ANÊMONA

Por Carlos Gurgel

mil vezes te esperei
como um lenço branco
que recorta palavras e silêncios

como um rosto
com seus olhos misteriosos e profundos
pronunciando a rota de uma vida
binôculo de tudo que um néctar deseja

e o esboço
como um percurso sem data e hora
chamava e descobria a vela rodeada de paixão e cânhamos

andávamos
como espólio de uma bigorna tão lírica
entre lenços, lanternas, perfumes e jardins
um louco frenesi de espera e entrega

por fim
o vago de um vento
que do interior quintal
bordou a roupa de tudo que sonhávamos:
lua, fusô, saibro, reinol e estrênuo.

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