O abastardamento do Ministério da Cultura

Se foi um balão de ensaio o tempo dirá. Aparentemente, sim. O fato é que entre uma semana e outra mudou o destino do Ministério da Cultura sob um provável Governo Temer. E não foi para melhor. Da fusão com o Ministério da Educação, divulgada na semana passada, “evoluiu” de ontem para hoje para ser entregue ao senador do PPS, Roberto Freire.

O que não muda muita coisa. Freire está para a cultura como o bispo licenciado da Igreja Universal do Reino de Deus, Marcos Pereira, presidente do PRB está para o ministério da Ciência e Tecnologia, pasta oferecida ao partido do religioso e que poderá ser ocupada pelo próprio.

Fico pensando aqui com meus atônitos botões nos avanços que ocorrerão a partir do diálogo e trabalho conjunto entre a bancada hegemonicamente evangélica do PRB e o pessoal da academia.

Não sei se foi mera coincidência, mas na semana passada Collor de Melo, que voltou-se de forma odienta contra à cultura durante o seu esquizofrênico reinado, andou oferecendo sugestões para o programa de governo do vice. Estaria entre elas o fim do MinC?

Obviamente que tudo isso está alinhado estrategicamente com o moderno “Ponte para o Futuro”, programa de governo do PMDB, já oportunamente rebatizado de “ponte para o passado”.

No caso específico da cultura talvez o vice queira legar ao país algo à altura do seu brilhantismo literário. Ele é autor do livro “Anônima Intimidade”, que reúne poemas como “Trajetória” (“Se eu pudesse,/não continuaria”), “Pensamento” (“Um homem sem causa/nada causa”), “Radicalismo” (“Não/Nunca mais!”).

O que nos consta é que em todos os governos as pastas da cultura são o patinho feio, na maioria das vezes relegadas ou entregues a qualquer sem futuro. E as primeiras a serem abatidas ou esvaziadas durante as crises. Tudo leva a crer que não será diferente dessa vez.

Comments

There is 1 comment for this article
  1. José Saddock 3 de Maio de 2016 22:13

    Quem diria que Roberto Freire escondia no seu palitó a vergonhosa decisão de apoiar o GOLPE – A Cultura está golpeada, meu caro Tácito.

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