Antidoping do sexo

Por Xico Sá
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Uma emenda em caráter urgente, urgentíssimo, à declaração universal do homem que é homem: pelo direito sagrado à brochada ou broxada, tanto faz, como registram nossos velhos e bons dicionaristas. É, estamos ao ponto de perder a nossa mais sensível e delicada condição, uma das raras, a nossa mais linda falência. A cada dia é uma química nova na praça.

Pelo direito das moças realizarem exame antidoping nos marmanjos, para saber o que é vigor artificial e o que vem a ser o fogo que deveras queima o desejo por elas. Contra a fraude amorosa!

Depois do Viagra, do Levitra, tem ainda o Cialis e outros congêneres que prometem 36 horas no ataque, sururu na área, na boca do gol, a tática do abafa. Um dia e meio em riste. Um fim de semana de confusão. Quem aguenta? Ainda mais com aquela nossa força mecânica sem delicadeza alguma, achando que sexo é esporte apenas de lenhadores.

Pelo medo do artilheiro diante do pênalti, pelo sagrado direito à broxada, pela carne trêmula diante da moça. Pelo suspense erótico, e até mesmo por aquela coisa hippie definida simplesmente como “questão de pele”, “química” etc. Clamamos, uma vez mais: queremos de volta a nossa falência demasiadamente humana.

De ovo de codorna, de catuaba para cima, exame antidoping neles. Sim, ostra também vale, afinal de contas é o melhor dos afrodisíacos do embornal do velho Casanova.

O uso das pílulas milagrosas é uma espécie de dumping, para usar a terminologia de mercado – quando um concorrente cria uma vantagem desleal na praça e vende o seu peixe de forma enganosa.

Como a gazela ou a afilhada de Balzac vão saber se aquela devoção toda é motivada por elas mesmas ou pela química? Eis um novo item na lista de inseguranças femininas.

E um reforço e tanto no reclamado machismo de todos os cabróns. Ora, a possibilidade da broxada nos torna mais humanos, mais sensíveis, atentos… Sem isso, imaginem a arrogância fálica, o poder macho, a plenitude da velha expressão “bater o pau na mesa”.

Homem que é homem defende e preza pela humildade franciscana da broxada. Claro que se o tio já dobrou o Cabo da Boa Esperança e enfrenta a disfunção erétil, nada mais justo. Trata-se de questão médica, vai fundo, toda força, amigo.

O triste é ver jovens, garotos que nem aprenderam ainda dar bom dia a uma mulher, fugindo à luta, descrentes dos seus próprios poderes. Pobres moços, mal sabem da bela compaixão e ternura que desperta uma broxada. Infalíveis, mimados pela mãe e pela química, irão passar a vida inteira sem essa bela experiência.

& MODINHAS DE FÊMEA

A bela reação ao caveirismo doentio das passarelas da moda continua. A semana de Milão, a segunda mais importante do mundo – atrás apenas de Paris – promoveu desfiles com modelos tamanho 46 e 48, o que é excelente para a vida real, mas ainda é um tabu para o império da magreza fashion.

O esquema “plus size” foi comandado pela estilista Elena Mirò. Palmas para a moça. E viva a fêmea cheinha, a mulher-comfort e toda a sua gostosa maciez.

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