“Ai que Vida”

Nada de Avatar, Guerra ao Terror ou Bastardos Inglórios. No interior, onde passei dois dias de carnaval, o grande sucesso é o filme em DVD pirata “Ai que Vida”, produção piauiense, dirigida por Cícero Filho, que fizeram questão de me mostrar.

Se dependesse do entusiasmo das pessoas, seria um dos indicados ao Oscar. Com muita tenacidade e fé em Deus, eu ainda agüentei uns trinta minutos do filme (dura hora e meia).

Dei uma olhada no Google para saber mais sobre o filme. Tem lá que o DVD é sucesso no interior do Nordeste e que o seu diretor já foi entrevistado no Programa do Jô. O cara já tem bem 40 filmes no currículo (vários links oferecem download grátis do filme). Tomando como parâmetro “Ai que Vida” somos levados a imaginar que todos os filmes do diretor devem ser produções baratas, sem grandes recursos técnicos e com atores amadores.

“Ai que Vida” conta a história de uma cidadezinha do interior. O tom geral é de comédia. Os focos principais são o prefeito corrupto e corno, candidato à reeleição, fazendo sua campanha cheia de mentiras e promessas e um jovem casal apaixonado, que enfrenta vários contratempos até o final feliz (isso me contaram depois). O filme inteiro se alterna entre esses dois pólos.

É clichê atrás de clichê. O casal aparece e logo a trilha sonora açucarada se apresenta. Aliás, o filme tem esse lado didático de escancarar os clichês, sem nenhuma sutileza. Depois dos primeiros 20, 30 minutos, não dá mais para agüentar. Fiquei matutando do porquê do sucesso. O filme reproduz, em grande parte, a realidade das cidades do interior, o que gera uma imediata identificação com a população. Essa talvez seja uma das razões.

Curiosa, ainda, é essa cinematografia alternativa e simplória que tem o seu público e que até ontem eu não sabia que existia.

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