcela importante da condição intelectual: pensar por si mesmo (Kant escreveu o lindo texto “Sobre o esclarecimento” muito antes de Marx nascer). Tais intelectuais viraram ideólogos alegremente – ou tristemente, tanto faz desde que cumpram esse papel.

Gilberto Maringoni, amigo e ex-orientando, jornalista, assistiu ao evento do Milenium como profissional de Imprensa e ficou impressionado com a virulência desse tipo de intelectual, enquanto grandes empresários se preservavam numa linguagem soft. O serviço sujo faz parte das tarefas pagas.
Boa parcela das colunas de grande Imprensa, no Brasil, abriga esse pessoal, que esquece o que um dia leu ou escreveu – discípulos de FHC, como se vê.

Comumente, o nível argumentativo é muito baixo e a grosseria rola solta.
Minha esperança é uma atividade intelectual que seja crítica em relação a tudo que precisa ser criticado. Meu querido amigo Joel Carvalho diz que isso é uma recaída numa porção tucana minha. Como gosto muito dele, não lhe dou uns sopapos diante de acusação tão grave e ofensiva. Tucanos não criticam nada – falam mal do que ocupa seu antigo puleiro.

Abraços a todos e todas:

Nasci em Natal (1950). Vivo em São Paulo desde 1970. Estudei História e Artes Visuais. Escrevo sobre História (Imprensa, Artes Visuais, Cinema Literatura, Ensino). Traduzo poemas e letras de canções (do inglês e do francês). Publiquei lvros pelas editoras Brasiliense, Marco Zero, Papirus, Paz e Terra, Perspectiva, EDUFRN e EDUFRJ. Canto música popular. Nado e malho [ Ver todos os artigos ]

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