Ailton Medeiros comenta pesquisa inédita para mapear cultura potiguar e ainda de novos selos literários pela FJA

Nada de diálogos culturais partidários interior adentro para diagnóstico mambembe das carências culturais do Rio Grande do Norte. Dessa vez a Fundação Zé Gugu pretende uma pesquisa profissional elaborada por instituto contratado para mapear os hábitos culturais da população – um dado substancioso e inédito! O intuito é estabelecer diretrizes para ações de governo a partir das carências, preferências e potencialidades de cada município potiguar.

Esse foi talvez o principal tema relatado pelo diretor do departamento de livros e leitura da FJA, Ailton Medeiros. Outras novidades também foram despejadas no papo que tive com ele. Ailton é jornalista, leitor compulsivo e me pareceu ansioso para mostrar todas as ideias e projetos da Fundação para o segmento. Ações concretizadas apesar dos “desafios” frente à crise política ou mesmo à falta de atenção secular com o setor literário.

O projeto A Literatura Potiguar Nas Paradas também mereceu destaque. É a aposta da FJA à formação de leitor. Agora, é preciso continuidade e apoio à ideia. Curiosamente o professor da UFRN, Homero de Oliveira Costa escreve na última edição de O Galo sobre a importância da Jornada pela Leitura, promovida na Argentina com grande sucesso, sendo este trabalhado nas escolas. E claro, importante também se reabrir a Biblioteca Câmara Cascudo, templo-mor dos nossos livros.

Voltemos à pesquisa, ou mapeamento cultural, tema principal da conversa. É um trabalho inédito mesmo entre fundações culturais do país, ressalte-se. A estimativa do órgão é iniciar os trabalhos ainda este semestre. A ideia surgiu quando Ailton leu algo semelhante elaborado pela PubliFolha em São Paulo e vislumbrou a pertinência de dados dessa natureza para o, há muito combalido, Estado potiguar trabalhar suas ações com melhor direcionamento.

ailton e euA pesquisa será feita por amostragem. Dezoito, dos 167 municípios potiguares, receberão profissionais do instituto contratado, além de técnicos da própria Fundação que irão colaborar com o trabalho. Dos 18 municípios, 12 serão os de maior densidade populacional e seis os de menor contingente. Os entrevistados, entre cidadãos comuns e gestores, serão questionados sobre o que costumam fazer no tempo livre, quais os desejos e preferências no tocante a atrativos culturais, além do levantamento de quais equipamentos de cultura existem no município.

CONCURSO LUIZ CARLOS GUIMARÃES
Outra novidade. A esperada coletânea com os poemas vencedores do Concurso de Poesia Luiz Carlos Guimarães, ainda de 2014 (gestão passada), está pronta e será lançada junto às coletâneas de 2015 e 2016, assim como os referidos pagamentos da premiação. A data foi estipulada apenas como “para breve”, já que os livros já estão prontos.

TRÊS SELOS LITERÁRIOS
Ainda este ano também serão lançados três selos literários pela FJA. O primeiro será, na verdade, a manutenção da antiga Coleção Cultura Potiguar, que na última gestão publicou dezenas de livros. Como afirmou Ailton Medeiros, apenas a palavra “Coleção”, que presume quantidade limitada de títulos, será excluída. E o selo Cultura Potiguar voltará à ativa.

aaaAliás, um título já está nas mãos de Ailton para possível publicação. É o ‘Memória de um Cigano: Uma História Real’, contada em primeira pessoa pelo cigano José Soares. Ailton ainda está lendo a obra e, depois, submeterá o livro ao crivo de um conselho. A ideia do selo é dar voz, também, aos autores pouco conhecidos.

Já o selo Primeiras Leituras será criado para abrir espaço aos autores infanto-juvenis, em celebração aos 50 anos da Gráfica Manimbu. Ailton lembra que é a primeira ação do tipo coordenada no Rio Grande do Norte.

O terceiro selo será o Papa Jerimum, para publicação exclusiva de obras que abordem o vasto tema da gastronomia. Dois livros já estão no prelo. O primeiro, de Thágila Maria dos Santos Oliveira, se chamará ‘A Maçã que Mudou Natal: Uma mordida na História da Casa da Maçã’, que durante anos funcionou na Deodoro da Fonseca, ao lado do Cine Rio Grande.

O outro livro é do jornalista e professor Bira Nascimento, com título provisório de “Comida Não é só Comida: Receitas que Contam Histórias e Superstições’.

PROJETO ‘A LITERATURA POTIGUAR NAS PARADAS’
O título do projeto se autoexplica um pouco. Mas é algo maior. Uma ação mesclada de lançamentos literários, saraus, música e discussões acerca de poesia e de literatura, sempre com presença de escritores. Estão programadas cinco ações em Natal, em praças próximas às paradas de ônibus. Pelo menos duas delas serão na Praça Pedro Velho (Cívica) e na Praça 7 de Setembro. Também se pretende na Zona Norte.

O lançamento do projeto até já aconteceu ano passado, durante a Feira de Livros e Quadrinhos de Natal (FliQ), e uma edição experimental foi promovida na Cidade da Criança. Essas outras cinco ações acontecerão no período da tarde, adentrando a noite. Segundo Ailton, até o mês de junho o projeto será retomado e a intenção é levar também às Casas de Cultura do interior do Estado, dentro da ação macro das Rondas Literárias.

“Esse projeto vai de encontro à nossa preocupação com a formação do leitor. É uma ação que chega junto à população. E também queremos desmistificar, sobretudo nas periferias, a palavra Ronda como algo sempre relacionado à polícia, ao crime. Podemos ter rondas poéticas, literárias. Vamos dar uma ressignificação social à palavra Ronda com uma ação popular de incentivo à leitura e às artes”, comenta Ailton.

TRÊS PUBLICAÇÕES LITERÁRIAS
Este blog já publicou em primeira mão meses atrás, mas não custa relembrar o feito das três publicações literárias pretendidas pela Fundação José Augusto neste ano: O Galo, a Preá e a Carcará.

O-galo-III-e1459184713897O Galo teve recentemente sua terceira edição sob a batuta do jornalista Carlos de Souza, com projeto gráfico mais moderno e reportagens de Luana Ferreira, Eliade Pimentel e Fabiana (pera, vou conferir o sobrenome da menina) Bagdonas.

A revista Preá está semi-pronta. Também terá Carlos de Souza na edição. O primeiro número dessa nova safra será publicado em junho, com 30% de conteúdo aproveitado de uma edição já paga e não publicada, datada de dezembro de 2014, e 70% de material inédito.

E se O Galo foi retomado após 10 anos de inatividade, e a Preá também é criação de outra gestão cultural, a revista Carcará será criada para abordar temas exclusivos do audiovisual, editada por quem entende do assunto: o jornalista Rodrigo Hammer.

Nos planos da Fundação, este ano serão lançados mais três números de O Galo, totalizando quatro edições, duas edições da Preá (junho e dezembro) e outras duas da Carcará, sendo a primeira para julho.

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E já que o tema é leitura, vou ali pra rede começar agora ‘As Veias Abertas da América Latina’, de Eduardo Galeano. E você, qual o atual livro de cabeceira? É bom? Recomenda? Conta aí!

Acredito que música, literatura e esporte são ansiolíticos dos mais eficazes; que está na ralé, nos esquisitos e incompletos a faceta mais interessante da humanidade. [ Ver todos os artigos ]

Comments

There are 3 comments for this article
  1. thiago gonzaga 7 de Abril de 2016 10:04

    Amigo Sergio, que excelente matéria.
    Vc, como sempre, atento com tudo que acontece dentro da nossa comunidade cultural.
    Parabéns.

  2. Sergio Vilar 7 de Abril de 2016 10:59

    Valeu, Thiago!
    E queremos mais você por aqui.
    Texto sobre Carmem ficou massa!

  3. Rafael Morais 15 de Abril de 2016 17:16

    Meu livro de cabeceira atual: O Brasil dança com o diabo.

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