Alcir Pécora mostra fragilidade literária de Edney Silvestre

Por Euler de França Belém
NO JORNAL OPÇÃO

A crítica literária acovardou-se no Brasil. Se o “escritor” trabalha na TV Globo, como Edney Silvestre, ou na revista “Veja”, como Mario Sabino, as críticas são quase sempre positivas, mas os leitores minimamente atentos ficam com a impressão de que os resenhistas estão tratando de um “livro” que ainda não existe. As resenhas parecem ter sido escritas antes da leitura da obra. Escapando ao novo compadrio, por meio do qual trocam-se “análises” positivas, Alcir Pécora, professor de teoria literária na Unicamp, escreveu uma resenha na “Folha de S. Paulo”, “Novo livro de Edney Silvestre não convence”, no qual aponta os defeitos, até de forma comedida, do romance “A Felicidade É Fácil” (Record, 224 páginas) — que tem jeito de roteiro de cinema inacabado.

Leitor atento, e sobretudo independente, Alcir Pécora nota que, em “A Felicidade É Fácil” (Record, 224 páginas), o romance do jornalista Edney Silvestre — escritor do terceiro time que a mídia tenta escalar para o primeiro time —, “não há ação suficiente para compor algum suspense, nem há análise política dos acontecimentos fora de uma tipologia superficial e denuncista. O que se pode denunciar quando o objeto da denúncia é um simples clichê? Quando a caracterização de todas as personagens repõe estereótipos — da perua, ex-garota de programa, aos pobres sonhando com a casa própria, dos ricos desalmados aos políticos corruptos?”

A crítica persiste, dura, incisiva: “Mas se não havia intenção político-policial, e se devesse entender a narração, antes, como esforço de construção literária inovadora, o resultado é pior”. Alcir Pécora diz que “nada é inspirado” no romance de Edney Silvestre.

Para piorar a situação, convém lembrar de que se está tratando da prosa literária de um jornalista conceituado, Alcir Pécora ataca no front do profissional, apontando que há até erro histórico No romance. O repórter Edney Silvestre apresenta “a reeleição como ‘favas contadas’, num tempo que não havia sequer essa possibilidade”. A estocada final: “Tudo leva a reconhecer no texto, no máximo, um embrião de roteiro no filão ‘Tropa de Elite 2’ ou um esboço de prosa realista com apliques ornamentais isolados”. Na avaliação, endossada pela “Folha”, o romance ganhou nota “ruim”.

As demais críticas sobre o romance de Edney Silvestre praticamente sugerem que o Brasil está assistindo ao surgimento de um novo Rubem Fonseca, quando, na verdade, o jornalista perde até mesmo para uma clone deste escritor, Patrícia Mello.

Edney Silvestre é uma espécie de Norah Jones da literatura. No Natal, a classe média, emergente ou não, dará seu romance de presente, para parecer “antenada” e “chique”. Mas não se trata de romance para durar dois anos. É livro para conversa de boteco regada a cerveja e e com aquele churrasco de picanha. Um romance prêt-à-porter, a ser esquecido em 20 dias. O problema é que Edney Silvestre está se enganando, ao se entender como “grande” escritor, mais do que enganando os leitores, porque estes se enganam e são enganados há muito tempo e não se importam com isso.

Excelente repórter de televisão, Edney Silvestre não é, definitivamente, um prosador admirável. Recentemente, com o apoio de parte da mídia, “comparou-se” a Chico Buarque, que, se não é um gênio literário, escreveu livros de muito mais qualidade. Trata-se de um escritor nascido a fórceps, imposto por uma boa editora, a Record, e pelos amigos que mantém nos jornais, revistas e televisão.

Comentários

There is 1 comment for this article
  1. carlos de souza 25 de abril de 2012 14:55

    eu já comentei aqui a farsa que é esse rapaz.

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