Ana de Hollanda diz ter sido vítima de ataques ‘baixos’

Por Gabriela Guerreiro e Flávia Foreque
Colaborou Erich Decat, de Brasília

NA FSP

Criticada por setores ligados a seus antecessores na pasta, ex-ministra atribui saída por ter se oposto a ‘muitos interesses’. Presidente define Marta Suplicy como ‘amiga e companheira’; nova ministra evita falar sobre gestão anterior

Demitida do Ministério da Cultura pela presidente Dilma Rousseff, Ana de Hollanda disse, ao transmitir o cargo para Marta Suplicy, que foi vítima de ataques “baixos” e que sai da pasta por ter contrariado “muitos interesses”.

“Todo tempo eu tive ao meu lado o racional para entender quem é que está atrás disso. Por que pessoas que não me conhecem falam coisas tão baixas? Aí eu disse: não é comigo. É a responsabilidade do cargo que estou ocupando”, afirmou.

Ao empossar Marta, Dilma admitiu que Ana de Hollanda recebeu “pressões muitas vezes injustas” em sua gestão, que “nem sempre foi fácil”. “Agradeço de coração por sua lealdade, pelo sacrifício da vida pessoal, pela maneira histórica com que enfrentou as pressões, muitas vezes injustas e excessivas”, disse a presidente.

A gestão de Ana de Hollanda foi, praticamente desde o seu início, alvo de duras críticas de setores ligados aos seus antecessores no ministério durante o governo Lula -Gilberto Gil e Juca Ferreira.

Isso porque ela rompeu com boa parte das prioridades definidas por eles, incluindo a flexibilização dos direitos autorais.

Mesmo se dizendo convicta de que sua gestão teve o apoio do Planalto, Ana de Hollanda afirmou não ter sido avisada com antecedência que seria substituída. Mas declarou ser “fã” da presidente e chorou quando Dilma fez elogios à sua gestão e lembrou parte de suas ações.

“Eu contrariei talvez muitos interesses. A isso as pessoas reagem às vezes de uma forma muito rude. Não pensam que estão tratando de uma pessoa, de um ser humano”, disse Ana de Hollanda.A agora ex-ministra negou que a motivação de sua demissão tenha sido o vazamento de carta endereçada à colega Miriam Belchior (Planejamento), em que pediu mais recursos. “Isso todos os ministros fazem.”

No evento Dilma disse que Marta terá no próximo ano cerca de 65% mais verba do que Ana teve neste ano -em 2013 a pasta terá R$ 3 bilhões, além de R$ 2,2 bilhões por meio de leis de incentivo.

Ao defender a difusão cultural no país, a presidente disse ser “impressionante” que muitos brasileiros “jamais tenham chegado a um cinema, a um teatro” e citou um trecho da canção “Comida”. “Faz lembrar aquela música dos Titãs: ‘A gente não quer só comida; a gente quer comida, diversão e arte’.”

A presidente se referiu a Marta como “amiga e companheira”, citando a sua experiência administrativa -como na Prefeitura de São Paulo. “Eu não peço só a Deus, eu peço a você que coordene a área da cultura, trabalhe por ela e a leve à frente.”

Marta evitou detalhar como vai ser a sua gestão, mas prometeu trabalhar para “unir o setor cultural” e elogiou a atuação de Gil e Ferreira no ministério.

A nova ministra evitou falar sobre as polêmicas envolvendo a antecessora. Afirmou que terá um “extenso trabalho” em sua nova função.

A senadora elogiou a coragem e a gentileza da antecessora e disse que Dilma é uma “mulher arretada, forte e competente”.

Comments

There is 1 comment for this article
  1. Jóis Alberto 14 de Setembro de 2012 14:47

    1) Agora (14/09/12) que Marta Suplicy tomou posse no cargo de ministra da Cultura do Governo Dilma, espero que a nova ministra tenha a necessária consciência de que a política cultural não é feita apenas pelo Estado, mas também com a participação dos mais diversos segmentos e/ou atores políticos da sociedade civil, desde os movimentos populares às instituições ligadas à iniciativa privada, como por exemplo o Sesc, Senai e o Sebrae. Porque nem oito nem oitenta! Marta não pode deixar a imprensa neoliberal divulgar uma imagem de que ela trabalha apenas para o Estado, em detrimento da iniciativa privada, da mesma forma como a antecessora dela, Ana de Hollanda, errou ao deixar uma imagem de priorizar as ações culturais voltadas para interesses corporativistas, empresariais, da indústria cultural e dos neoliberais!

    2) Como todos sabem, houve várias deturpações na Lei Rouanet, como a concentração de recursos da renúncia fiscal no eixo Rio-São Paulo. Essa legislação vem sendo revista desde a época de Juca Ferreira frente ao MinC, através da legislação do Programa Nacional de Fomento e Incentivo à Cultura, o PROCULTURA, enviado ao Congresso Nacional em 2010. Como vocês devem saber, o Projeto de Lei 6722/2010 institui o PROCULTURA, a ser implementado com outros mecanismos, como Fundo Nacional de Cultura e o Vale Cultura…

    3) Além da participação de políticos, artistas, intelectuais, dentre outros, na defesa do SNC e da reformulação da Lei Rouanet, com a implantação de outros mecanismos, como o Vale Cultura, o que posso acrescentar de positivo, nessa questão acerca da participação da iniciativa privada – vai essa expressão na falta de outra melhor – na implantação do SNC, é o elogiável trabalho do Sebrae/RN, por exemplo, que editou recente cartilha sobre o “Sistema Nacional de Cultura – Saiba Mais – Adesão do Município ao Sistema Nacional de Cultura. Instituição do Conselho Municipal de Políticas Culturais” (Natal/RN: 2011, 40 páginas). A plaquette é uma reunião de alguns textos já divulgados pelo Ministério da Cultura através do site oficial http://www.cultura.gov.br, especialmente no blog do Sistema Nacional de Cultura:

    http://blogs.cultura.gov.br/snc/

    e no Guia de Orientações para os Municípios Perguntas e Respostas, publicado em maio de 2011, também disponível na internet:

    http://blogs.cultura.gov.br/snc/files/2011/01/cartilha-SNC.pdf.

    O objetivo é fornecer aos municípios do RN conteúdo, do próprio MinC, para melhor compreensão no processo de adesão ao SNC e a instituir Conselho Municipal de Política Cultural.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Go to TOP