Adeus ao amigo Amâncio

Natal está de Luto e mais triste. Faleceu o grande chargista amigo Amâncio.

Ele tinha saído em férias. Estava feliz quando se despediu por um mês. Não vai mais voltar a abrilhantar a página 02 do Jornal de Hoje onde escrevo há tanto tempo

Será possível Pensar se Potiguar e expressar esse pensamento abertamente e democraticamente? Penso que não, a julgar pela demissão recente do chargista Amâncio da Tribuna do Norte.
Proclamei meu repúdio quando ele foi demitido da Tribuna do Norte por uma suposta charge. Uma medida antidemocrática e anti-liberdade de expressão. Nos anos mais duros da repressão os chargistas se utilizaram de seu traço para denunciar e gritar.

Nos tempos atuais é inaceitável atitudes como essa. O Amâncio é um grande artista várias vezes premiado em salões nacionais. Inadmissível no estado da arte em que se encontra a democracia brasileira, duramente conquistada por uma geração proibida de falar e gritar. Não aceitamos mais esse tipo de censura.

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Comments

There are 3 comments for this article
  1. Tácito Costa
    Tácito Costa 18 de Novembro de 2013 16:31

    Além de bom chargista, Amâncio era uma figura humana humilde e muito afável, encontrei-o, por acaso, meses atrás no Sesc da Cidade Alta. Ele estava no local organizando uma exposição dos seus trabalhos. Uma perda para a cidade, que fica menos engraçada sem o seu traço. Esse episódio envolvendo a Tribuna foi lastimável, felizmente ele conseguiu espaço em outro jornal da cidade.

  2. Alex de Souza
    Alex de Souza 18 de Novembro de 2013 20:57

    reproduzo comentário que postei no Facebook:

    A imprensa norte-rio-grandense perdeu hoje um dos seus talentos gráficos mais combativos, o chargista Antonio Amâncio, vítima de um acidente automobilístico sofrido durante o feriadão, quando iria visitar a família em Macau.

    Durante meu tempo de redação, nunca tive a oportunidade de trabalhar com Amâncio. Conheci-o durante o lançamento de uma coletânea de suas obras, no Bardallo’s, que rendeu um papo ligeiro, mas agradável. Quem era da sua lista de amigos neste facebook com certeza deve ter recebido inúmeras mensagens privadas pedindo para curtir/compartilhar suas charges sempre que ele as postava por aqui.

    Amâncio não tinha um traço muito sofisticado (apesar de um ser um bom caricaturista) e nem sempre a execução da ideia em suas charges alcançava a sutileza dos mestres nesse ofício, porém possuía uma característica que o destacava, de longe, de seus colegas na imprensa potiguar: o caráter predominantemente político de suas charges.

    Certamente pelo seu intenso envolvimento com o sindicalismo, Amâncio invariavelmente direcionava seus ataques para os donos do poder, dando nome e cara (feia) aos bois. Poucos entenderam, no RN, o sentido original do termo ‘charge’ como gênero jornalístico. E falar de poder, aliás, contra o poder no Rio Grande do Norte não é tarefa pequena nem fácil.

    O fato de uma destas charges ter motivado sua saída da Tribuna do Norte só aumenta e valoriza sua biografia profissional – além de diminuir a do jornal e a do casal de pistoleiros do Oeste que tomaram de assalto o Governo do Estado.

    Não pensem que tal mesquinharia é exclusividade dos provincianos mossoroenses. Testemunhei certa vez um colega chargista ser proibido de retratar a ex-governadora Wilma de Faria e seu esfuziante penteado laqueado, depois que ela telefonou para o diretor do veículo e reclamou da sua feiura exterior (como se a interior já não bastasse).

    Por ironia do mercado e demonstrando as incongruências desse cruel jornalismo tribal a que estamos submetidos, Amâncio encerrou sua carreira como chargista do Jornal de Hoje, um noticioso comumente achincalhado pelos livres-pensadores da terrinha por sua subserviência a “quem pagar mais”, mas onde diariamente ele podia fazer o que sabia como poucos: bater em quem merece.

    Valeu, Amâncio. Pelo exemplo. Pela luta.

  3. João da Mata
    DAMATA 18 de Novembro de 2013 21:04

    Concordo Alex com o seu rico comentário. Ele era corrosivo e incomodava muito. Se o traçõ não era taõ bom, mas passava sempre a ideia politica do momento. Fez uma charge minha que guardo com muito carinho. O JH perde muito. sua página dois ficou mais pobre.

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