A UDN no shopping e nas eleições

De Laurez Cerqueira

“A UDN se encastelou na política, se apoderou do Estado e dos meios de comunicação como se fossem propriedades suas. Rotulou o governo de Getúlio Vargas de “mar de lama”, levou-o ao suicídio. Tentou impedir a posse de Juscelino Kubitschek, organizou a famosa “Marcha da família com Deus pela liberdade”, em 1964, na capital paulista, para derrubar João Goulart e apoiou o golpe militar que levou o Brasil a um dos mais obscuros períodos de nossa história. No campo ou nas cidades, hoje a “velha UDN” ainda dispõe de uma cultura política e ideológica poderosíssima”.

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Nasci em Natal (1950). Vivo em São Paulo desde 1970. Estudei História e Artes Visuais. Escrevo sobre História (Imprensa, Artes Visuais, Cinema Literatura, Ensino). Traduzo poemas e letras de canções (do inglês e do francês). Publiquei lvros pelas editoras Brasiliense, Marco Zero, Papirus, Paz e Terra, Perspectiva, EDUFRN e EDUFRJ. Canto música popular. Nado e malho [ Ver todos os artigos ]

Comentários

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  1. Chico Moreira Guedes 29 de agosto de 2010 13:29

    A descrição feita pelo artigo é quase completa. Faltou citar um grupo de, digamos, neo-udenistas “gauche”; de gente sofisticada, no bom sentido, que lê bastante, ouve boa música, e despreza a cultura dos shoppings e os pastiches arquitetônicos e culturais à la Miami Beach, mas que se perfila mais udenisticamente do que ninguém quando se trata de apontar o “analfabetismo” do presidente Lula, que deploram a “cultura de incultura” que Lula supostamente epitomiza e “impõe” como exemplo à nação em geral, tanto quanto o novo “mar de lama”, em que consideram mergulhado o governo atual. Vivem numa ilha da fantasia platônica à la A República, de que líderes aristocraticamente “cultos e preparados” teriam o condão de transformar o país na wonderland pureza ética e sofisticação cultural e literária que eles imaginam não só possível, mas absolutamente imprescindível para que seus, eu diria, puritanos ânimos políticos, se acalmem e se satisfaçam. Esquecem, como diria o sábio Garrincha (outro pobretão mal-instruído), de “combinar com os russos”. Os russos são, no caso, é claro, milhões de cidadãos brasileiros, que, helás, parecem ter prioridades e aspirações “menos nobres” no horizonte visível. Como são basicamente aristocratas mentais e culturais, a noção de que esse povo marrom e semi-analfabeto seja capaz de pensar e fazer escolhas legítimas, de acordo com seus interesses imediatos e/ou de prazo alongado, é desagradável demais pra ser levada a sério. Usando uma analogia da história das religiões, são como os protestantes puritanos, que, no seu suposto diálogo direto com a divindade, têm ojeriza às práticas e ritos da velha e corrupta igreja dos papas, que, por sua vez, tornada sábia pela convivência milenar com a falibilidade dos homens, tem menos propensão a deles esperar a perfeição. Brinda-os, assim, com os ritos eternamente repetidos de confissão, penitência e perdão. Que na vida, como na política, o pecado virá sempre outra vez, tão certo como a noite se segue ao dia.

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