Amoras

Amoras

Coser com linha de prata as memórias…
E dizer:
Jaz… Aqui
Ao que já, não é… E jamais será…
Refazer dos trapos, o ninho perdido,
Sem chorar…
Ser, apenas ser… Sem desejar o sempre
… Mesmo sem saber para onde;
Caminhar…
Um olho no caminho ,
Outro no infinito
“Agora”.
Trilhar a areia quente do deserto, lamber o medo,
Com ombros cansados, erguer a cabeça… E…
Comer as sobras do desconhecido instante que restou.
É nas horas tristes dos percalços, que se descobre
A alegria que há no despertar em liberdade.
Depois da última dor;
Parir o assombro…
E, como uma ave, pelo espaço azul voar… Simples, sem medo, sem espera…
Nua de mentiras, entregue a sí mesma, amar-se sem limites,
Sentir o fogo que arde e cura… Restaurar a alma
Dar um abraço na face da mentira.
E sem escrúpulos dizer-lhe que não é verdade
Dispersa de mágoas,
Sem olhar para trás… Digo:
Dá-me tuas mãos, doce abrigo… Meu…
Logo eu, que andei pisando torturas no meu desmedido querer…
Logo eu… Eu… “Deliro em euforia” e de contente rio do descontente …
Não, não posso querer outra felicidade…
Esta que tenho, sou dentro de mim
E sem pressa dei-me por dona das minhas horas,
Já não creio nesta febre que mata tolos.
Tornei-me assim feliz ateu, e suave como uma pétala
Perambulo … Sem tempo que me tome ou açoite…
Meu olhar no horizonte permanece
Vou na direção da vida, saboreando cada fruto:
É doce… Viver é doce
Pitangas maduras, jabuticabas, cajus…
Derramam na paz do meu pomar,
Perfumes de ternas flores…
Amoras…

(Ednar Andrade).

(*12*01*20011*)

Comentários

There is 1 comment for this article
  1. Anne Guimarâes 18 de janeiro de 2011 20:09

    Olá poeta!

    Quero dizer que adorei o seu poema…não sei se por uma identificação imediata com o meu “Eu” lírico mais vivo, ou porque na sua poesia eu esbarrei em frases perfeitas, belas na sua profundidade de dizer a minha também verdade… Gostei muito e o título então… me traz na memória um sonho claro que perdi ou que ainda não veio, mas existe lá no céu…
    Parabèns pela construção bem estruturada de palavras e cenas e reticências…
    Um abraço literário.
    🙂

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