Anotações à margem

Por Nei Leandro de Castro

O jornalista Samarone Lima passou uma temporada em Cuba, sem revelar sua profissão, se hospedou em casas de cubanos, fez anotações do dia-a-dia de um país que vive sob um regime socialista desde 1959. Resultado disso foi o livro “Viagem ao crepúsculo”, editora Casa das Musas, 2009. A realidade vivida por Samarone diverge profundamente daquela observada por admiradores de Fidel Castro. Segundo o autor, a falta de alimentos na mesa do cubano atinge dimensões de tragédia. O acesso à carne, ao leite, ao pão, ao açúcar é uma batalha travada todos os dias. Os que detêm uma parcela de poder, por menor que seja, não só conseguem esses bens, como também ganham dinheiro com suas vendas ilegais. As trapaças se dão em todos os níveis e geralmente quem paga a conta é o lado mais fraco, o cidadão comum, a dona de casa aflita que precisa alimentar seus filhos. A pobreza é uma bandeira desfraldada. A prostituição, a preço de banana, pode ser vista por todas as ruas de Havana. Não se pode, sem comprovação “in loco”, aceitar como verdade absoluta as informações de Samarone Lima. Mas ficam as dúvidas. Noutro aspecto, o jornalista recifense poderia ter feito um livro melhor, com mais prazer de leitura, se não descambasse para umas bobagens de estilo, umas brincadeirinhas sem graça, revelações indiscretas que chegam ao cúmulo quando ele relata suas sonoras flatulências. Um jornalista experiente não tem o direito de cometer asneiras de um foca que ainda não equilibra uma bola no focinho. (Publicado na Tribuna do Norte)

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