Achismo?

François,

Pelo menos há gente que, ao invés de ficar sentado e reclamando de jornalistas e do quanto os nossos políticos são estúpidos e ignorantes, agem. O debate é uma ação, é uma semente que está sendo plantada para, daqui há alguns anos, mudar a triste realidade da cultura no RN.

Não adianta ficar sentado na poltrona, com ares de soberba e arrôgancia e vir aqui arrotar um texto dizendo que, primeiro, o debate não vai dar em nada e, segundo, acusando-nos de “paparicar políticos”.

Você tem todo o direito de não acreditar na ação e no discurso plastificado dos políticos, mas agir dessa forma mesquinha para desqualificar uma tentativa, mínima, de organizar a cena cultural da cidade e de gerar uma forma de pressionar o poder público sobre os anseios da cultura, é estupidez, para não dizer desonestidade.

Esse dabate nasceu como forma de acabar com um pacto de conformismo, de marasmo nessa cidade que existe em todas as áreas, principalmente na cultura. As pessoas aqui são acostumadas a, perdoe a sinceridade do termo, foderem-se e ficarem caladas. Elas não se movimentam, não agem. Fazem que nem você, François, arrotam reclamações sem sair da zona de conforto. E quando há algo diferente, são as primeiras a agir com mesquinharia. Aliás, reação típica de provincianos.

Engana-se você, caro François, que o debate foi feito para, “paparicar o poder”. Ele foi feito para mostrar que tem gente, mesmo nova, mesmo inexperiente, mas que está com a cara a tapa, preocupada em construir alguma coisa de futuro nessa cidade. Um futuro que a sua geração não construiu para gente. Pessoas que não são como você, caro François, que talvez pelo cansaço, contaminaram-se com o marasmo reinante em terras potiguares. Pessoas que, ao menos, tentam mudar alguma coisa.

A idéia do debate é para, antes de tudo, mostrar aos donos do poder que tem gente preocupada e tem gente que vai fiscalizar as ações deles quando eleitos. É bom aqui adicionar um fato: tudo o que for falado será gravado, compilado e, após as eleições, disponibilizado na internet como forma de pressionar as políticos falas que virão – claro – bonitinhas e plastificadas, para ver o que vai tornar ação real. E, uma vez na internet, arquivado, servirá como base para pressões políticas futuras. Muito melhor do que ficar com a bunda sentada na cadeira e reclamando da vida.

Críticas aceitamos de bom grado, a de Alex de Sousa, inclusive, pertinente, com conteúdo, vai ajudar essa equipe a nortear outros debates que virão, seja nas próximas eleições para prefeito, seja para governador. Esse debate é uma semente de algo a ser colhido no futuro, uma forma de mostrar que existe uma classe artística, que ela deve ser olhada e que reivindicamos ações em prol da cultura. É um início, caro François, que pode até ser utópico, mas início de algo que pode se tornar grande daqui há alguns anos.

Comentários

Há 8 comentários para esta postagem
  1. Ramilla Souza 8 de setembro de 2010 14:49

    Quero acrescentar que entendo e respeito o que o François já fez (ou vem fazendo) pela cultura deste lugar. Mas, diante de tantas acusações injustas, é difícil ficar séria.

  2. Ramilla Souza 8 de setembro de 2010 14:46

    Que bom, François, que você fez tanto pela cultura quanto você mesmo aponta. Mas, todos estamos de acordo que não foi o suficiente, não é? Nós estamos aqui para continuar. Como o Fábio disse, estamos do mesmo lado. Temos todo o direito de sentir monotonia (e eu sinto muita, aliás), nós somos outra geração. A gente não pode repetir o que você fez. Se nosso discurso é inócuo, a gente vai aprender fazendo e minha única esperança é de não me tornar tão amarga a ponto de desqualificar quem vem depois.

  3. Fábio Farias 8 de setembro de 2010 13:49

    François, perdoe a agressividade no argumento, entendo sim que estamos do mesmo lado.

    Me senti, apenas, muito agredido com o fato de vc ter classificado a nossa iniciativa como “paparicação ao poder”

  4. François Silvestre 8 de setembro de 2010 10:36

    Tudo bem. Não vamos exagerar nas discordâncias. Tentemos regar os pontos comuns. A sua frase de que tem idade para ser meu filho, me derrubou. Abraço e me desculpe.

  5. Fábio Farias 8 de setembro de 2010 9:19

    Não te chamei de estúpido. Leia de novo. Chamei seu texto, sua insinuação que estamos “paparicando o poder” de estupidez e desonestinade.

    E a insinuação é estúpida, grosseira e desonesta porque você não conhece quem está organizando, não sabe das motivações que nos levaram a organizar esse debate o que invalida grande parte dessa sua tentativa de desconstrução.

    Isso daqui não é nenhuma competição para saber quem mais fez por cultura François, tenho a idade para ser o seu filho, mas é você quem age com infantilidade.

    O debate é uma ação, mas uma, que tem o claro objetivo de pressionar o poder público, de mostrar que tem gente preocupada com a cultura, de que tem gente que vai pressionar os políticos para melhorias na área.

    Você tem todo o direito de acreditar que essa ação não vai dar em nada. Não tem o direito de nos acusar, injustamente, de pedantismo ao poder, sem nem conhecer os envolvidos e as nossas motivações.

  6. françois silvestre 8 de setembro de 2010 6:04

    Com exceção da expressão “tudo é um bando de canalhas”, que pedi para Tácito retirar, reafirmo tudo o que disse. E tenho certeza, pelos fatos, de que vc precisará comer ainda muito feijão com arroz pra fazer um décimo do que já fiz pela cultura e liberdade da minha terra. Terra, aliás, de cuja cultura você sente monotonia. Seu discurso é lamentavelmente inócuo. Exatamente igual a esse debate sem futuro.

  7. françois silvestre 8 de setembro de 2010 0:35

    Tácito, se possível, por favor retire do meu texto a expressão “tudo um bando de canalhas”. Faço autocrítica e reconheço que generalizei burramente. Obrigado e abraço.

  8. françois silvestre 8 de setembro de 2010 0:21

    Não respondo sobre avaliações negativas a meu respeito. É um direito de cada um. Se vou à chuva tenho de esperar ser molhado. Não chamei ninguém de estúpido
    ou ignorante. Chamo-os de desvinculados com a cultura e quem quiser que ponha a carapuça. Não acredito nos frutos desse ou de qualquer outro debate. Até porque conheço os envolvidos. Merecedores do meu respeito pessoal, mas não da minha confiança política. Pobre cultura. O futuro próximo dirá quem está com a razão. Torço para estar errado. Talvez você não acredite, mas eu torço. Também não acusei ninguém de paparicar políticos, mas de paparicar o poder. Não pessoas individualmente, mas instituições vinculadas à produção cultural. Se ofendi alguém, peço desculpas. O objeto da minha ira é a hipocrisia que cerca a atividade pública, no âmbito cultural. Quero que você cite alguém que tenha cobrado a continuação do trabalho que foi interrompido pela corrupção. Não.Só o escândalo interessou. É ou não verdade? Quero que negue o processo de democratização que deflagrei na Fundação. Abertura e ação. É isso.

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