Apartheid Vip

camarotePor Laurita Arruda, em seu blog Território Livre
http://www.lauritaarruda.com.br/

Apartheid, segundo a Wikipedia (pai dos burros virtuais) , significa “separação” em africânder. Uma palavra utilizada para designar um regime no qual os brancos detinham o poder e os demais – o resto –  eram obrigados a viver separados dos brancos (na foto, a atriz Sabrina Sato, no camarote, conversa com os fãs).

Ontem,  fui ao Camarote Natal 2014 no Carnatal. É o mais badalado, comentado, buchichado do evento. Lugar de gente bonita. Não fui como jornalista, mas , confesso, a dificuldade de separar a pretensa foliã da observadora da cena. Lá, uma pauta pronta. Passaporte para o espaço é uma camiseta com uma pulseirina. Valor: R$ 209,00. A noite. Incluso; diversão e bebida.

A ambientação gera impacto pelo bom gosto. Algo funcional e sem ostentação. Pé direito altíssimo, aproveitando a ventilação natural do local.  Menos mal para as vítimas em potencial do H1N1. Voltando ao “tudo incluso”, sucesso entre nove entre dez copos é o enérgetico. O nome? Pânico, um merchandising do programa de Sabrina Sato, namorada do deputado Fábio Faria, um dos donos do camarote.

Na frente, próximo à avenida, um palco pequeno onde ficam as pick ups para os djs. “Daqui a pouco MC Sapão”. Quem? O dj que arrebenta no funk. Ai,ai,ai,ai. Um amigo pergunta; Não sabia que gostava de funk. Nem eu. Adiante.

Dentro do Camarote Atlética Natal 2014,  um espaço vip. É ali que as coisas acontecem. Ou vocês  imaginavam que Preta Gil, Dani Bananinha e Sabrina Sato ficariam juntas com o resto dos mortais? Nunca no Brasil. Recebi a pulserinha do tal espaço de Estela Dantas, assessora do camarote. Preferi não utilizar.

Na entrada – discreta – dois ou três seguranças barrando os sem pulseiras. Lá dentro, banheiros diferenciados, pufs, varanda para o corredor da folia.  Banheiros não químicos, como os que os pagantes utlizam lá fora. Isso já justificou manter a credencial vip no pulso. Quem sabe, uma necessidade.

Pia bacana, sabonete liquido e alcool em gel. O grande diferencial; não tem gente comum, não colunáveis das revistas de celebridades – mesmo que de segundo time.  Na teoria, sem espaço para aqueles, que  como eu,  pagaram para entrar.

Vi na porta do espaço VIP(very important person) o ex-prefeito de Macaíba, Fernando Cunha, tentando um up grade . É recém-filiado ao PMN, do deputado Fábio Faria. Não sei se conseguiu o feito. Fico devendo a informação.

Fábio Faria faz algumas presenças no palco ao lado da namorada Sabrina Sato, um aceno ali, um sorriso para as fotos acolá. Embaixo, pisando no chao, o empresário Álvaro Berrnardo Garnero, dançando entre os mortais. Logo ele, talvez o único sangue azul entre as ditas celebridades. Suas raízes não são brasileiras e sim espanholas. DNA dos Monteiro de Carvalho, que trouxeram genética de  família real europeia.

Se os critérios  fossem nossos quatrocentões … teriam que deixar a tribo potiguar ter acesso aos espaço vip do vip. Apito e cocar (na cabeça) como credecnciais.

Fiquei impressionada mesmo com um relato que amigos do deputado FF fizeram. Aconteceu na última sexta-feira. O empresário e não o deputado falando. Pediu que alguns VIPs de Natal  – amigos seus de balada – dessem um tempo fora do espaço separado porque tinha muita gente, poderia sufocar os artistas. Essa  turma, dizem, tem fôlego, respira mais fundo que os demais.

No mais, registrar  que a noite foi agradável e animada, segundo o release oficial – 10 horas seguidas  de festa. 3 horas da madrugada o som foi desligado.

Além da positiva constatação: o deputado Fábio Faria sabe, como poucos, distinguir o público do privado. Nos dias de Carnatal, entra em ação o empresário Fário Faria, o homem de negócios, empreendendor. O político fica em stand by, esperando outro momento para abraçar criancinhas, moças banguelas e homens bêbados pelo Rio Grande do Norte afora.

Isso é  para depois, claro. Até a próxima procissão ou festa de São João de alguma cidadezinha desse pobre elefante.

Enquanto isso, nosso RN parece  continuar apartado. Pelo menos de princípios como igualdade e fraternidade, que alicerçaram  crescimento de povos verdadeiramente desenvolvidos.

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