Ao vencedor (o povo), (o Largo d’) a Batata

Policial, seguindo ordem do comando, agride jornalista com gás pimenta.
As agressões brutais da Polícia Militar, da Rocam e da Tropa de Choque contra manifestantes, transeuntes e jornalistas na última manifestação legítima dos paulistanos contra as péssimas condições do transporte público, e pela revogação do aumento nas tarifas, não são um ponto fora da curva. O próprio governador, diante de uma chacina policial na periferia, quando da onda de violência do final do ano passado, disse “quem não resistiu está vivo”, a mesma frase empregada por Fleury, quando da chacina do Carandiru.
Nossos grupos Célula Comunista, Cineclube Baixa Augusta e Fórum Rodamundo Mudar São Paulo sediam-se e reúnem-se há mais de 5 anos no olho do furacão dessas manifestações, a região da Paulista e Baixa Augusta.
 
Na quinta-feira passada, o Espaço Itaú de Cinema da rua Augusta, tradicional ponto de encontro nosso e de uma verdadeira massa de jovens, foi alvo do vandalismo da Polícía Militar. Fechado mais cedo para evitar expor seus frequentadores e funcionários a possíveis riscos, o Espaço, de portas fechadas, quando a rua se encontrava vazia, foi alvo de bombardeio indiscriminado de gás lacrimogênio. Para não se intoxicarem, os funcionários tiveram de se abrigar no fundo do cinema, até que houvesse condições para saírem em segurança. Todavia, até 23,30h as bombas continuavam na rua  VAZIA!
A mesma violência absurda empregada na suspeitíssima operação Castelinho  e na desocupação violentíssima do Pinheirinho ganhou agora a vitrine da avenida Paulista, famosa menos por seus hospitais, como argumenta farisaicamente o governador, e mais por sediar a  elite financeira do país, que não suporta ver sua passarela profanada por gente que anda de ônibus, metrô e trem superlotados, pródigos pela péssima qualidade e pela panes diárias e até horárias.
Há um momento em que o copo transborda. Estes 20 são os centavos mais preciosos dos últimos anos. Desde o fim da ditadura, os sucessivos governos, mesmo à esquerda, cumprem pequena percentagem do que prometem e ficam a dever o restante. Essas dívidas se vão somando ao longo do tempo, até que, por qualquer razão, por exemplo, 20 centavos, os descontentes, somados no tempo na proporção das promessas não cumpridas, resolvem mandar a conta.
Por isso estaremos hoje no Largo da Batata, 17h para pôr vinagre nesse governo de chuchu do mal.

Nasci em Natal (1950). Vivo em São Paulo desde 1970. Estudei História e Artes Visuais. Escrevo sobre História (Imprensa, Artes Visuais, Cinema Literatura, Ensino). Traduzo poemas e letras de canções (do inglês e do francês). Publiquei lvros pelas editoras Brasiliense, Marco Zero, Papirus, Paz e Terra, Perspectiva, EDUFRN e EDUFRJ. Canto música popular. Nado e malho [ Ver todos os artigos ]

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