Ao gosto dos artistas?

TC

Alex de Souza e Clotilde Tavares comentaram no Twitter o editorial “Ao Gosto dos Artistas” publicado hoje pelo Novo Jornal sobre a cultura no Estado.

Alex: “texto é um despropósito pra quem entende um mínimo de polít. cultural Rt @NovoJornalRN [Editorial] Ao gosto dos artistas”.

Clotilde: “Ainda se confunde políticacultural c/produção de eventos.É como se em vez de escolas e currículos, houvesse aulões eventuais p/5.000 alunos.”

Eu concordo com a opinião de ambos e acrescento mais alguma coisa. O editorial, que publicamos mais abaixo, é ufanista em vários trechos e delirante em outros. Leiam e tirem suas conclusões.

Não serão eventos de impacto midiático e caríssimos, desvinculados de uma verdadeira política cultural, que farão o Rio Grande do Norte “voltar a figurar no mapa nacional da cultura”.

Aliás, quando é que figuramos com destaque, porque é a isso que o editorial se refere, nesse tal mapa cultural nacional?

É prematuro, para dizer o mínimo, tecer loas a uma gestão que mal começou. Esse modelo de gestão cultural que está em curso se assemelha ao que é desenvolvido em Mossoró há muitos anos.

E pelo que sei, mas o pessoal de Mossoró tem mais conhecimento de causa para falar sobre isso, a cidade não figura ainda com destaque no mapa nacional da cultura.

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NO NOVO JORNAL

Ao gosto dos artistas

Se há uma área na qual o governo Rosalba Ciarlini está conseguindo construir rapidamente um rosto e uma imagem próprios, ou seja, desvinculado totalmente de ações que tenham sido iniciadas por administrações anteriores, esta é a da cultura.

O Agosto da Alegria, que caiu depressa no gosto popular, foi um tiro certeiro numa área que passou quase oito anos deitada em berço esplêndido, adormecida no meio da burocracia e cuja inércia só era sacudida de vez em quando pela adoção de uma ou outra medida, ainda assim de forma aparentemente amadora, desvinculada que era de outras iniciativas de governo.

O sentimento é o de que, agora, de fato, há um setor atento ao que se produz não somente dentro, mas fora do RN. O estado – é o que se percebe com o projeto – voltou a ser incluído entre aqueles capazes de se fazer notar pela produção cultural de qualidade, o que permite, por outro lado, que ele interaja com seus vizinhos sem a aparente submissão. A impressão é que o RN voltou a figurar no mapa nacional da cultura.

Deu-se, por exemplo, quando trouxe Antonio Nóbrega e Ariano Suassuna, expoentes da cultura pernambucana, para se apresentar e falar de arte. Deu-se quando trouxe Paulinho da Viola e Jorge Aragão, dois artistas de referência no trabalho que realizam.

Os artistas, por seu lado, parecem ter ganho um canal mais interessado em viabilizar a produção local. Ao alcançarem a visibilidade de que precisam eles encurtam o caminho até o público.

Trata-se, portanto, de um projeto desde já vencedor porque estabeleceu como princípio a qualidade e como estratégia a total desvinculação político-partidária, exatamente como a cultura deve ser tratada.

Há, dentro do projeto, vários aspectos a considerar: além dos shows e exposições de artes plásticas, realiza-se, por exemplo, uma série de oficinas, através das quais os jovens podem conhecer melhor os artistas. A programação inclui, ainda, cortejos culturais e folclóricos pelos bairros da cidade, nos quais a arte potiguar, da mais moderna às mais tradicionais, como o Boi de Reis, pode se fazer conhecer – indo além dos livros ao se transformarem em exibições públicas.

Outro aspecto cuja relevância precisa ser enfatizada diz respeito ao calendário. Embora seja o mês do folclore e embora tenha nascido no RN o maior folclorista do Brasil – Luís da Câmara Cascudo – agosto era um mês esquecido pela agenda cultural. O projeto mostra que é possível fazer de agosto o mês do folclore e das artes no RN.

Comentários

Há 4 comentários para esta postagem
  1. Alex de Souza 31 de agosto de 2011 20:25

    talvez eu prefira qualquer coisa, menos a mediocridade.

  2. marcus 31 de agosto de 2011 18:38

    Talvez prefiram a época de Wilma, com seus shows da “Garota Safada”.

  3. Daniel Dantas 30 de agosto de 2011 23:15

    Uma agenda cultural, além de tudo, feita pela Secretaria de Estado apenas na Capital.

  4. françois silvestre 30 de agosto de 2011 21:48

    Na história o fundamental é o fato, cercado pelas circunstâncias do indivíduo. Na cultura o determinante é a genética social limitada pelo tempo e pela geografia onde o indivíduo está implicado. Diferentemente da história, na cultura o evento é secundário. Digo geografia e não espaço, porque o espaço é universal. A geografia é local, restrita, limitada e limitadora da produção cultural. A cultura por mais universal que seja na colheita é tribal na feitura. Evento é diversão cultural. Parte secundária da cultura. Nunca deu certo rebocar a cultura com caliça da política. O texto acima, do editorial, pode até merecer respeito, mas não pode exigir convencimento.

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