Alain de Botton

O tema do novo livro do filósofo e escritor suíço Alain de Botton, 40, é mais mundano: o trabalho. E “Os Prazeres e Desprazeres do Trabalho” chega ao Brasil nesta semana.

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FOLHA – Que importância tem o dinheiro na felicidade no trabalho?
ALAIN DE BOTTON
– Dinheiro é uma forma de amor. Não adianta alguém dizer “gosto muito de você”. Apenas quando você ouve “ok, vou lhe pagar 1 milhão de libras” você sente que é necessário. É difícil compreender que você é importante quando é mal pago, mesmo se disserem que você é ótimo.

FOLHA – Felicidade e trabalho podem conviver?
DE BOTTON
– A pergunta é se amor e trabalho podem estar juntos. Minha resposta é: sim, na teoria. Existem pessoas que são felizes no emprego, mas são uma minoria. Não há razão, em tese, para que você seja infeliz no trabalho, mas há várias, na prática, para que a vida no escritório seja difícil. Se o cara que senta ao seu lado é um idiota, você vai odiar o trabalho, por melhor que ele seja. É impossível passar pela vida profissional sem pelo menos uma série de insatisfações, questionamentos e crises.

FOLHA – Desde o começo de 2008, 23 funcionários da France Telecon (empresa de telefonia francesa) se suicidaram. O que pensa disso?
DE BOTTON
– O capitalismo moderno sugere que os seres humanos são apenas commodities, mercadorias que se pega e pelas quais se paga um preço. Mas há uma grande diferença entre pessoas e algodão ou petróleo. As pessoas podem cometer suicídio. Você contrata uma pessoa inteira, não apenas um cérebro ou um braço. Isso precisa ser reconhecido pelos capitalistas. (FSP)

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