Greco, Paula, Eduardo, Montserrat, Poni, Diego, Diana, Conrado, Eu e Você: O Pós-Filme!

Terça-feira, 09 de abril de 2019, fui assistir ao documentário “Alberto Greco – Obra Fora de Catálogo”, de Paula Pellejero. O evento aconteceu na UFRN, com a presença da realizadora argentina e de seu irmão, Eduardo Pellejero, que é professor de filosofia da UFRN.

Fotografias: Carito e Poni Micharvegas, em Madri, 1989, por Montserrat Santamaria

O filme é uma colagem de momentos da busca de Paula pela obra do artista plástico argentino Alberto Greco. Paula passou 15 anos fazendo o filme. A mistura arte-vida está presente o tempo todo na obra de Greco e no filme de Paula.

Esse meu texto também é uma colagem. De momentos da minha busca pela arqueologia dos sentidos: o que esse filme provocou em mim e que continua reverberando. Uma colagem do pós-filme.

Acho que as coisas vão se revelar aqui como no filme de Paula sobre Greco, com várias histórias se intertextualizando em uma experiência sensorial.

No filme, a história de Alberto Greco se confunde com a história da própria Paula, de uma amiga sua, de seu irmão…


Alberto Greco percorreu pintura, tango, ação urbana, poesia e lançou um manifesto sobre a vitalidade da arte vir nas ruas.

Diana Coelho, amiga e realizadora, estava na plateia. E quando eu cheguei em casa passei um whatsapp pra ela:

Eu – Sabe o que aconteceu???? Ainda estou de bobeira. Quando vi no filme hoje o nome da fotógrafa Montserrat, meu inconsciente falou comigo. Aquela hora que eu estava conversando com Paula Pellejero, eu fui, entre outras coisas, perguntar a ela se a fotógrafa Montserrat, que tirou fotos do Greco, ainda está viva. Ela disse que sim, que ela deve ter uns 70 ou 80 anos. Eu fiz umas contas e pensei: talvez ela tenha batido umas fotos minhas. E contei isso pra Paula. E disse que quando eu chegasse em casa eu ia procurar… A história qual foi: eu morei em Madrid em 1988 e 1989. Eu tinha 24 anos e fiquei amigo de um escritor, poeta, psicanalista argentino, exilado da ditadura argentina, que morava em Madrid desde os anos 1970, Poni Micharvegas. Eu fiquei amigo dele e do filho dele, Diego. E quando eu fui embora de Madrid, no final de 1989, eu fui combinar de almoçar com Poni para me despedir dele, e ele disse pra mim: “eu estou indo fazer uma fotos para uma matéria que vão fazer comigo”… Ele conhecia muitos intelectuais, muito boêmios, era um poeta ativista, enfim… Uma fotógrafa ia bater uma fotos dele e ele disse que a gente podia se encontrar depois da sessão de fotos. E quando eu cheguei no lugar marcado acabei conhecendo a fotógrafa e ela acabou batendo umas fotos dele comigo. Depois almoçamos e no outro dia eu fui embora de Madrid. E quando a gente retomou de novo o contato em 2008 ele me enviou as fotos por e-mail. E aí eu fui ver o e-mail que ele me mandou. E tá lá ele falando daquele momento das fotos e dizendo que a fotografa era Montserrat Santamaria, a mesma do filme, a mesma que fotografou o Greco. Já passei até um e-mail pra Paula Pellejero contando essa historia, dizendo que o filme dela, que fala de tantas histórias, continua reverberando no pós-filme, através de outras histórias como essa. Inclusive mandei as fotos. Vou colocar aqui as fotos pra você ver.


“Eu tinha 24 anos e fiquei amigo de um escritor, poeta, psicanalista argentino, exilado da ditadura argentina, que morava em Madrid desde os anos 1970, Poni Micharvegas”. Fotografia: Montserrat Santamaria.

Diana – É exatamente isso que mexe comigo, esse pós filme, o que vai despertando…Incrível isso. Obrigada por compartilhar. Adorei as fotos tb…haja história, viu?”

Eu – E eu lá no auditório, naquela hora, passei uma mensagem pra Diego, que mora em Buenos Aires: “Você lembra se Poni tinha uma amiga fotografa chamada Montserrat?” Ele me disse que lembrava que tinha uma Montserrat, mas não lembrava se ela era fotógrafa…

E Paula respondeu meu e-mail. Eis aqui um trecho:

“Que palavras bonitas e que histórias interessantes de encontros com seu amigo Poni. Como a vida é maravilhosa quando paramos para ver e ver nossos passos e eventos passados. Eu gostaria de ver um filme seu, se você tiver na Internet, e espero que mantenha contato.”

E eu disse pra Paula: “Meu filme mais recente, terminei hace poco tempo, se chama OBSERVANDO O MUNDO ACONTECENDO. Yo creo que ele habla com seu filme de alguma maneira. Esse filme ainda não foi lançado. Vou colocar aqui o link e a senha.”

E onde entram nessas histórias, Conrado e você, cara leitora, caro leitor?

Bem, faz tempo que Conrado, agora à frente do Substantivo Plural, me convidou para participar do site. Trocamos muitas mensagens, em uma das últimas ele me disse:

“Você fique totalmente livre pra escrever do jeito que você entender melhor, sobre o tema que você entender melhor”.

Eu estava me sentindo inseguro em escrever aqui, mas diante dessa liberdade toda, não resisti. E diante do filme de Paula, só me restou fazer o que mais gosto e acredito entender melhor: a mistura arte-vida.

Então estreiei no Substantivo Plural.

Em tempo: Poni faleceu em 2016 e este texto é uma homenagem a ele.


E aí eu fui ver o e-mail que ele me mandou. E tá lá ele falando daquele momento das fotos e dizendo que a fotografa era Montserrat Santamaria, a mesma do filme, a mesma que fotografou o Greco. Já passei até um e-mail pra Paula Pellejero contando essa historia,”.

Poeta, cineasta, vocalista, performer e arquiteto [ Ver todos os artigos ]

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