Alejandro Jodorowsky e a Reciprocidade das Mídias

1ª Parte

Todas as artes estão relacionadas. Isso me adverte. Os “plongé e perspectivas dos quadrinhos – já centenário – foram utilizados no cinema. Os quadrinhos, por sua vez, devem muito aos folhetins radiofônicos. Lembro com saudades das novelas “ronda dos fantasmas” e “Jerônimo, o herói do sertão”. Assustado e aventureiro percorri os becos da infância. Depois fui vender revistas em quadrinhos, sem capa (muito mais barato), nas portas dos cinemas e escolas.

Muitos quadrinhos foram parar nas telas do cinema. Muitos cineastas atuaram nas duas mídias. O Grande Orson Wells fez época no rádio, antes de se consagrar no cinema. Em 1938, o futuro diretor de Cidadão Kane produziu uma transmissão radiofônica intitulada A Guerra dos Mundos, adaptação da obra homônima de George Wells e causou pânico na população que pensava está sendo invadida por marcianos.

Federico Fellini desenhou o Flash Gordon e era fascinado pelo “Mandrake”, do Falk e Davis. O grande ator italiano Marcelo Mastroianni, dirigido pelo diretor de “A Doce Vida” tem muito do Mandrake. Diria mais; não é possível conhecer a história da arte sem passar pelo genial e eterno Fellini.

Outro grande diretor de teatro e cinema e roteirista de quadrinhos foi o genial Alejandro Jodorowsky (foto). Em 1957, Jodorowsky fez o filme “La Cravate”. Um filme mudo rodado em Paris cujo roteiro era baseado num conto de Thomas Mann, em que uma garota vende cabeças. Esse magnífico diretor cult e anti-roliúde fez ainda os filmes A Montanha Mágica, El topo e Fando y Lis. Filmes inquietantes, repletos de alegorias e simbolismos. Filmes onde você pode encontrar o universo fascinante de Frida Kahlo, o realismo fantástico, o surrealismo e o escambal. Jodorowsky é um Chileno- Aquariano meu próximo. Nos quadrinhos ele se imortalizaria como roteirista de alguns dos quadrinhos mais fascinantes dos tempos modernos. Seus quadrinhos em parceria com o grande Moebius (Incal) são obras primas. Com o Iugoslavo Zoran Janjetov ele fez “Os Tecnosacerdotes”. Seu trabalho que mais me fascina é o “ La Caste Des Meta-Barons”. Impresso em português pela famosa Meribérica como “A Casta dos Metabarões, 3v”. Vejam e leiam se não é puro cinema. Jodorowsky também fez o “Bórgia”, com o Manara.

Por falar em Manara, uma das minhas paixões quase-sexuais. Adoro de paixão suas “Clics”. Não troco a sedução dessas figuras de papéis. Não troco o traço, plasticidade e sensualidade dos quadrinhos de Manara por muitas louras platinadas e turbinadas de silicones que dizem fazer filmes eróticos. Perdoem-me. “Ninguém é perfeito”.

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