Algumas Considerações sobre a CENA LITERÁRIA POTIGUAR

Por João da Mata

Em lugar nenhum, penso, há tantos e tontos vaidosos homens como nas letras. A vaidade de alguns consegue limitar o seu universo em poucos e pouquíssimas trouvailles repetidas à exaustão. Com as especializações e crescimento da informação que aumenta na mesma razão da expansão do Universo, é cada vez menor aqueles pesquisadores que dominam um amplo leque de conhecimento feito de um longo e exaustivo estudo.

Com o tempo fomos perdendo aqueles grandes críticos – que são também grandes leitores – e serviam de guia para o nosso caminhar nesse imenso cipoal feito de joios e trigos, carcaças literárias e poucos sábios. Quando penso em crítica literária no Brasil penso – por exemplo – em Antonio Candido, José Veríssimo e sua imprescindível História da Literatura Brasileira, Brito Broca, Agrippino Grieco e, mais recentemente, Luiz Costa Lima e João Alexandre Barbosa, etc.

Ninguém é critico porque diz ser. Um crítico é, sobretudo, um erudito que não restringe o seu universo. Que faz conexões, que amplia a leitura para além dos fonemas e significados. Um crítico de literatura é um grande leitor. Um crítico de arte precisa ter visto a maioria dos museus do mundo e conhecer bem a história da arte. Um critico precisa ler mais dos que os outros. Nesse sentido, não conheço ninguém em Natal que possua essas características e virtudes. Apesar disso, no mundo das letras são muito freqüentes as brigas e contendas literárias. Em lugar nenhum existem tantas farpas e pavões prontos a se degradiarem, por qualquer coisa ou subscrito. O que prevalece são textos apressados e treadjetivados pensando comentar o ultimo fólio que ninguém leu. Editar livros ( nem sempre de qualidade) Parece ser um bom negócio. Cumpre a vaidade de quem quer editar, publicar e pagar.

Poeta briga com poeta. Escritor com escritor. Critico com escritor ou poeta. Parece que a palavra tem espinho e machuca. Grupos contras grupos. Acadêmicos versus não acadêmicos. Em tempos de internet essas brigas são vistas online para gáudio das torcidas organizadas. Muitos gostam de sangue e da arena em polvorosa. Outros mais espertos convidam o oponente para um chope ou café.

Na história da literatura brasileira foram muitas as contendas literárias; desde a Belle Époque até os dias atuais. José Veríssimo e Sílvio Romero são considerados os pais da Critica Literária no Brasil. Os dois tiveram uma grande polemica. A tese de Doutorado de João Alexandre Barbosa foi sobre o trabalho crítico de J. Veríssimo e a tese de Doutorado de Antonio Candido foi sobre Silvio Romero. O escritor e crítico sergipano Sílvio Romero atacou fortemente o escritor Machado de Assis. O bruxo de Cosme Velho também foi agredido pela língua de fel do grande crítico Agrippino Grieco. Silvio Romero também teve uma grande polemica com o crítico José Veríssimo. O tempo mostrou o quanto errados estavam Romero e Grieco.

Vaidade, nada mais que vaidade permeia o mundo do fazer literário. A discussão é boa quando a crítica tem fundamento e não parte para ataques pessoais. O que se observa muitas vezes são pessoas se agredindo por nada e sem nenhum respaldo literário que sustente aquela pose. Outras vezes, são criticas vazias transportadas de lá para cá sem nenhum critério ou estudo mais abalizado. O que precisa é de mais humildade e estudos feito de um longo, difícil e trabalhoso fardo ou fado.

Em minha opinião, a critica é necessária. Só avançaremos com ela. A critica entre nós é pobre porque é pobre o saber sobre o assunto. O que se observa em Natal é uma troca de cortesias. O que alguns dizem de críticos é bom porque sou elogiado. Alguns considerados críticos não são críticos.

Outros vivem do passado. Muitas vezes são escritos – na imprensa escrita e nos blogs – elogios frívolos … pianíssimos. Sei onde a boca ilumina o ventre. Sei dos fakes e pseudônimos. Cala-te quando muitas vezes falos. Aqui me tens como parceiro e muitas vezes, enxovalhado, ficas calados. Que fizestes do que te disse? Quantas vezes calastes? Quantos textos medíocres elogiados. Quanta solidão é necessária: para criar, para dizer …

Infelizmente a cena literária não é ocupada pelos mais competentes. Os compiladores e fazedores de listas podem prestar um péssimo serviço e ocultar mais que revelar.

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