Aplausos para Avatar


Fila quilométrica. Todos os dias e nas últimas semanas têm sido assim no último piso do Midway. O último longa de James Cameron (Titanic) é sucesso indiscutível. Na terceira tentativa consegui a compra do ingresso. Desço para almoçar e quando volto, outra fila de dobrar esquina para entrar na sala de projeção. Consigo uma poltrona ali na meiota. Preferia lá atrás. Esperava uma barulheira infernal durante o filme. Não só pela quantidade anormal de crianças e adolescentes, mas pelo público-alvo dos filmes comerciais e os efeitos em 3D que provocam reações mais latentes nos expectadores. Minha expectativa foi quebrada em quase tudo. Houve um silêncio incomum. Nem mesmo nos filmes cults se vê isso. Outra: esperava um filme pelo menos razoável e efeitos deslumbrantes. Não vi nenhum dos dois. O filme é abaixo da minha expectativa: roteiro piegas. Os efeitos são realmente audaciosos, mas confesso ter esperado mais, pela própria badalação e críticas positivas do filme. No fim, aplausos. Nem me lembro a última vez que ouço aplausos ao sair do cinema. Avatar conseguiu a proeza. E me veio uma comparação meio idiota dos aplausos recebidos pelos políticos ao fim dos discursos em palanque. O povo é mesmo o retrato de seus governantes e dos filmes que aplaudem.

Acredito que música, literatura e esporte são ansiolíticos dos mais eficazes; que está na ralé, nos esquisitos e incompletos a faceta mais interessante da humanidade. [ Ver todos os artigos ]

Comentários

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  1. Moacy Cirne 7 de janeiro de 2010 13:09

    Meu caro,

    não pretendo ver 'Avatar', não tenho o menor interesse por ele. Mas louvo a sua coragem em enfrentar uma fila quilométrica só para vê-lo.

    Um abraço.

  2. Carlos Augusto [Floyd] 8 de janeiro de 2010 3:30

    rá! Que o filme ia ser uma merda já era esperado… Quando a esmola é grande o cego desconfia!

  3. Carlos Augusto [Floyd] 8 de janeiro de 2010 13:53

    E o tal do 3D presta?

  4. Adriana Amorim 10 de janeiro de 2010 13:10

    Vou reproduzir alguns trechos do comentário que fiz no site da Revista Catorze, cuja crítica me levou mais à curiosidade de conferir a tecnologia 3D.

    "…Eis que, para minha surpresa, dei de cara com um filme “ducapeta”, que deixou toda a plateia extasiada, chegando ao ponto de, ao final, todos, em silêncio – apenas ruídos tímidos de risadas boquiabertas de satisfação – aplaudirem.

    Na minha avaliação, Avatar é, sim, uma obra-prima! E olha que são poucas as produções que me tiram tal elogio ou, digamos, qualificação.

    Avatar é uma obra-prima porque traz para si grandes referências da história (moderna) do cinema e das séries de tv. O roteiro com desfecho feliz é um detalhe que funciona, mas que está inserido dentro de um contexto que primou por qualidade, conhecimento técnico, cultura cinematográfica e consciência social.

    Do que pude observar, destaco referências como ‘O planeta dos macacos’, ‘Matrix’, ‘Stargate’, ‘Battlestar Galáctica’ e ‘O senhor dos anéis’ (lembrei de 'Tróia'). Citaria até mesmo o livro “2010 – uma odisséia no espaço II”, de Arthur C. Clark.

    Avatar tirou o que havia de melhor em cada um, desenvolvendo uma história fantástica e envolvente, que faz o espectador querer vivenciá-la. Sem falar da nobre proposta, dando destaque às virtudes e des virtudes da humanidade de maneira brilhante. Um ótimo “tapa na cara”.

    Avatar é uma obra-prima e vale muito à pena assisti-lo no cinema, especialmente em uma sala com projeção em 3D".

    Avatar é 'ducapeta', sim, senhor!
    😉

    Valeu, Vilar!

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