Algumas notas sobre o Encontro Nacional de Dança

Fiquei chateado por demais porque não pude acompanhar melhor a programação do Encontro Nacional de Dança, iniciado no dia 26/04 e encerrado neste domingo, 01/05. Compromissos de trabalho à noite e mais o lançamento do livro do poeta Oreny Júnior tomaram minhas quarta e quinta-feira.

Produzido anualmente por Diana Fontes o evento se tornou referência no estado e vem dando uma contribuição inestimável à dança potiguar. Corrijam-me se eu estiver equivocado. Mas acho que das manifestações artísticas potiguares a dança contemporânea é a que tinha menos visibilidade, vivia meio enclausurada, muito voltada para professores, alunos, coreógrafos etc.

O festival, entre outros tantos benefícios, como o intercâmbio, atraiu a atenção de um público mais amplo, pela mídia que gera, contribuindo para a formação de plateia. Sem falar que também desperta o interesse dos meninos e meninas pela dança.

Gostaria de ter visto “La Wagner”, que ouvi falar provocou certo impacto nos espectadores. Procurei compensar no sábado e domingo e assisti “Tempo Singular” (foto), na Casa da Ribeira, “Escrito Absurdo”, no Barracão dos Clowns” e “Solos de Stuttgart”, no Teatro de Parnamirim.

Após “Tempo Singular” conversei rapidamente com Diana. Ela recomendou-me que não perdesse “Escrito Absurdo”, que seria apresentado no mesmo dia. No entanto, o que gostei mais foram os “Solos de Stuttgart”. Principalmente, “And we already knew the names”, coreografia e dança de Jon Ole Olstad, da Noruega. Achei que teve ‘pouca dança’ e mais teatro em “Escrito Absurdo”, mas certamente não foi por isso que ela não me emocionou.

Não que as outras não tenham me agradado, pelo contrário, achei todas umas lindezas. Mas tocou-me mais essa em particular. E como me dizia Denise Araújo, diante da minha perplexidade com certas coreografias, dança não é para compreender, mas para sentir. E assim tenho feito desde então. Então, não cabe muita explicação sobre porque essa foi a minha preferida.

Ela começa com o bailarino fazendo uma série de perguntas e pedindo para as pessoas levantarem as mãos em resposta. Entre as perguntas (umas sete a oito), em inglês, com tradução de um intérprete: “Levante a mão quem viveu um grande amor, mas algo quebrou-se na relação e ele chegou ao fim” (quase toda a plateia levantou – rs).

Algo que noto e que me agrada é a ousadia das coreografias, ao apoderar-se cada vez mais de recursos do teatro, da mímica, das artes visuais, da performance etc. Acho enriquecedoras essas experiências e é com isso que a arte, de um modo geral, avança.

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