Apenas mais umas palavras sobre o jornal O Galo

O Galo já cantou por aí e só fui ler depois do cocoricó matinal. E li de pronto. Muita coisa boa. Um mix de entrevista, uma matéria jornalística e muitos textos em variados gêneros literários. Thiago Gonzaga já publicou neste mesmo espaço sua opinião sobre esse resgate do jornal. E Thiago tem propriedade porque leu a primeira fase da publicação. Eu não.

Posso despejar algumas palavras do ponto de vista do leitor comum, do primeiro leitor. E achei O Galo de muito bom gosto. Um jornal já com identidade, voltado, aparentemente, à literatura. Pelo que soube, as edições passadas eram mais ecléticas. Mas acredito nessa identidade já na primeira edição por causa dessa personalidade mais definida.

A poesia está ali muito bem representada: Gilvânia, Jeanne, Cefas, Lívio, Roberto Lima e sempre Iracema; sempre, por favor! A poesia Zarabatanas me fisgou. E poesia, pra mim que não sou poeta, é tipo música, já que me falta “ouvido musical”: é coisa de arrebatamento, sem análise técnica. E ainda a história do poeta Konstantinos Kaváfis – artigo de Horácio Paiva.

Mas achei os contos o ponto alto da publicação. Todos excelentes. A poesia contada de Carmem Vasconcelos (Carmem é sempre poesia em tudo o que faz); o texto enxuto de múltiplos cenários de Cellina Muniz; o ritmo alucinante do conto de Alexis Peixoto… São três contistas já prestigiados. Gostaria de ver uma galera nova, também. Já li algumas coisas muito boas pelas redes.

A entrevista com Marize Castro comentando a fase gloriosa d`O Galo também já sugere alguns aperfeiçoamentos. Ela disse que a publicação não era um jornal literário, mas um jornal cultural, cuja literatura era a expressão mais forte, mas abrigava outras manifestações e artistas plásticos faziam capas especiais para cada edição. Acho essa parte da capa uma boa ideia!

Outra coisa. Um fato fundamental em qualquer publicação impressa é a distribuição. E Marize disse, ainda na entrevista, que na sua época de editora o jornal circulou pela USP e até na França. São apenas mil exemplares nesta nova fase. Se pelo menos receber boa disseminação não só nos círculos intelectuais, o jornal terá mais proveito ou mesmo cumpre o seu propósito.

Aliás, achei a entrevista com Marize muito massa, embora carente de melhor edição. Lembro de ter transcrito a entrevista com Cassiano Arruda na Palumbo de forma muito fiel à gravação, muito cheio de coloquialismos e ficou meio confusa, sem arestas aparadas. A própria Luana Ferreira, que assina boa matéria sobre a Gráfica Manimbu, teceu crítica à época. E concordei.

Bom, das boas perguntas e excelentes respostas da entrevista, resolvi pinçar algumas frases. Enfim, que venham outros cocoricós tão bons quanto esse!

POR MARIZE CASTRO
Sobre divulgação do trabalho artístico
“(…) é importante, porque ficar o tempo todo dentro do próprio umbigo é muito perigoso; é muito bacana, mas muito perigoso. Fica um provinciano no sentido ruim da província porque a província é gostosa, né? Quando ela se fecha é que é ruim”

Sobre o gosto pelas palavras
“Palavras me fascinavam. E essa coisa de ser muito para dentro e gostar das palavras me tornou escritora; não sei nem se poeta, mas escritora”

Sobre o espaço da poesia
“A poesia nunca vai perder o lugar dela. O lugar que pertence a poesia é o lugar da intimidade, do que você reconhecer, de estar próximo a você”

Sobre a poesia na modernidade
“Eu acho que o leitor de poesia sempre vai existir. Mesmo ele estando diante da tela do computador porque poesia é a vida”

Sobre os anseios do escritor
“Você escreve para ter o diálogo com o outro. Por mais que você tenha feito isso no seu mais íntimo, no seu mais secreto lugar, você quer que o fruto disso seja lido”

Sobre a evolução poética
“Aqui em Natal eu vejo gente que começou a princípio muito ruim e agora ta escrevendo coisas bacanas”

Sobre a escrita e a loucura
“Muita gente acha que a lançamos livro por vaidade, mas não, é para não enlouquecer”

MUDANDO DE CONVERSA…………… Yrahn Barreto lançará seu segundo e novo álbum Ao Gosto dos Anjos, hoje, às 20h30 no palco da Cientec. Vale uma olhadela aguçada nesse trabalho, produzido junto com Dudu Taufic no Estúdio Promidia. Confira AQUI……………. Um dos melhores grupos mineiros quando se fala em linguagem circense, misturando música e improvisação, o Grupo Trampulim desembarca em Natal nesse sábado para apresentar o espetáculo ACORDA, no A Boca – Espaço de Teatros (Ribeira), a partir das 20h. Entrada gratuita…………… A UFRN promove a mesa-redonda “Panorama de Literatura Norte-Rio-Grandense: dos primeiros aos contemporâneos”. Próxima quinta (29), às 19h, no Auditório B do CCHLA. Debaterão o professor Paula Pires do Departamento de Letras da UFRN, o escritor Manoel Onofre Jr. e o escritor Tarcísio Gurgel…………… Projeto Parcerias Sinfônicas do Sesc RN apresenta Quinteto de Sopro de SP nesta terça, às 19h. Espetáculo acontece no Auditório do Sesc Cidade Alta mediante doação de 2kg de alimentos não-perecíveis…………… Aprovado na Câmara dos Deputados projeto de lei que permite o uso da Lei Rouanet no financiamento de projetos turísticos. Com isso, empresas do setor, como hotéis, pousadas, bares e restaurantes poderão descontar do Imposto de Renda valores investidos em projetos culturais aprovados pelo Ministério da Cultura ou pela Agência Nacional do Cinema (Ancine)…………… Para o hoje: “Estou levitando por aqui… a despeito do peso de mim”(poeta Balsa Melo)…………… Depoimentos sobre o projeto Presença, que lançará os cinco primeiros títulos biográficos próxima quarta, na ANL:

Jornalista por opção, Pai apaixonado. Adora macarrão com paçoca. Faz um molho de tomate supimpa. No boteco, na praia ou numa casinha de sapê, um Belchior, um McCartney e um reggaezin vão bem. Capricorniano com ascendência no cuscuz. Mergulha de cabeça, mas só depois de conhecer a fundura do lago. [ Ver todos os artigos ]

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