A Tosca no Cinemark

A opera dramática Tosca de Giacomo Puccini com libreto de Giuseppe Giacosa e Luigi Illica, baseado na peça de Victorien Sardou, foi apresentada no Cinemark numa brilhante produção da Royal Opera House de Londres. A opera dirigida por Duncan Macfarland e regida por Antonio Pappano – uma das mais famosas do repertório operístico mundial – é composta de três atos com belos coros e de pelo menos três grandiosas árias: “Te Deum”, “Vissi d’Arte” e “e Lucevan le Stelle” que fazem parte do repertorio das maiores prima donnas do mundo glamouroso da opera. O libreto da opera reúne uma historia trágica que mistura política e amor. A história se passa em Roma 1800, num mundo conturbado onde a política está muito entrelaçada com a religião. Cavaradossi é o amante de Floria Tosca, que é disputada pelo terrível chefe de polícia Barão Scarpia.

No filme com belos cenários de Paul Brown a Tosca é brilhantemente interpretada pela excelente soprano Angela Gheorghiu e seu amante Cavaradossi é interpretado por Jonas Kaufmann. O Barítono Bryn Terfel tem um desempenho estupendo como Scarpia. Scarpia é morto a facadas por Tosca e essa ao saber que seu amado também é morto, cai de um despenhadeiro. O filme com legendas em português facilita na interpretação da trama e tem a vantagem de unir o canto com a dramaticidade desta opera cinematográfica na sua trama e ação. Os cantores cantam e representam muito bem os seus papéis. Dos três protagonistas não saberia dizer qual o melhor, mas arriscaria no grande tenor Jonas Kaufmann, que faz um irrepreensível Cavaradossi. Está de parabéns o Cinemark de trazer essas grandes e custosas montagens para um público maior no mundo inteiro. A opera é um espetáculo completo e de difícil montagem. No filme ouvimos os aplausos quando gostaria de também aplaudir em pé.

Chorei mais uma vez ao ouvir a Tosca cantar desamparada a ária “Vissi d’Arte” ( vivo da minha arte ), celebre na voz de Maria Callas.

Ouça aqui a “Vissi d’Arte” na voz de Angela Gheorghiu

Vissi d’arte – Tosca

Vissi d’arte, vissi d’amore, non feci mai male ad anima viva!
Con man furtiva
quante miserie conobbi aiutai.
Sempre con fè sincera
la mia preghiera
ai santi tabernacoli salì.
Sempre con fè sincera
diedi fiori agl’altar.
Nell’ora del dolore
perchè, perchè, Signore,
perchè me ne rimuneri così?
Diedi gioielli della Madonna al manto, e diedi il canto agli astri, al ciel,
che ne ridean più belli.
Nell’ora del dolor
perchè, perchè, Signor,
ah, perchè me ne rimuneri così?

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Comentários

Há 2 comentários para esta postagem
  1. João da Mata 1 de março de 2012 11:40

    Obrigado, Alzeny. Voce como grande cantora lírica sabe das dificuldades de montar uma opera. Tive o privilégio de assistir algumas montages em SP, RJ, Viena, República Checa, etc. Infelizmente aqui em Natal isso parece impossivel. Com o Teatro Riachuelo achei que um dia poderia ver uma opera ao vivo. Claro, não tem comparação . Em não sendo possivel acho legal ver numa boa sala de cinema. Sucesso para voce em Paris. Um forte abraço.

  2. Alzeny Nelo 1 de março de 2012 11:13

    Parabéns Damata, pelo site e pelo comentário sobre a opera no cinema. É sem duvida, uma maneira de trazer grandes produções para nossa “casa” sem perder a emoção do “ao vivo” e sem deturpar o gênero para adapta-lo à salas inapropriadas ou com produções mal feitas. Não precisamos divinizar a arte lirica, mas também não devemos pensar que somente “popularizando” vulgarmente essa arte é que vamos atingir o grande público.
    Um grande abraço!

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