Adeus meu querido Zé

Não faço nada sem alegria era o exlibris do José Mindlin. Frase emprestada de Montaigne, uma de suas paixões. Uma vida literalmente entre livros. O maior bibliófilo do Brasil deixou um grande legado. O maior: o amor pelo livro.

Sua bela brasiliana ficou consignada para a USP. Tudo combinado e planejado. O maior legado que alguém poderia deixar para o seu país.
Zé foi realmente um homem feliz. Viveu com os livros e para os livros. Fez o que pode e não pode para conseguir uma primeira edição. Editor de uma meia centena de livros preciosos. Teve na sua mulher, Guita Mindlin, uma grande cúmplice e parceira. Ela gostava de ouvir Zé dizer os poemas. Amava os livros e foi igualmente uma grade amante dos livros. Restaurou muitos e nunca teve ciúmes do Zé com sua loucura mansa pelos nossos eternos amiguinhos.

Zé, meu próximo. Meu guia e mestre. E agora, que faço eu sem você e suas indicações primorosas. Seus ensinamentos. Seus prefácios e guias?
Amigo de muitos. Um eterno mestre de todos aqueles que o procuravam. Amigo íntimo de Drummond e João Guimarães Rosa. Tinha deles todas as primeiras edições autografadas. De alguns livros era proprietário de um único exemplar. Herdou a grande biblioteca do grande bibliófilo Rubens Borba de Moraes. Deixa um patrimônio que é orgulho de todos os brasileiros. Uma biblioteca indisciplinada e maravilhosa. Inveja também de todos nós amantes dos livros que teve em José Mindlin um verdadeiro pai. Padroeiro. Guia e Mestre.

Muito obrigado meu querido amigo

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