Aos 90 anos, Glorinha Oliveira está musicando poemas de Auta de Souza, que serão apresentados no Teatro Riachuelo

É notória a contribuição da Cosern como maior investidora na cultura potiguar, sem contar a longevidade desse investimento. Mas há também outras empresas compromissadas, mesmo que mais pontuais e mais recentes.

É o caso do Grupo Vila, que se não distribui montantes milionários para dezenas de projetos, aposta sempre em alguma ideia fundamental.

A de 2015 é um novo projeto para homenagear personagens importantes da história e da música potiguar. Trata-se do projeto “O Cancioneiro de Auta de Souza por Glorinha Oliveira”, que está resgatando a memória da poetisa e da grande estrela do rádio potiguar.

Oito poemas de autoria de Auta de Souza – que fazem parte do livro do autor Cláudio Galvão intitulado “Cancioneiro” – estão sendo musicados por Cláudio e interpretados por Glorinha Oliveira, para serem reunidos em um CD, que terá distribuição gratuita.

O repertório do CD será apresentado em um show no Teatro Riachuelo no dia 27 de novembro, em homenagem aos 90 anos de Glorinha Oliveira, com a participação de artistas convidados, quando será gravado o DVD. O projeto conta com incentivo da Lei Djalma Maranhão da Prefeitura do Natal.

As ações que fazem parte da construção do projeto já estão em desenvolvimento e, além do CD, do show e do DVD, está sendo elaborado um documentário com depoimentos da própria Glorinha de Oliveira, além de músicos e personalidades representativos da cultura norte-rio-grandense.

Outros investimentos do Grupo Vila
Em 2013, pode-se destacar dois apoios: o patrocínio do projeto Tonheca Dantas: o Maestro dos Sertões, e ao grupo de samba Quarteto Linha.

O primeiro projeto resgatou a obra de um dos principais músicos potiguares. Foi produzido um encarte com dois CDs, um com 13 composições de Tonheca gravadas pela OSRN e outro com fotografias, partituras e o e-book “A Desfolhar Saudades: uma Biografia de Tonheca Dantas”, do professor e historiador Claudio Galvão.

Para lançar o projeto com chave de ouro, a OSRN realizou dois belíssimos concertos: um em Natal, no Teatro Riachuelo, e outro, em Carnaúba dos Dantas, na Igreja Matriz.

Já o grupo Quarteto Linha teve o apoio nos deslocamentos que fez para Mostra São Paulo Exposamba 2013, na qual conquistaram o terceiro lugar com a composição “Eu Tô Naquela”, e no programa Som Brasil/Rede Globo em que participaram de uma homenagem ao movimento do samba e pagode do Fundo de Quintal.

Sobre Auta de Souza
A poetisa nasceu em Macaíba (RN), em 12 de setembro de 1876. Órfã de pai e mãe já com pouca idade, cresceu em internato. Aos 14 anos, diagnosticada com tuberculose, teve que deixar o colégio, e morando com os avós, continuou sua formação intelectual sozinha, tornando-se autodidata. A doença, que já havia atingido seus familiares, não impediu que ela começasse a escrever e a declamar, hábito muito comum em reuniões sociais na época. Entre 1899 e 1900, ela usaria os pseudônimos de Ida Salúcio e Hilário das Neves para assinar seus poemas. Vários deles foram musicados por compositores regionais e transmitidos oralmente, desde o final do século 19.

A poetisa Auta de Souza, autora de textos de conteúdo místico e inspiração cristã, inovou ao escrever profissionalmente numa sociedade em que este exercício era reservado exclusivamente aos homens. Seus versos retrataram suas experiências e ficaram bastante conhecidos, ao serem incluídos em várias antologias e manuais de poesia. Seu grande e único livro foi “Horto”, publicado em 1900, prefaciado pelo mais consagrado poeta brasileiro da época, Olavo Bilac. Pouco depois, em 7 de fevereiro de 1901, com 24 anos, Auta veio a falecer, deixando seu legado na literatura brasileira.

Sobre Glorinha Oliveira
Nasceu em 27 de novembro de 1925, em Natal (RN), no bairro das Rocas. Ainda pequena estudando no Grupo Izabel Gondim, Glorinha se destacava em suas apresentações em eventos e festinhas do colégio, participando de peças de teatro e cantando. Aos 10 anos foi morar no Recife, onde teve a oportunidade de se apresentar em um programa de calouros na Rádio Clube de Pernambuco, sendo eleita a cantora mirim. Anos depois, Glorinha teve o privilégio de participar da inauguração da 1ª Rádio do RN – a Rádio Educadora de Natal, que depois veio a se chamar Rádio Poti.

Na década de 1950, viajou por quase todo o Brasil para representar o RN nas inaugurações das emissoras de rádio dos Diários e Rádios Associados. Dividiu palco com grandes nomes da música brasileira da época, entre eles Ademilde Fonseca, Cauby Peixoto, Ângela Maria, Carlos Galhardo, Moacyr Franco, Leni Andrade, Miltinho, Sílvio Caldas, Orlando Silva, Ataulfo Alves, e tantos outros. No rádio, Glorinha fez de tudo: rádio novela, programa de humor, locutora e chegou até escrever mini-novelas. Participou de diversos programas de TV, tornando seu trabalho reconhecido nacionalmente.

FOTO: Canindé Soares

Acredito que música, literatura e esporte são ansiolíticos dos mais eficazes; que está na ralé, nos esquisitos e incompletos a faceta mais interessante da humanidade. [ Ver todos os artigos ]

Comments

Be the first to comment on this article

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Go to TOP