Anotações sobre arte e cultura

A gente vai acumulando impressões e informações e, de repente, vê-se na necessidade de dar vazão a tudo que está reunido na mente e no coração, compartilhando e dialogando com outros espíritos sensíveis acerca dessas coisas que, para alguns, nada significam. Para mim, claro, são essenciais, vitais mesmo. E trouxe, por isso mesmo, algumas ligeiras anotações do meu caderninho e do meu momento e pensamento acerca desse caldeirão de coisas da arte e da cultura, daqui ou dacolá. Eis uns pontos que lhes trago agora:

Um artista “felomenal”. Infelizmente perdemos o ator, diretor e crítico José Wilker, aos 66 anos de idade. Um cara que marcou época e já possuía uma obra imensa e muito peculiar, tanto em cinema e televisão, quanto no teatro (sua faceta menos conhecida, mas não menos importante). Pra mim, seu melhor e inesquecível desempenho dramático foi na pele do “Lorde Cigano” no filme “Bye, bye, Brasil”, dirigido por Cacá Diegues. A atriz Lília Cabral lhe prestou pequena homenagem ao fim da peça “Maria do Caritó”, no Teatro Riachuelo. Confesso que me emocionei naquele momento.

Sobre “O livro de Corintha”. Quando concluí a leitura do romance “O livro de Corintha” (Prêmio Pernambuco de Literatura), de autoria do grande escritor Fernando Monteiro, pude ter uma visão circular e abrangente da importante obra que eu tinha em mãos. A narrativa contundente, algo fragmentária e enigmática, impressionou-me de fato. Na verdade, trata-se de uma imbricação de narrativas e narradores, leitores e observadores da cena vista e revista por muitos ângulos, num jogo de espelhos, num jogo de olhares, num universo de enganos e desenganos, encantos e desencantos. Aconselho a leitura. Aconselho essa aventura literária, da qual não se sai como se ingressa.

Sesi Big Band e Taryin Szpilman no TAM. Um êxtase o show do dia 29 de março, no Teatro Alberto Maranhão. A surpreendente SESI Big Band foi massa, tendo também a presença cativante de Bruna Hetzel e o colosso loiro, magistral cantora de Jazz e Blues, que se chama Taryin Szpilman. Noite pra jamais se esquecer. Os grandes clássicos dessa seara sendo interpretados com excelência. Repito: noite para jamais se esquecer!

Game of Thrones. Pode até ser que exista, mas eu nunca vi um seriado de qualidade tão elevada como “Game of Thrones”. A partir desse último domingo, 06 de abril, começou no canal HBO a nova (quarta) e eletrizante temporada da série. Um deslumbre. Se você for pego, vai se viciar. Garanto.

Sábados de Ramos. Taí um projeto que nasceu despretensioso e já obteve sucesso. Nas três primeiras versões, homenagens aos poetas, à poesia de Luís Carlos Guimarães, Deífilo Gurgel e Jorge Fernandes. Artistas e interessados de diversos segmentos compareceram a essas três tardes maravilhosas no centro histórico de Natal, no interior e imediações do Sebo Balalaika, de Severino Ramos. Ajudei, honrado, na idealização desses eventos/movimentos. Quem toca pra frente, de fato, é o próprio Ramos, com o auxílio luxuoso do chef Alexandre Gurgel e do poeta João Barra. E mais um bocado de gente boa e do bem.

Festival Varilux de Cinema Francês. Vem aí mais uma versão desse belo Festival. As sessões serão no Moviecom do Praia Shopping. Fiquem atentos, porque já começa no dia 09 deste mês. Programação é vasta e conta até com homenagem ao grande François Truffaut.

Advogado público e escritor/poeta. Membro da Academia Norte-Rio-Grandense de Letras. [ Ver todos os artigos ]

Comentários

Há 10 comentários para esta postagem
  1. Lívio Oliveira 10 de abril de 2014 17:37

    Amigos, amigas, não sou produtor cultural. Não tenho pretensões de ser menos ou mais importante que ninguém. E, realmente, nunca saberei se sou poeta com pêzinho ou com PÊZÃO. Isso não é preocupação minha. Mas, taí o que tenho condições de fazer…..provocar um pouco de debate. Defino-me mais como um “provocador cultural” (se é que isso existe), que às vezes faz o pessoalzinho sacodir a própria poeira e tirar um bocado de teias de aranha dos sovacos. Fico grato pela leitura de minhas humildes ou úmidas palavras.

  2. Ednar Andrade 10 de abril de 2014 9:16

    E por falar em alegria 🙂 onde anda Tácito Costa que o SP não V ???

    Rssss……

    Bom dia,poetas,bom dia,escritores,mestres queridos e amados amigos .

    E a todos os cultos ….

    CULTURA.

    A todos,beijos e paz………………………………

  3. Jarbas Martins 10 de abril de 2014 9:11

    em tempo, Marco, sou apenas o terceiro poeta mais conhecido de Angicos.poeta com p minúsculo e iniciais grafadas com letras do tamanho do talento que não tenho. ablação.

  4. Jarbas Martins 10 de abril de 2014 8:38

    umor com U maiúsculo, é o que faz você, MARCO (sem esse). nunca me deliciei tanto com seu comentário..o POETALÍVIO começou a chamar a atenção para sua poesia, justamente pela habilidade com o velho trocadilho que, afinal, é próprio da poesia, desde a Bíblia. procurem que vão encontrar no Livro Sagrado ninharias divinas como o trocadilho, jogos de palavras etc. e como o umor judaico é fértil.! a sua culminância topa no nosso contemporâneo UDE ALLEN, de quem já vi quase todos os filmes. aprendi dia desses numa entrevista na VEJA (ela às vezes me é útil) que o nome ISAAC quer quer dizer:” aquele que rirá”. é issoaí: VAMOS RIR..
    .

  5. Marcos Silva 10 de abril de 2014 5:43

    Os comentários de Lívio são ótimos para se sentir o pulso de culturas em andamento, fazeres de saberes.
    A caracterização que Jarbas fez dele (Poeta Com P Maiúsculo – maiusculei tudo) é curiosa, lembra o Homem com H d’antanho – quando ouvi essa musica pela primeira vez, pensei nas paráfrases Hímen com H e Ímã com H, gosto mais da última, hímenes (olha o plural erudito!) caíram em desuso. O poeta e. e. cummings, que escrevia tudo com minúsculas, deve ser poeta com p minúsculo – p de poeta, é claro, antes que alguém pense noutro atributo do escritor!
    É tudo brincadeira, Lívio, gosto muito de vc e de Jarbas, acordei de bom humor. Viva a Poesia e abaixo a anorexia.

  6. Jarbas Martins 9 de abril de 2014 11:49

    Além de poeta com P maiúsculo, Lívio é um produtor cultural.Um nome, em nosso Estado, tão importante quanto Dácio Galvão.

  7. Lívio Oliveira 8 de abril de 2014 16:24

    Oba! Que bom que se divertiram com essas palavrinhas ajuntadas!

  8. Anchieta Rolim 8 de abril de 2014 15:55

    Texto massa. É isso ai, Lívio!

  9. François Silvestre 8 de abril de 2014 15:40

    Despretensiosamente Lívio produz um texto literário de inestimável valor. Parabéns, poeta.

  10. Paulo Caldas Neto 8 de abril de 2014 11:53

    Bacana, Lívio!

    Você, como sempre, antenado ao cenário literário local! Aliás, nós dois! rsrsrs…

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

ao topo