Apesar da qualidade técnica “O Regresso” não me convenceu

O poeta Jarbas Martins comentou rapidamente “O Regresso” no Facebook. Diz que gostou e pretende revê-lo. Pede a minha opinião e de outros amigos sobre o filme, que ganhou neste final de semana cinco prêmios no Bafta – o Oscar britânico.

Um forte indício do que acontecerá no Oscar, em que concorre em “apenas” doze categorias. No Bafta, ficou com os prêmios de melhor filme, melhor diretor (Alejandro Iñárritu), melhor ator (Leonardo DiCaprio), direção de fotografia (Emmanuel Lubezki) e direção de som (aqui). Competência técnica para tantos prêmios não faltam. Isso é inegável. Um filme feito para ganhar muitos Oscars, mas que não me convenceu. Essa foi minha impressão após deixar a sala do cinema.

O filme impactou alguns críticos como Lucas Salgado: “O Regresso é um dos mais belos filmes dos últimos anos, uma obra tensa, envolvente e deslumbrante que traz uma atuação visceral de um dos atores mais brilhantes da atualidade” (aqui). Mas outros, como José Geraldo Couto, apresentam restrições (aqui). Um parêntese: eu acho importante publicar links com opiniões diferentes com complementares para possibilitar a formação de um juízo crítico independente e mais consistente, mas vocês podem pular.

Eu fui para casa refletindo, meio invocado, tentando saber exatamente porque “O Regresso”, apesar de todas as qualidades técnicas não tinha me agradado. Fiquei remoendo, remoendo uns três dias sobre isso. O poeta Demétrio Diniz, que assistiu antes, comentou que também não tinha gostado, achou-o longo e tedioso. Então, eu fui com um pé atrás.

Pois foi a excessiva perfeição técnica do filme, que me deixou contrariado. Aparentemente esse é um juízo paradoxal, mas que considero válido para o caso. O que José Geraldo Couto chamou em seu texto de “estética da ênfase”. Eu ouso dizer que um enxugamento de 30 a 40 minutos teria sido benéfico para “O Regresso”. Incomodaram-me também a violência explícita, um certo misticismo e a contínua exuberância da fotografia, nesse último caso levando o espectador a um certo tédio diante de tanta beleza.

Eu fiquei meio receoso de apresentar publicamente minhas impressões, sobretudo porque meio mundo adorou o filme e eu teria de explicar como o filme é grandioso, tecnicamente perfeito, mas mesmo assim não tinha me agradado. Mas me senti encorajado depois que li a crítica de José Geraldo, um cara que manja muito de cinema, que está reproduzida no link mais acima.

Não é, portanto, um filme que pretenda assistir novamente. Embora goste de filmes anteriores do diretor, como “Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância)”, do ano passado, além de “Amores Brutos”, de 2000. Certamente que ganhará vários Oscars, inclusive o tão esperado de melhor ator para DiCaprio, que já está na fila faz um tempo.

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