Ainda sobre música popular e erudita

Caro Marcos, é claro amigo velho que o alto nível se encontra em você também. Talvez mais do que em todos nós. Fique certo. A admiração pela sua cultura eu já disse em email pessoal e aqui idem. E agora novamente. Mas olhe aqui, tomando como base sua própria declaração: “É possível que a experiência do sensorial seja anterior à lógica, o que não as opõe nem elimina uma das duas necessariamente”. Sem dúvida que não elimina e é claro que é anterior. O próprio Freud (foto) como bom burguês tinha lá sua neurose com música, logo ele que foi o descobridor do principio inconsciente da sexualidade, porque a música nos pega pela sensualidade. Isso é sensório. A minha idéia foi mostrar que a música erudita quase que aprisiona a sensualidade que é algo sensório construindo-a pelo aspecto abstrato, quase diria espiritual, lógico (que foi o termo que usei), intelectual. Nesse sentido ela é superior a popular, tanto que não atinge as massas que ainda estão no nível do sensório, do primitivo. Ora, a meu ver isso é claro, há essas separações. O que não significa que haja exclusão, tanto que o quem faz sucesso é a musica popular e não a erudita. O que você pleiteia, legitimamente é o espaço para as duas, e há. O que eu tentei mostrar foi outra coisa. O que eu tentei mostrar, é que a musica erudita é superior a popular. O que não significa invalidar a popular ou que não haja espaço para ela. O espaço para a música erudita é que é pouco, restrito (que você mesmo cobra como acesso maior para as massas), mas que eu, particularmente não acho que ela desça até as massas, porque a massa é sensório puro. Era isso, meu querido. E claro que você é um dos nossos mestres, sempre.

ao topo