Andar com fé…

A Igreja Católica está em crise. Isso é um fato. Por sinal, não me lembro, nos meus 40 anos de vida, de ter visto um tamanho abalo nas estruturas do Vaticano. A longa história de abusos sexuais contra menores e contra fieis, e mesmo contra alguns religiosos e religiosas que sustentam o travejamento mor da igreja, demonstra que chegou a hora de mudar. E essa crise que expõe , de maneira translúcida, essa urgência pelo novo, chega exatamente quando está no lugar central, sentado no trono dourado, um papa com características ultra-conservadoras.

Por isso mesmo, paradoxalmente, acredito que as mudanças vêm aí. Até porque, quando o galho é duro demais e não verga, termina quebrando… E aí não adianta somente pedir desculpas.

Não sou profeta nem nadinha, mas já começo a vislumbrar, por exemplo, o fim do celibato e do voto de castidade. Para quê isso nos tempos atuais? Para quê, meu Deus? Somente fomenta as taras humanas. Sim, as taras são humanas. Mas, talvez o Papa e os seus principais seguidores e defensores não saibam disso e, delirando num sonho de estar acima da humanidade, queiram esconder o sol com uma peneira de cozinha. Enquanto isso, lá na cozinha do Vaticano…

O problema é sério e já ameaça até a continuidade do atual papado. É claro que isso deve estar sendo discutido diariamente, com vistas a algumas medidas, a portas fechadas. Por sinal, de portas fechadas as autoridades católicas entendem tudo.

Sou católico, por herança familiar. Não sou praticante, mas ainda mantenho princípios e alguns vetores do cristianismo católico. Mas, confesso que estou cansado de várias mentiras históricas da religião. Não somente da Igreja Católica (que ainda considero a mais racional, a mais lógica, apesar de tudo). O dinheiro que alguns religiosos levam das pessoas, às vezes sem finalidade pronunciável que se possa revelar, merece a fiscalização constante do Ministério Público e de outras entidades. A utilização da fé como uma maneira de galgar o poder político e econômico é outro grave problema. Este envolve muito mais nitidamente, ao menos nos dias atuais, algumas vertentes dos evangélicos.

Todos, inclusive, têm avançado na luta pela obtenção da primazia nos meios de comunicação, na mídia competitiva, açodada e agressiva. Às vezes para os fins corretos da evangelização, às vezes para outros fins impublicáveis.

O falso moralismo também contamina a Igreja e desinforma em pleno século XXI, trazendo prejuízos quando propõe, por exemplo, que não se use camisinha, nem se aborte em nenhum caso. É evidente que generalizar é sempre um erro.

Por isso mesmo, não generalizamos. Sabemos que há os religiosos com profunda fé e que praticam o bem, a todo custo. Santos homens e mulheres. Cada vez mais raros, mas existentes e resistentes.

De qualquer sorte, a rigidez dos dogmas e a desonestidade moral e intelectual de boa parte dos religiosos de nossos dias termina abalando mesmo a estrutura da igreja. De qualquer igreja.

Apesar de tudo, mantenhamos a fé…

Advogado público e escritor/poeta. Membro da Academia Norte-Rio-Grandense de Letras. [ Ver todos os artigos ]

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