anti-jornalismo psicogeográfico

Nalva Café Salão

vagal, tendo cruzado um alecrim inteiro, desci de ônibus a ladeira que finda no cultura clube, onde vi pessoas pintando paredes e pensei no que daniel minchoni expôs, recentemente, numa discussão na página de pedro ivo no facebook, diferenciando a arte do grafite da técnica do grafite para rebater a acusação, feita por vicente vitoriano, num desses jornalecos desta miami provinciana e depravada, de que o grafite fora institucionalizado. minchoni defende, basicamente, que a técnica do grafite hoje usada em galerias e outros espaços institucionais (a saber, circuitos culturais, paredes autorizadas, …) não corresponde à arte do grafite, que se caracterizaria pelo drible da institucionalização, pela potência de crime poético e pela apropriação de espaços não destinados. concordo. e, então, ambos, eu e minchoni, devemos concordar que não se viu grafite nesse domingo no circuito cultural ribeira mas, sim, a apropriação da técnica (e dos técnicos) pela instituição.¹

nalva recebeu-me educadamente quando eu cheguei cedo demais e passei pelo café salão para vestir a máscara de homem-bomba² que eu tinha preparada para a ocasião. fiz isso no circuito passado e achei interessante poder, de forma obviamente imprecisa, lidar com uma economia do medo que a figura do pano cobrindo o rosto livrando só os olhos suscita. quando, já mascarado – tendo me despedido de nalva e seguido com pateta e igor -, vi o beco da quarentena limpo só me entristeceu o fato de os escombros de uma certa casa terem sido retirados. o fato é que, mês passado, com a máscara do homem-bomba, posicionei-me exatamente sobre os escombros dessa casa e criei o que a mim me pareceu, depois, numa masturbação alegórica, uma cena épica: o cortejo de lavagem do beco, com a beleza forte de uma ângela lançando água de cheiro seguida de gente vestida de branco, fazendo música xamânica, pessoas lindas (afoxé estrela da manhã e rosa de pedra, na ocasião, eu suponho) invadindo a imundice da viela, passando diante de mim com máscara de homem-bomba sobre os escombros de uma construção demolida. ei, buca dantas, consiga-me aquelas imagens que eu vi você fazer!

a respeito do cortejo, passei por ele em frente à casa da ribeira, depois de ver três solos de dança contemporânea que não vale a pena comentar no espaço gira dança, e logo segui. mas encontrei sara no meio do caminho e quis voltar para acompanhá-la, sendo que fui repelido pelo jingle da lavagem do beco da quarentena³, que – talvez pelo fato de estar ali no front da casa da ribeira – me fez pensar em cargo cult4 (e eu certamente teria preferido ouvir a música do gainsbourg no lugar da sagração do latifúndio simbólico que aquele jingle evoca). isso me fez lembrar o quão desagradável é sentar e tomar uma cerveja no bar da suástica (que fica ali, próximo ao agora seleto buraco da catita). francamente, fazer um bar conjugado a um museu com referências à segunda grande guerra (suásticas no chão, quadros com famílias felizes na guerra na parede, segurança grandão barrando mendigos na porta) é uma idéia tão deprimente quanto a de transformar o buraco da catita, que começou mambembe e lotado de gente cabeça e livre, num pagode burguês para famílias eruditas. vou propor ao augusto lula d’a gente fazer um vídeo, em tom de galhofa publiciotária, seguindo o seguinte roteiro: uma banda de rock tocando e uma câmera filmando jovens felizes dançando o twist num chão repleto de suásticas, depois cortando para tios e tias acompanhados de sobrinhos gorduchos ouvindo chorinho. se augusto lula não topar, é possível que o joseph goebbels5 adore e queira produzir. é nóis!

tive sorte de chegar ao café salão no instante exato de dar um abraço apertado em civone, que estava nervosa6 para a sua entrada. acompanhei sua trajetória diante de um público mais ou menos displicente, chorei minha tristeza e a dela e ouvi atento cada palavra de sua caçada. quando, na hora dos aplausos, um grupo de pessoas que sequer estavam olhando a apresentação aplaudiu acompanhando bobamente a maré, eu cantarolei a letra do mombojó (“as luzes e as palmas já são o bastante pra quem quer se enganar”)7 e lamentei essa nossa caatinga existencial. agora lembrei de quando @toligadoboe, que também tava pintando as paredes do circuito, desencorajou a crítica-ativista da cultura desta cidade com base na idéia de que nós não temos um cenário constituído. vou pular esse assunto pra falar de quando eu quis ir explicar, pessoalmente, ao patrício jr. que eu sou free de freudices e que supor que o que me impulsiona a criticar as coisas é o recalque é um grande desperdício de saliva depois do anti-édipo. ele foi educadíssimo ao tentar me explicar que o ponto da crítica dele não é esse, mas sim a minha agressividade que faz extraviar o conteúdo do que escrevo. e eu aqui reitero meu desprezo por reuniões de tias que se xingam com meias palavras bebendo chá. gosto daquele verso do chico buarque cantado por lenine: “eu sou mais as putas!8

o show do donizete lima, que foi animado pela platéia que adora quem faz cover de alguma coisa,  começou e eu fiquei conversando amenidades aos berros com civone. depois saímos para respirar (e se ouvir) na calçada, mas nos separamos. aproveitei a oportunidade (civone não fuma maconha) e fui fumar um beque no canteiro central, até que fui assustado pelas luzes de duas viaturas da biopolícia, que ainda fizeram aquele barulho tenebroso, como cães de guarda latindo para certificar aos passantes que eles estão sendo acossados. não demorou e eu fui embora para a parada, subi num 44 junto a uma moça muito bonita, estudante de filosofia, com quem conversei sobre como o circuito cultural ribeira é um evento interessante por ser multicultural e conectar a ribeira em vários pontos, gerando um trânsito fantástico de pessoas. concordei com ela e concordo. acho que nunca questionei aqui a qualidade do circuito, questionei apenas a demagogia da propaganda, as falhas do discurso e a latente e potencial higiene social que a proposta de transformar a ribeira num lugar agradável para a classe média9 traz consigo. tirando isso, tudo certo.

desci do ônibus e subi a ladeira que dá na minha casa pensando na ribeira de ninguém e cantando aquela ode aos ratos de chico, só que na versão rock and roll de ney mattogrosso10: “rato de rua irrequieta criatura, tribo em frenética proliferação… saqueador da metrópole,
tenaz roedor de toda esperança, estuporador da ilusão: Ó! Meu semelhante,
Filho de Deus, Meu Irmão!”

– – –

¹ urgentemente, peço que percebam: o fato de ter-se institucionalizado o grafite não o desmerece. eu, por exemplo, fiquei encantado com o trabalho de Sinhá no (agora limpo) Beco da Quarentena, assim como aquele próximo ao machadão também me emociona – parece que algo me liga a essa obra; disse no twitter outro dia que ela me remete à minha mãe.

² registre-se: homens-bomba de verdade, conforme paradise now, não vestem o pano cobrindo o rosto livrando apenas os olhos, vestem-se para não ser notados. mas a indumentária usada por rebeldes na palestina me serve de signo, já que a difusão do bioterror classificou-os como o esteriótipo do terrorista.

³ este, certamente, será compartilhado na publicidade do circuito, porque parece mesmo um momento mágico de exaltação ao circuito e à sua ação emancipadora da ribeira.

4 http://en.wikipedia.org/wiki/Cargo_cult e http://www.youtube.com/watch?v=oE853xWLsE8

5 ele mesmo: o propagandaminister da alemanha nazista.

6 escrevi estes versinhos inspirado nisso: treme medrosa a mão do poeta/ diante do insustentável peso da palavra

7 http://www.youtube.com/watch?v=HX7EkEfSjyw

8 http://www.youtube.com/watch?v=EPUjtmt3OiU

9 quero lembrar que a classe média não gosta de ruas sujas, e que a classe média vê moradores de rua como sujeira, e que, por uma progressão lógica, o intento de revitalizar a ribeira “limpando-a” pode implicar numa higiene social capaz de empurrar os moradores de rua prum gueto ainda mais inóspito. ouvi dizer que em são paulo às 5-6 da manhã  tem um toque de recolher acordando mendigos para manter a rua limpa (espero que ninguém entenda isso como uma sugestão!).

10 http://www.youtube.com/watch?v=RWxwj_2JQyY

Comentários

Há 30 comentários para esta postagem
  1. Luz Del Fuego 17 de julho de 2011 6:11

    Ótimo, aproveita e experimenta dizer que ganhou cargos no governo e que vai precisar nomear algumas pessoas…

  2. Jota Mombaça 16 de julho de 2011 10:37

    Alex, vamos entornar alguma coisa em algum lugar do beco dos frustrados enquanto os urubus fascistas sobrevoam eldorado sem perceber o ouro que não reluz.

  3. Alex de Souza 16 de julho de 2011 8:44

    Quem for artista frustrado aí que levante a mão! o/

  4. Luz Del Fuego 16 de julho de 2011 3:14

    Todos que você defende são pseudos anarquistas, ofereça dinheiro de campanha, a coisa muda de figura bem rapidinho. Pergunta sobre o dinheiro do PROFINC, alguém deixou de pagar os artistas e colocou dentes novos.Não seja ingênuo e não deixe que te usem, essa gente só quer platéia, fazer arte que é bom…

  5. Luz Del Fuego 16 de julho de 2011 2:59

    Acredito no trabalho, admiro quem trabalha, simples assim! Não se prenda a essa falsa anarquia. As pessoas que você citou adoram espumantes, principalmente se forem bancados pelo governo!

  6. Luz Del Fuego 15 de julho de 2011 19:22

    Essa cidade é muito provinciana, povoada de invejosos que adoram criticar quem trabalha. O espaço da Nalva Melo e o Beco da Lama são velhos conhecidos por concentrarem artistas frustrados, que passam o dia e a noite entornando copos e reclamando de tudo e de todos. Jota parece ser bem inteligente, escreve bem, mas já foi contaminado pelos micróbios, que não fazem nada, mas se denominam poetas. Essa oposição é um grande retrocesso cultural, por isso que a velha praga de Cascudo não é quebrada. Parem de pagar 100, pra neguinho não ganhar 10!!

  7. Alex Cordeiro 8 de julho de 2011 20:42

    Palavras excitantes, Jota. Elas descentralizam os discursos e combatem uma mediocridade formal e intelectual aparentemente instaurada no cotidiano cultural de Natal. Tão sensíveis quanto o simbólico ato de limpar um beco que por mais branco que seja, jamais perderá a fonte de lugar proibido (onde se mija, se fuma um baseado, fode e se fode!). Essa tua capacidade de olhar o ambiente com o corpo todo e ampliá-lo com uma lente potente me toca. Tuas palavras são ferozes. O embate sincero e direto que tú empurra goela abaixo é urgente. Enquanto ao teu desapontamento com a retirada dos escombros, não te preocupes, Natal é a cidade das Dunas e não consigo encopntrar imagem tão perfeita como essa para ilustrar o óbviu. Com um pouco de paciência verás que os escombros voltarão… Natal tem se tornado uma cidade de passantes… Do “lembra daquele lugar massa que a gente ia?”

  8. Hal Foster 6 de julho de 2011 13:41

    “O artista se torna
    um manipulador
    de signos mais do que um
    produtor de objetos de arte;
    e o espectador, um leitor ativo
    de mensagens mais do que um
    contemplador passivo
    da estética
    ou o consumidor
    do espetacular”

    Hal Foster

  9. Tatiane Fernandes 5 de julho de 2011 10:20

    Passave pelo Beco da Quarentena, domingo, chuva, tintas… um belo rosto..latas coloridas, seios e bocas em paredes que a pouco fediam, estranho que eu sempre via esse colorido mesmo quando ele não estava lá!! Olho dentro de olhos entre panos, aceno, cumprimento, mas eu não estava lá, aqueles olhos passaram pelos meus como se eu fosse ar, invisível! Meu espítiro me provocou a parar, acreditar que os olhos fantasiados me dissessem em palavras da minha invisibilidade… E agora eu leio… o colorido esse passageiro como vida, o rosto bonito, os seios… as bocas… talvez não estejam mais lá… mas eu ainda os vejo como antes.

  10. Denise Araújo Correia 4 de julho de 2011 21:03

    Edjane e Mombaça

    Edjane, também não conhecia esta cruel realidade. É desolador. Sem palavras…

    Jota, esta chaga da limpeza social não é novidade aqui. Na verdade ela já aconteceu, só que com outro viés de desumanidade. Era PM em 2006 e 2007 e meus colegas viajaram para fazer nos morros cariocas uma limpeza durante os jogos panamericanos. Inúmeras famílias pobres receberam uma quantia de 100,00 R$ mensais durante poucos meses e muitos jovens passaram por cursos fracos de inglês, atendimento aos turistas e outros do gênero. Uma grana pesada foi investida nisso. Tudo com o intento (velado, claro) de esconder qualquer imagem de pobreza do RJ ou quem sabe aquietar a marginalidade, para nada ressoar internacionalmente. Parece que funcionou.

  11. marcus 4 de julho de 2011 20:01

    Os moradores de rua não são os culpados pela sujeira da Ribeira. Sabemos quem são os maiores sujismundos. Isso não me obriga a aderir à estética do estrume.

  12. Jarbas Martins 4 de julho de 2011 19:23

    e o recado de glauco mattoso que eu queria enviar?

  13. Jota Mombaça 4 de julho de 2011 18:26

    Edjane, você traz uma questão importante que precisaremos discutir aqui também, a copa. Aí entra tanto a limpeza social quanto a recolonização da boiada papa-jerimum. Mas quanto à limpeza social, você me abriu uma ferida enorme mostrando esse vídeo, que eu ainda não conhecia. Obrigado.

  14. Jarbas Martins 4 de julho de 2011 18:20

    e vai aí um recado de um tiozão chegado a um heavy graffiti

  15. Edjane Linhares 4 de julho de 2011 17:50

    Jota, a Copa vem aí e a limpeza social também. Lembrei do vídeo ‘Cidade de latas’, que talvez já tenha assistido.

  16. daniel minchoni 4 de julho de 2011 16:42

    não, nõa me incomodo dela ser pública agora qeu é mais ampla, quando falávamos do texto eu achava que estava restritiva. o probelma é que ampliando ela fica complicada neste espaço virtual, porqeu exige tréplicas e réplicas irritantes. ficar sempre tentnado esclarecer oq eu se quis dizer e o qeu foi entendendido. tme mutia coisa qeu acho qeu vocie deformou ou não compreendeu.

    o conceito que eu delimitei foi usado pra outra situação, não o seu exemplo. e usar ele pra delimitar uma outra questõa de moda simplificada é muito pobre, não? perco, eu, perde você e perdem seu leitores, concorda?

    não acho institucionalista ou coorporativista delimitar que a discussão do produtor/artista é mais importante do que do observador. a opinião do observador é imrpotante e isto é só o que me motiva a estar na rua. esta democracia do olhar qeu você aponta. mas a opiniõa do observador sobre a minha mensagem ou meu trabalho e nõa sobre qual o rótulo que pode levar meu trabalho. nisso aponto o artista como o real responsável por se encaixar, porque é ele que vai dizer o que ele é.

    se vocie continua insistir na intituição do graffiti, beleza, devo considerar limitada sua leitura sobre o qeu falei no facebook. claramente, o grafitti só é graffiti feito sobre as regras do graffiti, logo nõa pode ser intitucionalizado. você pode bater nesta tecla quantas vezes quiser, mas isto só vai se concretizar quando todos os graffiteiros deixarem de pintar na rua, livremente, e só pintarem na galeria. acho pouco proveavel. por isto citei hakim bey, pelo caráter efêmero do graffitti, garante-se a não institucionalização. vocie pode simplesmente falar que os gêmeos são artistas incorporados e assimilidados, (quem tem boca fala o que quer). valerá pra chaamr o foco pra você, mas quem está de fato na rua sabe que tdodo o dinheiro qeu eles ganahm voltam como um murro na cara da sociedade, ocm a quantidade de bombs e tags e pixos qeu eles fazem na cidade. Um leigo não sabe, porqeu acha qeu os gêmos nõa fazem vandalismo, mas eles estnao mantendo o estado de levante que falo que é importante nas TAZ, ou ZAT. O grafitti vive num constante esatdo de levante, mesmo “institucionalizado” leigamente por quem nõa compreende. o que estou esclarecendo é que o simples fato de vocie achar que o graffiti foi intitucionalizado não o intitucionaliza. quem faz sabe onde está. e foi justamente por isot qeu falei disso, porqeu de repente o vicente vitoriano vem querer intitucionalizar o graffiti da cabeça dele. com uma simples opinião, acho qeu nõa pode ser leviano assim, mas se você quiser ser não e eu não concordar eu não me torno “patrulha ideológica” por isto. (vale entender que quando falei sobre já tinha pensado muito bem sobre isto).

    se você está cagando e não patrulhando, sugiro que opine sobre os trabalhos e não sobre como estão sendo feitos ou em qeu conceitos se enquadra. não seria mais pertinente e interessante, uma leitura e não um dogma externo?

    não use levianamente o termo patrulha ideólogica pra se defender, porqeu quando questiono seu texto nõa estou questionando sua coerência, logo não estou patrulhando. mas quando vocie vem dizer o que é ou o que não é graffiti, isso é patrulha. não estou questionado seu “anti-jornalismo contra-ideológico”, estou sugerindo que faça isto com algum embasamento. talvez pela convivência com o pedro, com a céu, com a doce, e outros artistas de rua de natal, debatendo e formando o pensamento antes de começar a crítica. uma crítica é fruto de um pensamento e assim ela descortina um debate. uma simples opinião é outra coisa.

    não sei se a sociedade de fato perdeu prática de questionar-se. mas acho que pra questionar exige estudo, pesquisa e por isto acho que uma mera opinião travestido de artigo pode ser pretensiosa, perigosa ou até leviana. e se esta for sobre algo relacionado ao meu trabalho me sinto a vontade de propor questionamento so autor. como vejo que seu interesse não é ser somente um opinioso, sugeri que fizesse de outra forma. se você julgar isto patrulha ideológica ou só achou um trocadilho jocoso pra se defender fique a vontade pra ignorar minha sugestão. antes de escrever este texto, você já tinha questionado se a gente seria os mais indicados pra participar de um evento como “estrangeiros” sem nem saber se éramos de fato de fora de natal. por isto me parece que a coisa se reduz e parece ser alguma questão pessoal ou motivo plausível para que tenhamos qualquer coisa um contra o outro. questionar por questionar sucita este tipo de dúvida.

    então, quanto mais base, informação e possibilidades sobre o assunto permitem mais credibilidade e menos pessoabilidade. novamente cai no que falei, de quem sabe (e geralmente quem sabe é quem produz) pode apresentar argumentos melhores do qeu quem critica. veja que não há nada de “intitucionalização” nisso, só de conhecimento. fazendo vocie estuda, estudando você tem o que mostrar. só isto.

    não há pessoalidades nisso, são argumentos de uma vivência cotidiana. mais do que observador, de estudioso e pensador que aprende fazendo. espero ter sido mais claro.

  17. augustolula 4 de julho de 2011 16:37

    Como dizia Luis Carlos Maciel em “a morte organizada” ,final dos 70 inicio dos 80 “o sistema ou reprime ou absolve “.

  18. Jota Mombaça 4 de julho de 2011 16:35

    corrija-se: Hakim Bey (conheço a obra mas não sei escrever o nome. hahaha)

  19. nina rizzi 4 de julho de 2011 16:33

    Jota, saiu da pura retórica, que maravilha, menino. E um debate sério desse ainda me põe a rir:

    “recomendo começar a pesquisar sobre como se escreve”

    Lálálá…

  20. Jarbas Martins 4 de julho de 2011 16:24

    Estes últimos comentários, Tácito, tendo as idéias do nosso Jota Mombaça, como foco de discussão,- estão valendo mais que as discussões que os tiozões do SP têm travado aqui sobre os conceitos e a função da crítica. É a vitamina “E” do entusiasmo, como bem falou nosso velho Galeano!

  21. pedro ivo 4 de julho de 2011 16:02

    seu texto, jota, fala de uma coisa maior que poucos saberão nessa vida o que foi, o que é, e o que seria….a consciencia é algo individual, e a nossa pareçe casar! espero que um dia a guerra mental tambem seja uma arma em desuso, ou seremos eternamente esses édipos feridos pelo não poder deixar de o ser, abraços

  22. Jota Mombaça 4 de julho de 2011 15:53

    legal você aparecer, Minchoni, e não precisa se preocupar com a moderação que o Tácito é cabeça.

    O conceito que você apresentou lá no facebook delimita as bordas, então quem diz quem está ou não fazendo alguma coisa é o teu conceito, do qual me vali por achá-lo interessante. Parece-me ilusão pensar que o grafite resistirá eternamente à institucionalização sem que isso demande esforços conceituais enormes, é sabido que “a ordem” se apropria de tudo que encontra pela frente e que, por esse mesmo motivo, a contracultura precisa constamente transformar-se para não ser apropriada. É necessário entender a institucionalização como processo complexo e essa é uma discussão que queremos propor em roda-de-conversa pública e presencial – talvez falemos sobre isso depois.

    Em nenhum momento, questionei a validade do não-grafite de ontem como arte de rua, mas talvez uma definição do campo da arte-de-rua possa melhorar nossa compreensão desse fenômeno. Espero que você nos possa oferecer alguma, já que, sem dúvida, você manja mais do assunto do que eu. Mas eu acho uma grande bobagem confundir meu comentário com patrulha e censurar a minha opinião sobre o assunto simplesmente pelo fato de eu não pintar na rua. Devo dizer: essa postura me sugere uma compreensão institucional do grafite – ou seja, ele como campo define que um não-grafiteiro não pode lançar compreensões quanto ao fenômeno do grafite – como se os conceitos que o grafite articula não me alcançassem justamente pelo fato de estarem nas paredes das ruas por que passo. Se o grafite não é institucional, a discussão dele pode se dar nos mais diversificados âmbitos e não só no metiê da arte de rua. (vale pensar!)

    Notei um equívoco meu ao não diferenciar a arte da Sinhá no muro do Machadão da arte no muro do Beco da Quarentena: ainda segundo o teu conceito, no Machadão há grafite e no Beco da Quarentena não. Não sei de qual eu gosto mais, no que concerne a minha fruição¹, eu estou cagando pro que é grafite e pro que não é.

    Registre: conheço a obra de Hakin Bay e “jornalizado pela polícia ideológica”, apesar de ser uma tirada muito boa, acho que não cabe ao meu anti-jornalismo contra-ideológico. E nem a você, mesmo você sugerindo que o foco que eu escolhi dar ao meu ótimo texto deve ser mudado. Sem patrulhas, por favor.

    Quanto a esta discussão ocorrer aqui, no espaço deste SP, ou em qualquer outro sítio publico, sou a favor disso, porque não acho que os conceitos que circulam entre nós devam ficar detidos em nós, mas devem ser pulverizados de forma a suscitar a crítica nessa sociedade que há muito tempo perdeu a prática de questionar-se.

    Sobre você pensar que eu posso ter algo contra você, Sinhá e os outros, por favor, não faça isso, porque é justamente esse reducionismo idiota que me faz ter “problemas com o circuito cultural”. Não estou discutindo pessoalidades, nem sequer o conheço, e nem você a mim, por isso não há motivo plausível para que tenhamos qualquer coisa um contra o outro.

    ¹ essa palavra me faz parecer um babaca erudito

    post-scriptum: meu e-mail é jotamombaca_@hotmail.com, para o caso de você insistir em manter essa discussão de interesse público na esfera privada.

  23. daniel minchoni 4 de julho de 2011 14:41

    sabendo que meu comentário será moderado, como vi agora. reitero minha intenção de manter um diálogo, memso por email, se preferir publicar não há nada, mas se quiser dialogar por e-mail tambem fiqeu a vontade. abrax.

  24. daniel minchoni 4 de julho de 2011 14:38

    concordo, Jota Mombaça, o que ocorreu não foi graffiti. foi arte de rua. embora o da minha parede não tenha sido autorizado e ter tido todos os percalços de um muro sem autorização. mas pra que rotular? você não gostou? tem um bomb do lado do trabalho da sinhá que é o verdadeiro graffiti, porque não comentar sobre ele? eu só penso qeu qeum deve dizer o que é ou não é quem está fazendo então que tal se você deixasse pra o pedro ivo, a bia, a doce, fsbc, e outras pessoas entrarem neste mérito da questão. afirmo novamente, o graffiti não foi institucionalizado e jamais será, a representação sim. mas aí você mesmo concorda que pouco importa. vocie prefere o muro do beco da quarentena ou o do machadão? enfim, nem qeuro me envolver nesta sicussão porque como disse no memso post que vocie se refere no seu texto, nem me considero muito graffiteiro, somente pinto na rua.

    e sobre o terrorrismo poético disto recomendo a leitura de Hakim Bey, em especial: TAZ: Zona Autônoma Temporária, Anarquismo Ontológico e Terrorismo Poético; CAOS: Terrorismo Poético e outros Crimes Exemplares e Utopias Piratas do suposto verdadeiro autor do livros do Hakim Bey: Peter Lamborn Wilson. Dá pra ter uma noçnao qeu podemos instaurar o levante de forma intitucionalizada e isto vale mais que uma rebelião que dará o poder pra outro déspota que distorcerá a revolução pra seu benefício próprio, já que na cabeça dele, o eleito, ele é o cara da revolução.

    agora se for questionar a veracidade e a autenticidade ou a institucionalização do graffiti recomendo começar a pesquisar sobre como se escreve. desculpe se fui rude em algum momento, mas já temos alguns problemas com polícia no dia-a-dia pra sermos jornalizados pela polícia ideológica. o seu texto é bom velho, seu olahr também, dedique ele a coisas potencialmente mais interessantes. não sei qual o seu problema com o circuito cultural, mas eu a sinhá e os demais artistas não temos nada a ver com isto. portanto, sem patrulhas, por favor.

    p.s. sobre o tópico 9, é lenda, existe sim uma limpeza social em sampaulo, mas se ele fosse fácil e prático como mencionado isto aqui não seria a zumbilândia que é.

    p.s.2. preferia te madnar esta resposta por e-mail já qeu meu objetivo aqui não é polemizar, mas definir pontos de respeito e de contradições, mas não encontrei seu e-mail.

  25. Jota Mombaça 4 de julho de 2011 14:36

    certo, marcus, vamos distribuir chanel n°5 para os moradores-de-rua se perfumarem depois do banho de esgoto que precisarão tomar não havendo chuveiros disponíveis.

  26. marcus 4 de julho de 2011 13:42

    Ser limpo ou sujo não tem relação necessária com classe social. Tem muito rico porco e muito pobre com a casa e as vestes limpas. A Ribeira devia estar sempre limpa, já que lixo, além de fedor, provoca doença. Gosto de arte, gosto de gente, mas detesto imundície.

  27. Nalva Melo 4 de julho de 2011 12:46

    A forma como Jota observa o mundo absorvendo os movimentos em segundos ao seu redor, me impressiona. Me impressiona o seu cuidado. Simples..que teve só ao olhar. O cuidado daqquele que vive, que ama, que respeita. Um homem bomba. Que se vestiu para “lidar com uma economia do medo que a figura do pano cobrindo o rosto..suscita” Roteiro pronto. Salve, salve Jota!

  28. Ramon Ribeiro 4 de julho de 2011 9:13

    Um dos melhores textos do Mombaça.

    Gonzo jornalismo total, com toque apropriado de poesia e contexto potiguar.

    O papo sobre grafite caiu em boa hora. Acho interessante se levar a técnica para espaços institucionalizados. É importante até. Mas realmente o verdadeiro grafite está nas ruas e surge de maneira calada sem holofotes.

    Gostei muito da expressão “potência de crime poético”.

    A reflexão sobre o Bar da Suástica e o Bar do Chorinho diz tudo que concordo plenamente.

    “eu aqui reitero meu desprezo por reuniões de tias que se xingam com meias palavras bebendo chá”, Hehehe. Massa!

    A parte mais importante que achei de tudo que Mombaça falou está no ponto *9 do texto.

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