Apesar das ruínas, incêndios e da morte

Cada um faz o seu turismo preferido. E todos são válidos. Uns gostam de visitar lugares exóticos, outros de praia, campo, aventura. Há até quem viaje para fazer compras e ir à Disney. Existe gosto pra tudo. E ainda aqueles que preferem quase tudo isso, junto e misturado.

O meu turismo é cultural. Não que estando em uma cidade de belas praias, por exemplo, me furte a conhecê-las. No Rio, apesar do medo, andei no bondinho do Pão de Açúcar. O que quero dizer é que minha motivação, nas vezes em que viajei de férias, sempre foi pelo conhecimento e desfrute culturais.

Foi assim que andei pelas cidades históricas mineiras, visitei sebos, livrarias e museus em São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro. Como esquecer a primeira vez no Masp? A visita à Biblioteca Nacional? E daquela exposição de obras de Rodin num espaço cultural de um grande banco?

Já faz muito tempo que não tiro férias. E por razões as mais diversas não retornei mais a São Paulo depois que o Museu da Língua Portuguesa foi aberto. Mas estava nos meus planos aproveitar um final de semana em breve somente para conhecê-lo. Tinha um forte atrativo a impulsionar-me, a exposição de Cascudo.

Dancei, né?!

Infelizmente, agora terei de esperar não sei quanto tempo para conhecer esse Museu (Alckmin prometeu ontem no Jornal Nacional reconstruí-lo). Acredito que, para quem lida mais diretamente com a língua, com as palavras, ama a literatura, essa é a primeira parada estando em São Paulo.

As labaredas que destruíram o Museu da Língua Portuguesa atingiram o meu sonho em cheio. Que, no geral, sempre renasce, como naquele poema curtinho, que adoro, de Sophia de Mello Breyner Andresen (bom pretexto para reproduzi-lo. No final).

Ainda bem que as obras, peças etc expostas de Cascudo eram réplicas e objetos cenográficos. O precioso acervo do escritor continua a salvo no Instituto Ludovicus – Instituto Câmara Cascudo.

 

Sophia de Mello Breyner Andresen

“Apesar das ruínas e da morte”

Apesar das ruínas e da morte,
Onde sempre acabou cada ilusão,
A força dos meus sonhos é tão forte,
Que de tudo renasce a exaltação
E nunca as minhas mãos ficam vazias.

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