A vergonha de Nelly

Em declaração hoje ao Novo Jornal, na reportagem “IMPRENSA VIGIADA – Movimento que tenta intimidar jornais e revistas é criticado por profissionais da área e presidente de Sindicato”, a presidente do Sindicato dos Jornalistas do RN, Nelly Carlos, diz que “se sente envergonhada pela forma como Lula vem tratando nossa categoria”.

Não atinei até agora a quem ela se refere com esse “nossa categoria”, talvez às famílias Mesquita, Civita, Frias e Marinho. Será possível?! Eu, pelo menos, não me senti contemplado com esse “nossa categoria”.

Mas não estranhei essa posição de Nelly, que vai de encontro ao posicionamento do secretário geral da Federação Nacional dos Jornalistas, José Augusto Camargo, que estava no ato realizado em SP e leu a nota que publiquei em post mais abaixo.

Esta não foi a primeira vez que a jornalista se posicionou favorável aos jornais. Na polêmica do debate na TVU (Programa Grandes Temas), na última eleição para prefeito de Natal, do qual participei, ela ficou do lado do Jornal de Hoje.

Não teve a delicadeza de me ligar para saber o que realmente tinha acontecido. E isso porque já fui ex-presidente do Sindjorn e integrei por duas vezes comissões de ética da entidade. Bancou a versão defendida pelo jornal

Essas posições políticas da presidente são muito preocupantes. Não sei se representam o pensamento de todos ou da maioria dos diretores do Sindjorn. Talvez o diretor Sérgio Vilar possa nos dizer alguma coisa sobre isso.

Sérgio que, por ironia do destino, também participou do debate Grandes Temas, hoje integra a Diretoria da qual Nelly é presidente. Na época, eu e ele fomos massacrados, acusados de conluio e censores pelos jornalistas que apoiavam Micarla de Sousa.

Sobrevivemos.

Eu tinha esperança de que aquele tivesse sido um fato isolado, um equívoco. Vejo agora, com a repetição do mesmo posicionamento, que me enganei. Lamentável.

Comentários

Há 5 comentários para esta postagem
  1. Alex de Souza 25 de setembro de 2010 11:08

    As palavras de Sérgio servem pra ilustrar bem a situação. E as palavras de Nelly também. Mas, aqui, faço uma ressalva ao meu amigo: Nelly não pode sair por aí distribuindo asneiras como ‘jornalista’. (Não vou nem me dar ao trabalho de refutar declarações esdrúxulas e mal informadas como a de que ‘a categoria está nas mãos do Judiciário por causa do presidente’: foi ele, por acaso, que questionou o tal do diploma? tenha paciência, moça.)

    Tanto é que os rapazes inocentes do Novo Jornal não a colocaram na matéria como ‘jornalista’. Ela aparece como representante da categoria. É inadimissível um sindicato cuja presidente sai em defesa dos patrões – isso mostra bem a situação da representatividade na classe.

    Interessante que aqui e acolá aparecem analistas políticos para meter o bedelho e ‘opinar’ (para não dizer falar besteira) sobre movimentações políticas de outros trabalhadores (e como se falou besteira, por exemplo, na crise envolvendo os policiais militares, só para citar um caso), mas na hora de reparar no próprio rabo…

    Foi-se o tempo em que os jornalistas potiguares tinham capacidade de organização, como a famosa greve do início dos anos 90 – e isso não é culpa do sindicato, mas dos próprios profissionais.

    Aliás, a profissão têm sido colocada em xeque pelo avanço tecnológico e, em vez de promover um debate sério e qualificado sobre o assunto, os representantes de classe abraçaram a ridícula e inútil bandeira da obrigatoriedade do diploma, enquanto são engolidos pela História, com agá maiúsculo em homenagem ao pluralista Marcos Silva.

    Chegou-se a um ponto em que o corporativismo instalou-se de tal maneira nas redações que falar mal dos patrões agora é sinônimo de falar mal de jornais. Vai ver que é porque tem tão pouco emprego na área que todo mundo virou cargo de confiança…

  2. Luiz Penha 25 de setembro de 2010 7:13

    Somos sabedores, até porque é inerente à condição profissional, que neste país existe um setor de mídia poderoso e golpista. A história republicana do Brasil está aí para dizer. Imagina se houvesse, de fato, perseguição à mídia deste país. Aí eu queria ver de que iam denominar. E a carnificina final vem no debate dos presidenciáveis de quinta-feira, debate da Rede Globo, aquela que nunca se beneficiou dos cofres públicos.

  3. Ramilla Souza 24 de setembro de 2010 22:32

    Também não me sinto incluída no ‘nossa categoria’.

  4. Sérgio Vilar 24 de setembro de 2010 20:51

    Fala, Tácito! Rapaz, Nelly tem todo o direito de expressar a sua opinião, mas como jornalista. Absolutamente nada do que ela disse a respeito do tema exposto acima representa posicionamento do Sindjorn. Inclusive, a própria diretoria do Sindjorn – recém empossada – abriga correntes diferentes de pensamento. Muitos são de oposição à Fenaj. Não li a reportagem do Novo Jornal. É comum colocar Nelly como a presidente do Sindjorn. Mas repito: ela foi entrevistada, penso, como jornalista, com suas ideologias e pensamentos próprios, não como presidente ou porta-voz do Sindjorn – uma entidade colegiada e democrática, cujo última reunião ocorreu terça-feira para discutir o Congresso Estadual da categoria e a campanha salarial. E aproveito espaço para reclamar: afora a diretoria, NÃO COMPARECEU NINGUÉM!

    Essa classe dita lutadora, que esbraveja ética, que cobra liberdade de expressão… E a escravidão vivida nas redações? Cadê a luta de vocês aqui? Já promovemos nove reuniões sem presença de ninguém. Falácias pelo twitter não mudam nada. A pauta de reivindicações da categoria, com pedido de reajuste salarial e outros benefícios foi entregue hoje! Ou seja: a campanha começou. Acordem! Discurso vazio não preenche contracheque. Parem de olhar essa politicagem barata em ano eleitoral e se atenham ao próprio umbigo. Enquanto a mídia vendida noticia essas baboseiras, continuamos com o pior piso salarial do país. Mas se a “catiguria” está preocupada com o levante da oposição engolido pela mídia, tudo bem. Natal já tem o setor cultural isolado do resto do Brasil. O jornalismo pode ficar, também.

  5. Alex de Souza 24 de setembro de 2010 20:34

    É o famoso sindicato lá e lou.

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