A Testemunha

Por Chico Guedes

Olá pessoal,

Passando aqui pra lembrar a todos que o Cineclube Natal exibe hoje às 20hs no Nalva Melo Café um clássico do cinema satírico centro-europeu, A Testemunha (A Tanú), do diretor húngaro Péter Bacsó (se pronuncia ‘Botchôô’). O filme investe com muito talento e humor contra o totalitalismo, clichês ideológicos e nacionalistas, e contra as armadilhas do culto à personalidade. Acompanha a trajetória kafkiana do inesquecível József Pelikán, um cidadão ingênuo que se vê envolvido acidentalmente nos meandros insondáveis do estado que tudo pode.

Filmado em 1968, sua exibição para o público húngaro ficou proibida pelo regime socialista de János Kádár até 1981, quando participou com bastante repercussão da mostra Un Certain Régard, do Festival de Cannes. Depois disso virou ‘cult’. Frases do filme passaram a fazer parte do vocabulário da resistência política e cultural ao velho regime, e uma importante revista cultural Húngara de hoje, por exemplo, tem seu nome tirado de uma das muitas cenas memoráveis do filme, se chama Magyar Narancs (Laranja Húngara).

Já foi lembrado aqui mesmo neste site, que tratar dos falecidos regimes europeus criados pelo chamado ‘socialismo científico’ na Europa do século passado é exatamente isso, passé; que nem chutar cachorro morto. Pode ser.

Mas é bom aproveitar, pois − a se crer nos grasnar sombrio de boa parte dos comentaristas da grande imprensa brasileira e de outros sábios que frequentam a blogosfera −, parece que o Brasil está, helás, helás, prestes a mergulhar em mais quatro de obscurantismo totalitário nazi-estalinista, agora sob os tacones lejanos da Marechala Stallina Rousseff (esse sangue búlgaro não podia dar mesmo em boa coisa), a qual, por sua vez, não passa de lugar-tenente do verdadeiro Duce, o abominável Benito Lula Von Silva, pode ser que esse filme venha a ser proibido entre nós em breve.

Portanto, corram! De resto, são duas horas de diversão garantidas.

Abraços

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