Aos irmãos Coen e ao cinema de autor

Percebo crise no cinema autoral faz tempo; talvez uma década. Filmes baseados em fatos, ou inspirados em best-sellers ou gibis. Falta mesmo aquele roteiro original. Por aqui, a estética e as propostas das produções atuais seguem mesma linha, seja o retrato do apartheid social, do padrão globo de sacanagem ou de cunho religioso, salvo um ou outro trabalho (um ou outro diretor). Aqui ou acolá só se vê filmes com vontade de ganhar prêmio. Mas, se aqui temos um Cláudio Assis, acolá temos os irmãos Joel e Ethan Coen para salvar a sétima arte.

Ontem assisti ‘Inside Llewyn Davis: balada de um homem comum’. Estória (nada de HIstória!) de um cantor e compositor que sonha viver da música; as dificuldades comuns de um artista anônimo e talentoso e, muito mais do que isso: uma estória de vida banal, sem clímax porque assim é a vida de pessoas normais; filme com sentimento, mas sem pieguismos; com drama, sem escorrer na irrealidade. Um filme simples e genial. E meu Oscar vai mais uma vez aos irmãos Coen, com menção honrosa a Woody Allen pela igual defesa do cinema autoral.

Inside-Llewyn-Davis 3

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