Algumas considerações sobre a crítica literária no RN

Fiz referência à premiação de contos de Carlão de Souza no concurso da Cooperativa Cultural, ontem (01.01) no meu texto sobre “Urbi”, porque na ausência entre nós de uma crítica literária mais constante, ela funciona como um importante balizamento qualitativo. Ou uma bússola para novos e antigos leitores.

Essa deficiência crítica é um problema que volta e meia é discutida por nós que respiramos literatura no Rio Grande do Norte. Mas tem um detalhe nessa história que considero oportuno chamar atenção. A crítica não é tornada pública, não sai em jornal ou outra mídia, mas de alguma forma ela existe e circula entre os que leem, se interessam e fazem literatura.

Tiro por mim, que estou sempre trocando ideias com pessoas que me são mais próximas sobre a nossa produção literária e literatura em geral. Bom, não estou dizendo que isso supre a falta de uma crítica pública, claro que não supre, mas tem sua importância e a partir desses diálogos, um texto publicado aqui, outro ali, formam-se certos consensos, certos cânones que merecem consideração.

A crítica de rodapé, como se tornou mais conhecida no Brasil, virou história e não tem mais retorno. Isso é fato. Então, não adianta ficar lamentando e sempre voltando ao mesmo assunto, sem apresentar nenhuma novidade. Até mesmo porque a literatura tem resistido bem, independente de crítica. Nunca se publicou tanto em Natal.

Por outro lado, com a Internet ocorreu uma multiplicação de vozes que, bem ou mal, tornaram menos elitista o exercício da opinião, seja sobre o que for. Embora, separar o joio do trigo, em qualquer setor, continue sendo uma tarefa que exige estudo, tempo e uma formação consistente e permanente.

Creio ser dispensável discorrer sobre incompreensões e percalços, de quem aventura-se a comentar literatura no estado. Resenhar, apenas. Não é crítica no nível de Antonio Cândido, Roberto Schwarz, José Castello etc.

Outro dia mesmo, uma moça só não chamou Nelson Patriota de santo porque ele resenhou no Substantivo Plural o livro da poeta Jeanne Araújo. Não era o que ela queria ler. Então, estamos ainda nesse estágio adolescente. E, sinceramente, não vejo perspectiva de superá-lo.

São raríssimos os que aceitam com humildade ouvir uma avaliação sobre seu trabalho que não seja meramente laudatória. Por outro lado, coloco-me na pele desses autores, assumo a perspectiva deles, e realmente não é fácil dedicar-se com paixão a um projeto e ele ser desmontado em poucas linhas. Já fiz isso, me penitencio, e não desejo voltar a fazê-lo.

Hoje eu considero que mais importante do que o papel da crítica literária é a formação de novos leitores. Isso sim é crucial para o futuro da literatura. O restante vem como consequência.

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