Ainda a questão paulina

Laurence:

Acho que não fui suficientemente claro quando falei em não discriminar, referindo-me a Paulo e seus livros. Minha intenção foi sublinhar que, embora não goste desse escritor e de seu produto, considero legítima a atividade e os rendimentos dele: ele tem todo o direito de escrever o que quiser, os leitores têm todo o direito de comprar e gostar do que quiserem, ele tem todo o direito a receber muito dinheiro pois produz mercadorias que vendem muito. Tenho certeza de que aqueles escritos dão trabalho para Paulo, todavia não aprecio o resultado do que ele apresenta. O raciocínio se aplica aos atores e às atrizes que mencionei em resposta a Fernando: com certeza, fizeram diferentes esforços para chegarem àqueles resultados (em geral, muito preparo físico – academias, dietas, até cirurgias) mas não considero bom o que me trazem, ressalvando, sempre, o direito deles ao trabalho e a uma remuneração que corresponda minimamente aos valores que possibilitam – por maior que seja o salário de um Antonio Fagundes, p. ex., é sempre fração mínima dos lucros que ele possibilita à emissora onde trabalha.

A criação de um mercado, onde os trabalhadores ganhem bem, é muito importante para a literatura e as artes em geral. O problema de literatura e artes em geral é a necessidade gritante de pensarmos o tempo todo – e até em nível mundial, como suas críticas ao teatro clássico o demonstram – sobre a qualidade dos resultados.

Obrigado por me obrigar a tentar maior clareza.

Abrações:

Nasci em Natal (1950). Vivo em São Paulo desde 1970. Estudei História e Artes Visuais. Escrevo sobre História (Imprensa, Artes Visuais, Cinema Literatura, Ensino). Traduzo poemas e letras de canções (do inglês e do francês). Publiquei lvros pelas editoras Brasiliense, Marco Zero, Papirus, Paz e Terra, Perspectiva, EDUFRN e EDUFRJ. Canto música popular. Nado e malho [ Ver todos os artigos ]

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