Amor proibido na China moderna

Assisti ontem, entre comovido e triste, ao filme As Filhas do Botânico, de Dai Sijie, produção francesa-canadense, e a primeira coisa que me chamou a atenção foi a fotografia. É como se a fotografia fosse um personagem à parte. O enredo se passa na China dos anos 1980 e conta a história de uma jovem órfã, mestiça de russo com chinesa, que sai de seu orfanato para fazer um curso de medicina natural na casa de um botânico de renome. Lá ela conhece a filha do botânico e o que nasce daí só pode ser descrito como “amor de perdição”.

Isso tudo se passa numa China politicamente comunista, mas de economia ferozmente capitalista, ainda profundamente afundada em preconceitos sexuais arcaicos. O resultado do amor dessas meninas, você vê logo no início, não vai ser dos melhores. Apesar de ser a crônica de uma tragédia anunciada, o filme é de uma delicadeza que só os orientais conseguem sustentar. Mesmo assim, é bom lembrar que o filme foi todo filmado no Vietnam, já que na China falar em homossexualismo é tabu que termina em pena de morte.

Eu não tenho nada contra o povo chinês, mas tenho um ódio visceral pelo regime chinês. Se você quer me entender, apenas acompanhe o noticiário atual sobre o artista plástico Wei Wei, impossibilitado de exercer sua arte. A China busca a modernidade nos moldes das sociedades de consumo, mas não abre mãos de suas tradições, muitas delas nefastas para a liberdade do ser humano.

Pois bem, não quero me estender muito sobre o assunto. Só queria partilhar com vocês o prazer de fruir esta bela obra de arte que é As Filhas do Botânico.

Jornalista e escritor. [ Ver todos os artigos ]

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